quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CIRO GOMES PRESIDENTE? MARKETING POLÍTICO


Ciro Gomes está em plena pré-campanha rumo às eleições presidenciais de 2018. Agora abrigado no PDT, o ex-ministro e ex-governador do Ceará preenche sua agenda com debates em universidades e visitas a meios de imprensa, tudo para criar, ele diz, uma "corrente de opinião" capaz de levá-lo ao posto de candidato preferencial do campo progressista de preferência sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no páreo. 

O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes, acredita que uma possível ausência de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2018 deixe o debate mais focado nas questões do país.

A pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República foi anunciada pelo PDT em dezembro de 2015. Desde então, o ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula viaja pelo país e investe em declarações controversas para ganhar terreno entre os eleitores de esquerda.  

Ciro Gomes já passou por diversos partidos e, agora, se estabelece como sendo de centro esquerda.

O grande problema para as eleições de 2.018 será a fragmentação dos candidatos de centro.

Se não houver uma coalizão dos candidatos de centro, dificilmente eles passarão para o segundo turno.

Ciro disputará ideologicamente com Geraldo Alckmin a posição de representante do centro, que deverá ter mais alguns candidatos nesta posição.

À esquerda e a direita estarão, até o presente momento, representadas por apenas um candidato de ponta, ou seja, Lula e Bolsonaro, o que os fortalece na possibilidade de ir a um segundo turno.

Apresenta-se um ambiente eleitoral muito parecido com o de 1989 que teve 11 candidatos a Presidência da República.

Com a apresentação de vários candidatos ao cargo, estima-se que um candidato que tenha de 30 a 35 por cento dos votos, no primeiro turno, estará apto a ir ao segundo turno das eleições presidenciais. E ai será outra eleição com outras demarcações ideológicas.

O grande desafio que tem Ciro Gomes será aglutinar em sua volta todas as forças de centro para se tornar um candidato viável e com condições de desbancar uma das pontas ideológicas, esquerda ou direita assumindo como único candidato de centro a se apresentar no primeiro turno.

Missão difícil, beirando o impossível.

Mas em política se diz que de cabeça de juiz, bumbum de criança e urna, qualquer coisa pode sair.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

BOLSONARO PRESIDENTE? - MARKETING POLÍTICO


Pesquisas recentes vêm assustando a militância de esquerda no Brasil na perspectiva de ver o deputado Jair Bolsonaro com possibilidades de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais em 2018.

Esta chance é real e cabe a tarefa urgente de tanto combater o neofascismo em todas as suas versões como também interpretar as razões deste fenômeno.

Jair Bolsonaro é o messias para jovens do sexo masculino das regiões mais ricas do Brasil e com escolaridade acima da média.

É o que dizem as recentes pesquisas divulgadas pela mídia.

Hoje, grande parte dessa geração nascida após a ditadura e que cresceu num período de bonança não votaria em outro que não Bolsonaro.

É o suficiente para o representante das corporações fardadas ser o presidenciável mais badalado nas mídias sociais.

Justamente porque é desse segmento demográfico quem mais tem acesso a smartphones e gasta mais tempo conectado a aplicativos como Facebook e WhatsApp.

No meio digital, Bolsonaro está super-representado de duas a três vezes mais do que no eleitorado.

Se a eleição fosse pela internet, seria franco favorito.

O deputado já há alguns anos faz uma inflexão para o lado dos costumes, encampando um discurso típico de outro tipo de conservador: aquele com origem religiosa.

Como resultado, está super-representado também entre eleitores de fé evangélica.

A onda conservadora que varre a opinião pública brasileira, europeia e dos Estados Unidos da América,  a geração que nem estuda nem trabalha, e os saudosistas da ditadura, é que carregam Bolsonaro acima da concorrência nos cenários de primeiro turno sem Lula, mas não bastam para leva-lo a uma vitória no segundo turno em nenhuma das simulações feitas pelo Datafolha.

Bolsonaro hoje representa o que Jânio Quadros representou na década de 60 e o que Collor apresentava na década de 80.

Um discurso conservador, onde prevalece a moral e os bons costumes de eleitorais tradicionais, somando-se a isso o fator segurança que ele tão bem representa.

Bolsonaro sabe ler o que se passa na cabeça da maioria dos eleitores que querem maior rigidez na justiça e que não são a favor do desarmamento, conforme provou o plebiscito sobre esse assunto.

Essa circunstância foi favorecida pela derrocada do PT e pela corrupção generalizada em quase todos os partidos políticos.

N onda da eleição de Trump e do crescimento da direita em toda a Europa, Bolsonaro vislumbra um bom caminho até a Presidência da República.

As forças politicas brasileiras desprezam Bolsonaro tendo-o apenas como um candidato exótico.

Assim foi com Collor de Mello e assim foi com Trump, que foram eleitos com o desprezo da mídia e dos políticos.

Já está provado,  o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar sim
QUEM VIVER VERÁ.
 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MARKETING POLÍTICO - O LOBBY DOS TAXISTAS

Fila para entrar como visitante no Senado Federal, corredores cheios e faixas da Esplanada dos Ministérios mais próximas ao Congresso Nacional com filas de táxis estacionados. Se nas redes sociais, a pressão é para liberar o uso de aplicativos de transporte, em Brasília, o lobby que predomina é o oposto. Nas últimas semanas, taxistas têm organizado manifestações e pressionado senadores a votarem um projeto de lei que restringe o funcionamento de aplicativos como Uber e Cabify. A expectativa é que o texto seja votado nesta terça-feira (31). De acordo com o projeto da Câmara dos Deputados (PLC 28/2017), aprovado em abril, os serviços só serão legalizados se receberem uma autorização das prefeituras, como acontece com os táxis. Eles passariam a circular com uma placa vermelha. Representantes da Uber sustentam que, se a proposta for aprovada dessa maneira, o serviço será extinto. Ednaldo Monteiro, de uma cooperativa de taxistas do Distrito Federal, afirma que o serviço de táxi não pode ser desregulamentado, nem haver retrocesso para categoria. “Estamos visando que todos estejam nos termos da lei e já estamos no mercado há um bom tempo, Somos uma profissão regulamentada e não estamos pedindo pra bloquear ou acabar com os aplicativos. Só queremos que regulamente”, afirma. De acordo com ele, a categoria tem visitado os gabinetes dos senadores para pressionar pela aprovação do projeto da Câmara. Nesta terça (31), taxistas e motoristas da Uber se organizam para um novo protesto na Esplanada dos Ministérios. Há duas semanas, representantes da Uber entregaram 815 mil assinaturas contra o projeto. No fim de semana, a empresa lançou uma campanha com a hashtag “#LeiDoRetrocesso”. De acordo com a companhia, há 17 milhões de usuários e 500 mil motoristas no Brasil.

De acordo com enquete no site do Senado, 42.906 votos foram favoráveis à proposta que restringe o uso dos aplicativos e 203.751 contra. Para o especialista em marketing político Carlos Manhanelli, a histórica ligação entre taxistas e políticos deve pesar na decisão. “É uma classe considerada formadora de opinião, então os parlamentares estão tentando protegê-los dos aplicativos”, afirma. De acordo com ele, a categoria continua tendo uma influência grande na população, mesmo com o avanço do aplicativos. “Vai permanecer por muito tempo assim, principalmente em uma eleição proporcional”, afirma o especialista. Ele destaca que no caso da disputa para deputado federal, o grande número de candidatos e o desconhecimento sobre a função aumentam o poder das informações ditas no boca a boca. Em algumas bases eleitorais, como no interior, os aplicativos não chegaram. E por outro lado, alguns sindicatos são aliados de peso de partidos como PT e PCdoB. Após a votação na Câmara, podia-se ouvir das galerias do plenário “Eu sou taxista, com muito orgulho, com muito amor”. De acordo com o projeto de lei aprovado na Câmara, os municípios ficariam responsáveis pela fiscalização, cobrança dos tributos e a emissão de Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) de prestação do serviço. Será exercida contratação de seguro de acidentes pessoais de passageiros e do DPVAT para o veículo. O texto prevê que o motorista tenha Carteira Nacional de Habilitação (CNH) com a observação de exercício de atividade remunerada e que ele esteja inscrito no INSS como contribuinte individual. igualmente é exigido que os motoristas sejam cadastrados nas empresas de aplicativos ou na plataforma de comunicação. Apresentado na Câmara em junho de 2016, o texto é de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), secretário de Transportes de São Paulo na gestão de Marta Suplicy. O texto não seguiu o rito tradicional e no dia da votação foi incluído na pauta do plenário às pressas. No Senado, há dificuldades de chegar a um entendimento. Alguns senadores se comprometeram a apresentar emendas para retirar a necessidade da placa vermelha e liberar o uso de carros de terceiros por motoristas credenciados. Na semana passada, o senador Pedro Chaves (PSC-MS), relator de uma proposta alternativa, não conseguiu voltar o texto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa. No mesmo dia, o plenário do Senado aprovou a urgência do projeto de lei, isto é, ficou decidido que o texto seria votado em plenário e não passaria por outras comissões. A decisão foi comemorada pelos quase 600 taxistas que estavam em Brasília. De acordo com a proposta de Chaves, os aplicativos seriam classificados como “transporte privado individual remunerado” e não público. O texto prevê que todos veículos estejam com impostos e multas quitados e tenha seguro para acidentes pessoais a passageiros. Não será obrigatório que o motorista seja o dono do veículo, mas que informe ao provedor do serviço a lista de todos os veículos que usará. Não poderão ser contratados motoristas com antecedentes criminais relativos a: crimes de trânsito, crimes contra a dignidade sexual, homicídio, lesão corporal grave ou seguida de morte, sequestro e cárcere privado, tráfico de pessoas, roubo e extorsão mediante sequestro e outros crimes “praticados mediante violência contra a pessoa ou grave ameaça”. O substitutivo igualmente obriga os provedores dos aplicativos de internet a manter cadastro atualizado de todos os motoristas e prevê a criação de diversas obrigações aos donos ou responsáveis pelos aplicativos, como manter sede, filial ou representação no Brasil. Hoje, motoristas da Uber arcam com o custo total do veículo, não tem isenção de impostos e pagma ISS como MEI (Microempreendedor individual) ou Simples a cada nota fiscal emitida. Taxistas têm isenção de IOF e IPI na compra do carro. Em São Paulo, um taxista paga cerca de R$ 255 em taxas anuais, e, no Rio, R$ 429 à prefeitura e precisa ter a licença para circular. Em São Paulo, igualmente é exigido o Condutax, um cadastro que vale por cinco anos e custa R$ 415. Motoristas de aplicativos não pagam essas taxas e circulam sem autorização das prefeituras. Em São Paulo, é exigido além disso curso específico para se tornar taxista, que custa R$ 127,54. Os aplicativos dispensam tal exigência. Quanto aos ganhos, o taxista autônomo fica com o valor integral da corrida, enquanto na UberBlack, 20% do valor da corrida fica para o aplicativo, e na UberX, 25%.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

PARTIDOS POLITICOS NO BRASIL - MARKETING POLÍTICO


EXISTEM NO BRASIL NADA MENOS DO QUE 35 PARTIDOS POLÍTICOS.

 NO SITE DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL AINDA CONSTAM 69 PEDIDOS DE PARTIDOS EM FORMAÇÃO, OU SEJA, NOVOS PARTIDOS PODEM SER CRIADOS EM ATÉ SEIS MESES ANTES DAS ELEIÇÕES.

O NÚMERO DE PARTIDOS NO BRASIL NÃO É MUITO DIFERENTE DE OUTROS PAÍSES, PORÉM, UMA DIFERENÇA É FUNDAMENTAL: A IDEOLOGIA PARTIDÁRIA.

LÁ FORA CADA PARTIDO TEM SUA IDEOLOGIA E NO BRASIL NÃO TEM ISSO, O ÚNICO GRANDE PARTIDO QUE TINHA IDEOLOGIA ERA O PT, MAS SE PERDEU.

HOJE, OS PARTIDOS EXISTEM PARA TER FUNDO PARTIDÁRIO OU TEMPO DE TELEVISÃO PARA NEGOCIAR.

INFELIZMENTE ESSA É A VERDADE.

 OS PARTIDOS NÃO PRIORIZAM ELEIÇÕES DE PREFEITO, GOVERNADOR, SENADOR E DEPUTADO ESTADUAL.

QUEREM MESMO É TER BONS RESULTADOS NAS ELEIÇÕES PARA DEPUTADO FEDERAL, PORQUE, É COM BASE NO NUMERO DE DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS QUE SÃO DEFINIDOS OS VALORES DOS FUNDOS PARTIDÁRIOS E OS TEMPOS DE TELEVISÃO PARA CADA LEGENDA.

 ACABOU A IDEOLOGIA.

OS POLÍTICOS PRECISAM DOS PARTIDOS PARA ALUGAR, NEGOCIAR TEMPO OU RECEBER O VALOR DO FUNDO.

VOCE QUE É ELEITOR TEM QUE SABER QUE, CADA VEZ QUE VOCE VOTA EM UM DEPUTADO FEDERAL, VOCE ESTÁ DANDO MAIS DINHEIRO PARA OS PARTIDOS E MAIS TEMPO DE TV E RÁDIO, PARA QUE ELES POSSAM NEGOCIAR.

ISSO É MUITO TRISTE.

UMA MUDANÇA APROVADA RECENTEMENTE PELA CÂMARA FEDERAL E NO SENADO SERÁ RESPONSÁVEL PELA DIMINUIÇÃO DE PARTIDOS NO BRASIL.

TRATA-SE DA CLÁUSULA DE DESEMPENHO, (OU CLAUSULA DE BARREIRA) QUE DEFINE REGRAS PARA QUE OS PARTIDOS TENHAM ACESSO AO FUNDO PARTIDÁRIO, BASEADA NO DESEMPENHO DAS LEGENDAS NAS URNAS.

 A MEDIDA JÁ VALE PARA AS ELEIÇÕES DE 2018, E PREVÊ UM NÚMERO MÍNIMO DE DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS OU VOTOS VÁLIDOS PARA QUE OS PARTIDOS TENHAM ACESSO AO FUNDO PARTIDÁRIO E AO TEMPO DE RÁDIO E TV.

DOS 35 PARTIDOS, ATUALMENTE, SE A REGRA JÁ ESTIVESSE EM VIGOR, 14 PARTIDOS FICARIAM SEM O FUNDO E, CONSEQUENTEMENTE, DEIXARIAM DE EXISTIR.

NA FILA PARA SEREM CRIADOS OU VETADOS ESTÃO PARTIDOS COM NOMES NADA ORTODOXOS:


 PARTIDO SOCIAL DA FAMÍLIA (PSF), PARTIDO REPUBLICANO CRISTÃO BRASILEIRO (PRCB), PARTIDO NACIONAL INDÍGENA (PNI), PARTIDO DO ESPORTE (PE), NOVA ORDEM SOCIAL (NOS), PARTIDO NACIONAL DA SAÚDE (PNS), PARTIDO UNIVERSAL DO MEIO AMBIENTE (PUMA), PARTIDO MILITAR BRASILEIRO (PMVR), ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL (ARENA), PARTIDO DA FRENTE FAVELA BRASIL (FRENTE), PARTIDO NACIONAL CORINTHIANO (PNC), DENTRE OUTROS. 


E ASSIM CAMINHA A POLÍTICA BRASILEIRA.

O CANDIDATO LULA - MARKETING POLÍTICO


Liderando as últimas pesquisas de intenção de votos para as eleições presidenciais 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é também, contraditoriamente, um dos que concentram a maior rejeição entre os eleitores.
Na pesquisa Ibope, publicada no dia 29 de outubro, o petista aparece com 35% da preferência dos brasileiros.

Mas o que isso quer dizer realmente?

Primeiro que as pessoas estão respondendo pelo grau de lembrança o que chamamos de reccal e não necessariamente pela expressão do seu voto.

O último levantamento do Ibope não apurou (ou não quiseram divulgar) os números de rejeição, mas, índices de outros institutos, como o Paraná Pesquisas, apontam para um percentual de 54% do eleitorado dizendo que não votaria de jeito nenhum no ex-presidente Lula.
Tal rejeição só deverá crescer na campanha.

Condenação, a esta altura, é o que menos importa.
Em 2018, o Lula nas urnas será o “Lula corrupto”, descrito por Doria, Alckmin, Bolsonaro, Ciro e tantos outros que irão pleitear o cargo.

Nenhuma propaganda eleitoral deixará de lembrar os fatos descobertos na Operação Lava Jato – dos pedalinhos de Atibaia aos recibos de Glauco Costa Marques, - dos vídeos de Marcelo Odebrecht e Joesley Batista ate a famosa carta de Palocci, seu fiel escudeiro.
Está claro e evidente que o grande problema do candidato Lula será a rejeição de 54% que a população brasileira tem a seu nome.

Para analistas, Lula está com o maior índice possível de intenção de votos para agora (35%) e só irá crescer sua intenção de votos, se conseguir diminuir a rejeição a seu nome.
Tarefa bastante difícil.

Lula tem um público muito fiel a seu favor, que o defende pelo acesso ao consumo e as políticas sociais que beneficiaram essas pessoas durante seus dois mandatos.
É o público que ele está abraçando na caravana que está fazendo pelo interior do País.

São esses os eleitores que vão dar força e mostrar o apoio que ele ainda possui.
Ao mesmo tempo, uma parte da classe que ascendeu a classe média, que viu seu poder de compra cair nos últimos anos, principalmente durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff  do PT, é responsável por este volume nos números de rejeição a Lula.

O melhor cenário para ele seria um grande numero de candidatos, dividindo essa rejeição, que, historicamente, é muito difícil de reverter.
Por enquanto, ele deve manter distancia das grandes cidades, onde o seu nível de rejeição é maior.

Assim como Lula, outros políticos, de uma maneira geral, que também estão sendo investigados pela Lava Jato, terão rejeição.
A população terá que escolher a partir dos candidatos que tem a disposição, mas, os nomes que apareceram até agora tem dificuldade de se desvencilhar dessa imagem da corrupção.

Acredito que Lula se beneficia pela sensação de estabilidade econômica que o país teve em seu governo.
Ele larga na frente dos concorrentes porque o eleitor avalia o voto com base no que o Brasil era quando ele foi presidente, e pela lembrança de seu nome, enquanto que os outros candidatos nunca foram presidentes, ou seja, não há o que comparar ou lembrar, pelo menos na cabeça do eleitorado.

O enigma da esfinge a ser decifrado por Lula será
Rejeição versus aceitação.

Decifre-o ou será devorado.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

MARKETING POLÍTICO - DENUNCIAS CONTRA TEMER


HOJE VAMOS FALAR SOBRE AS DENUNCIAS CONTRA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, MICHEL TEMER.
A PRIMEIRA DENUNCIA FEITA PELA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA  - A FAMOSA PGU - DIZIA RESPEITO A CORRUPÇÃO PASSIVA E FOI ORIGINÁRIA DA FAMOSA GRAVAÇÃO DOS IRMÃOS BATISTA.
ESSA DENUNCIA FOI PARA A COMISSÃO DE CONSTITUIÇAO E JUSTIÇA E TEVE PARECER DESFAVORÁVEL A CONTINUAÇÃO DA DENUNCIA.
FOI PARA O PLENÁRIO DA CAMARA E FOI REJEITADA TAMBEM PELOS DEPUTADOS.
A SEGUNDA DENUNCIA: TEMER, PADILHA E MOREIRA FRANCO SÃO ACUSADOS DE INTEGRAR UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA QUE TERIA RECEBIDO AO MENOS 587 MILHÕES DE REAIS EM PROPINA.
O PRESIDENTE TAMBÉM É ACUSADO DE OBSTRUÇÃO À JUSTIÇA, A PARTIR DE UMA CONVERSA GRAVADA PELO EMPRESÁRIO E DELATOR JOESLEY BATISTA, SÓCIO DO GRUPO J&F.
A COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA, A CCJ, TEVE O PARECER DO RELATOR LIDO NESTA SEMANA E DEVE IR A PLENÁRIO PARA VOTAÇÃO DOS DEPUTADOS NO PRÓXIMO DIA 17.
MAS ENTÃO ISSO QUER DIZER QUE O PRESIDENTE TEMER E SEUS DOIS MINISTROS NÃO SERÃO INVESTIGADOS POR ESSAS DENUNCIAS?
É ISSO QUE ESTÁ MAL EXPLICADO.
O QUE OS DEPUTADOS ESTÃO VOTANDO AGORA É PARA QUE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NÃO SEJA INVESTIGADO ENQUANTO NO CARGO.
ISSO QUER DIZER QUE ASSIM QUE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA ENCERRAR SEU MANDATO, ESSAS INVESTIGAÇÕES SERÃO EFETUADAS.
O QUE ESTÁ SENDO FEITO AGORA É APENAS PRORROGAR AS INVESTIGAÇÕES, PARA QUE NÃO SE TENHA INTERRUPÇÃO DO MANDATO.
BOA PARTE DOS DEPUTADOS JUSTIFICOU SUA POSIÇÃO DIZENDO QUE, NO MOMENTO, O MAIS IMPORTANTE É RECUPERAR A ECONOMIA A PARTIR DAS REFORMAS ESTRUTURAIS TOCADAS POR TEMER.
SERÁ QUE ELES TÊM RAZÃO?
OS EMPREGOS COMEÇARAM A SER RECUPERADOS,
NESTA SEMANA FUNDOS INTERNACIONAIS EMITIRAM PARECER DIZENDO QUE O PIB BRASILEIRO SERÁ MAIOR DO QUE O PREVISTO.
A ECONOMIA COMEÇA A REAGIR.
MANTER A ESTABILIDADE POLITICA É MANTER A MESMA FILOSOFIA ECONOMICA.
CADA VEZ QUE MUDA UM GRUPO NO PODER, CRIA-SE A EXPECTATIVA DO QUE VAI MUDAR NA ECONOMIA E, NORMALMENTE, OS INVESTIDORES PARAM DE MOVIMENTAR AS FINANÇAS, AGUARDANDO O QUE SERÁ IMPLANTADO COM A NOVA ADMINISTRAÇÃO DO PAÍS.
ESTABILIDADE POLÍTICA DESAGUA SEMPRE EM ESTABILIDADE ECONOMICA.
 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

MARKETING POLÍTICO - FINANCIAMENTO ELEITORAL: A ENCRUZILHADA



VAMOS FALAR SOBRE O FINANCIAMENTO PARA CAMPANHAS ELEITORIAS, OU SEJA, DE ONDE VAI SAIR O DINHEIRO PARA FAZER A PROPAGANDA ELEITORAL.
USAR DINHEIRO PÚBLICO PARA FINANCIAR CAMPANHAS E PARTIDOS É UMA MEDIDA BASTANTE DISCUTÍVEL, MAIS AINDA NESTE MOMENTO EM QUE OS PARTIDOS EM GERAL ATINGEM O AUGE DA FALTA DE CREDIBILIDADE.

PELO MOMENTO E PELA MANEIRA COMO ESTÁ SENDO APROVADO NO CONGRESSO NACIONAL, O FUNDO PARA FINANCIAMENTO DE CAMPANHA, FICOU PARECENDO UM GRANDE REMENDO COSTURADO NA ÚLTIMA HORA PELOS CACIQUES PARTIDÁRIOS, PARA GARANTIR A IRRIGAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS, NAS PRÓPRIAS CAMPANHAS ELEITORAIS EM 2018.
AS POLÊMICAS EM TORNO DO “FUNDÃO” COMEÇAM PELAS FONTES DE ONDE SERÃO EXTRAÍDOS OS RECURSOS PARA CONSTITUÍ-LO.

PARTE DE SUA COMPOSIÇÃO VIRÁ DA NÃO EXECUÇÃO DAS EMENDAS PARLAMENTARES, OUTRA PARTE DO HORÁRIO PARTIDÁRIO EM RÁDIO E TV NOS ANOS NÃO ELEITORAIS.
O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO CONTINUA.

MAS O QUE SÃO ESSAS EMENDAS PARLAMENTARES?
SÃO OS FAMOSOS RECURSOS QUE OS DEPUTADOS PASSAM DO ORÇAMENTO DA UNIÃO E DOS ESTADOS, PARA AS PREFEITURAS PODEREM COMPRAR EQUIPAMENTOS PARA SAÚDE, PARA CONSTRUIR CRECHES E ESCOLAS.

OS DEPUTADOS ALEGAM QUE ESSE DINHEIRO JÁ EXISTE,
REALMENTE ESSE DINHEIRO JÁ EXISTE E SERÁ DIMINUIDO EM 30%.

E QUAIS AS CONSEGUENCIAS DISSO?
VOCE QUE ESTA LENDO, TERÁ MENOS 30% DE SAUDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO, TRANSPORTE, ASFALTO E OUTRAS NECESSIDADES DA SUA CIDADE, PORQUE ESSE DINHEIRO IRÁ PARA FINANCIAR AS CAMPANHAS ELEITORAIS.

OS DEPUTADOS ALEGAM QUE O DINHEIRO É PÚBLICO.

AQUI TEMOS QUE LEMBRAR MARGARETH TACHER QUE DIZIA: “NÃO EXISTE DINHEIRO PÚBLICO, O DINHEIRO E DAS FAMÍLIAS”, OU SEJA, É UM DINHEIRO QUE SAIU DE SEU BOLSO, ATRAVÉS DOS IMPOSTOS QUE VOCE PAGA E QUE TODOS NOS PAGAMOS EM TODAS AS COMPRAS E ATÉ NAS CONTAS DE ÁGUA E LUZ.
OU SEJA, AS EMPRESAS FICARAM PROIBIDAS DE FAZER DOAÇÃO E QUEM PAGA A CONTA DAS CAMPANHAS ELEITORAIS AGORA É VOCE.

BOA TROCA NÃO?

quarta-feira, 19 de abril de 2017

UBER VERSUS TAXISTAS: OS INTERESSES (E MEDOS) DOS POLÍTICOS


Os deputados impuseram barreiras aos aplicativos de transporte de olho no voto dos taxistas. Mas a decisão, ao que tudo indica, não irá muito longe

Reza uma antiga lenda dos corredores do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas que o parlamentar que ousar contrariar os interesses de taxistas – categoria representada das capitais aos rincões do país – não se sustenta no cargo após uma eleição. Verdade ou não, fato é que o dito ainda assombra os políticos, conforme ficou bem claro durante a análise do projeto que regulamenta os aplicativos digitais de transporte, como Uber, 99 e Cabify.
A tramitação da matéria, criada em junho do ano passado, foi tão rápida quanto a formação de carreatas organizadas por taxistas na porta do Congresso. A categoria, unida e volumosa, via no texto a esperança de impor um entrave ao avanço explosivo de multinacionais em um setor historicamente dominado por ela.
O projeto inicial era a menina dos olhos dos taxistas. Desenhado pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP), secretário de Transportes de São Paulo durante a gestão de Marta Suplicy, o texto exigia que somente poderiam transportar passageiros individuais com fins remuneratórios aqueles que fossem fiscalizados e disciplinados pelo poder público, portassem um taxímetro físico e carregassem a tradicional placa luminosa com a palavra “táxi”. Sequer disfarçava o objetivo de enterrar a concorrência.
Sem seguir o rito tradicional dos projetos que passam pela Câmara dos Deputados, o texto aterrissou direto no plenário no fim do ano passado. Quase foi votado, mas prevaleceu a promessa que tentava equilibrar os interesses envolvidos: a proposta pegaria um atalho em uma comissão especial, onde todas as partes seriam ouvidas, antes de ir finalmente a voto. O rito acabou não sendo seguido. O projeto foi incluído na pauta do plenário na semana passada, às pressas.
O relator foi escolhido e anunciado momentos antes, após outros dois congressistas se recusarem a assumir a missão. Havia resistência em entrar em rota de colisão com algum dos lados – os taxistas, acompanhados da fama eleitoral, ou as novas plataformas, bem avaliadas pela opinião pública?
Nos bastidores, alardeou-se que as rodadas de negociação comandadas na Presidência da Câmara haviam resultado em um acordo entre representantes dos motoristas tradicionais e os dos que aderiram às novas tecnologias: o sistema de transporte por aplicativo ficaria autorizado, cabendo a cada município delimitar regras de funcionamento, como requisitos de acesso e o pagamento de tributos.
Se houve acordo, ele durou pouco. Na hora de votar, cada parlamentar mirou o próprio futuro político. Ligados aos sindicalistas, partidos de esquerda seguiram o apelo dos seus velhos cabos eleitorais, em número cada vez mais reduzido. À frente do projeto, o PT tenta se reconectar às categorias que o sustentaram em suas origens, mas que já não se sentiam mais representadas pelo partido. PSOL e PCdoB seguiram o mesmo caminho.
Pelas mesmas razões, outros congressistas voltaram-se às suas bases, a maioria delas localizada no interior, onde os serviços oferecidos pelos aplicativos ainda não chegaram. Há estados onde não há nem previsão para a chegada do Uber, por exemplo. Quase todos os parlamentares de Rondônia, por exemplo, optaram por dificultar um sistema que nem mesmo chegou à região.
Houve ainda os congressistas que, para não comprar briga com nenhum dos lados, nem apareceram para votar. Nada menos que 100 deputados fugiram do embate e não compareceram à sessão. Sabiam que a votação, conforme fora previamente acordado, aconteceria de forma nominal, de maneira que seus nomes e suas posições seriam amplamente divulgadas.
Como consequência da necessária regulamentação dos serviços como o Uber, o texto final resultou em um duro revés para os novos modelos digitais. Apesar da alta aceitação dessas ferramentas nas grandes capitais, a maioria dos deputados decidiu que, para circular, os veículos terão de incorporar ares de táxi, com placa diferenciada e concessão pública.
O resultado da votação foi festejado. Taxistas que lotavam as galerias do plenário e circulavam tranquilamente entre os parlamentares entoavam gritos como “Eu sou taxista, com muito orgulho, com muito amor” ao mesmo tempo em que abraçavam as excelências que os apoiaram – uma reverência cada vez mais rara no Parlamento, assolado por denúncias de corrupção.
Para o especialista em marketing político Carlos Manhanelli, a decisão pró-taxistas era esperada. “Os deputados trabalham por região, e não no estado todo. Agora ele vai virar para o taxista e falar: ‘Está vendo? Eu votei a seu favor. Agora é hora de trabalhar para mim’”, afirmou. “Quem forma opinião mesmo é o vendedor de quitanda, é quem trabalha nas farmácias, é o taxista ou é o cabeleireiro. Eles têm contato direto com a população e uma credibilidade que pode influenciar no voto.” A mesma condição, diz Manhanelli, não pode ser conferida aos motoristas de Uber e dos demais aplicativos, já que eles não se organizam em sindicatos nem têm uma liderança popular consolidada.
“As regiões nas quais não há essa inovação tecnológica tiveram um lobby ainda mais forte dos taxistas. A esquerda, de forma geral, perdeu a opinião pública e dedica-se a trabalhar para nichos, e o Congresso, acuado, começa a votar na defensiva. Os deputados estão tentando garantir a sua reeleição. Todo mundo tem medo de enfrentar corporação aqui”, afirmou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), o relator escolhido de última hora.
Após a esperada aprovação da matéria, deputados favoráveis aos taxistas – como Cabo Daciolo (PSOL-RJ), Laudívio Carvalho (SD-MG) e Carlos Zarattini (PT-SP) – desfrutam o estrelato nas páginas virtuais dos principais sindicatos do país. Dão entrevistas, são congratulados e também parabenizam a categoria pela “vitória”.
A festa dos taxistas, porém, pode não durar muito. Tudo indica que o texto aprovado pela Câmara não será mantido pelo Senado, por onde terá de passar antes de virar lei. O Palácio do Planalto, que tem poder de veto sobre o tema, também já sinalizou que não tem simpatia pelo modelo aprovado pelos deputados, e que gostaria de deixar a decisão de permitir ou não os serviços dos aplicativos a cargo de cada município. Enquanto isso, tudo continua como está – não há prazo nem para os senadores nem para o Planalto decidirem sobre a questão.
 
FONTE: http://veja.abril.com.br/politica/uber-versus-taxistas-os-interesses-e-medos-dos-politicos/
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

MARKETING POLÍTICO - No primeiro mês de mandato, João Doria tenta desviar atenção de promessas.

Comparado a Jânio, prefeito de São Paulo investe em ações baratas e de resultado rápido
O GLOBO
POR 
SÃO PAULO - Eleito sob o mote de "João Trabalhador", criado para atenuar a imagem de empresário milionário e elitista, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), dedicou seu primeiro mês de mandato a cumprir uma agenda popular e performática. Em sua "estreia" à frente da administração, se vestiu de gari. Desde então, em compromissos diários, inclusive nos fins de semana, já foi pedreiro, ciclista e até cadeirante, para testar a acessibilidade das calçadas. - Dinheiro, a gente não tem, mas a gente tem criatividade. E com criatividade a gente consegue fazer obras - disse ele nesta terça-feira, emendando: - Vamos continuar no mesmo ritmo. Vamos continuar nesse ritmo pelos quatro anos. Tenho trabalhado 16, 17 horas por dia, inclusive nos domingos. Eu e muitos secretários estamos no mesmo ritmo. Com dinheiro curto, Doria apostou em ações de visibilidade que dão resultados imediatos e exigem poucos investimentos, como o programa de zeladoria urbana batizado de "Cidade linda". Principal foco de sua gestão até agora, as ações tiveram ampla repercussão, mas a busca por um noticiário positivo não o livrou de polêmicas. Na mais recente delas, declarou verdadeira guerra aos pichadores na cidade: mais de 40 pessoas já foram detidas. Ele também decidiu apagar os murais da Avenida Vinte e Três de Maio desenhados há dois anos, o que incomodou artistas e urbanistas. Autorizadas pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) em 2015, as pinturas eram chamadas de "maior mural de grafite a céu aberto da América Latina". Após a repercussão negativa, o prefeito anunciou a criação de uma espécie de museu a céu aberto para abrigar grafites em diferentes pontos da cidade. Uma de suas promessas de campanha, o aumento da velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê virou alvo de disputa judicial. A pedido de uma associação de ciclistas, a Justiça barrou a mudança, sob o argumento de que traria riscos ao trânsito. Doria recorreu da decisão e conseguiu revertê-la. Para não aumentar a tarifa dos ônibus, outro compromisso eleitoral, o prefeito e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), seu padrinho político, elevaram o valor da integração entre ônibus e transporte sobre trilhos para acima da inflação. O caso também foi parar na Justiça, que barrou a medida em sucessivas decisões. Em sua estreia à frente da administração de São Paulo, João Doria varreu a Av. Paulista vestido de gari. Agenda popular e performática dá o tom do início de sua gestão. Uma das apostas de Doria é o programa de zeladoria urbana batizado de “Cidade linda” Ao lado do governador Geraldo Alckmin, Doria toma café em um bar próximo à prefeitura, após a assinatura do termo de repasse do Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS). O prefeito apostou em ações de visibilidade que dão resultados imediatos e exigem poucos investimentos. Doria se tornou alvo de protestos, após apagar grafites e pichações na Av. 23 de Maio, o que incomodou artistas e urbanistas. O governador Geraldo Alckmin, João Doria e Vice-Prefeito Bruno Covas participam da missa em celebração ao aniversário da cidade de São Paulo na Catedral da Sé. Ao lado do presidente Michel Temer, Doria vai ao ato Nacional em Memória às Vitimas do Holocausto. Doria ainda retirou um veto à apreensão de pertences de moradores de rua pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), decreto criado durante a gestão Haddad. À imprensa, disse que a determinação servia apenas para que a GCM pudesse acompanhar os trabalhos das secretarias de Direitos Humanos e Assistência Social, e que a retirada de objetos não iria acontecer. Formado em comunicação, Doria demonstrou que terá um cuidado especial com o marketing na sua gestão, seja para dar nomes curiosos aos programas - como o "Corujão da saúde" - ou na dedicação em alimentar as redes sociais. Em tempos de pouca verba para investir em publicidade, as plataformas digitais têm sido os principais canais de divulgação do prefeito. Na internet, ele conta como é comandar a maior cidade do país, e sua exposição tem rendido comentários positivos e sugestões. Especialista em marketing político, Carlos Manhanelli comparou a postura de Doria com a de Jânio Quadros, que também comandou a capital paulista na década de 1980: - Doria é a cópia fiel do Jânio, que também se fantasiava e foi um grande ícone da política brasileira. Como comunicador, ele sabe como chamar a atenção dos jornalistas e se apresentar. Durante a campanha, criou a imagem do herói, do grande empresário que viria para resolver os problemas, e essas ações (se vestir de gari, varrer a rua) humanizam o político. Para Carlos Melo, cientista político do Insper, Doria busca atrair a atenção para si e desviar o foco de promessas que não podem ser cumpridas ou que vão demorar a sair do papel: - Tem uma parte do eleitorado que é sensível ao espalhafato, ao prefeito vestido de pedreiro. Diante das primeiras dificuldades, ele vai criando fatos, tentando chamar a atenção para outras coisas. Isso é ruim do ponto de vista da maturidade política, institucional. O prefeito tem que administrar não limpar a praça. No primeiro mês de mandato, João Doria tenta desviar atenção de promessas.
 

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MARKETING POLÍTICO - COMUNICAÇÃO: A ESTRATÉGIA DE DÓRIA QUE DEU CERTO


Quem não se comunica, se trumbica!" Essas palavras do Chacrinha foram levadas muito a sério pelo prefeito de São Paulo, João Doria, e, segundo especialistas, têm mostrado resultado. É possível ver que a propaganda do “João Trabalhador”, como quer ser chamado, tem dado certo pela avaliação de eleitores na página pessoal do prefeito no Facebook.
Em tempos de pouco dinheiro para publicidade, as redes sociais do prefeito têm sido o principal canal de interação entre ele e o eleitorado. A média de publicações na página dele são de 25 por semana e costumam contar o dia no comando da maior da cidade do País. A exposição tem rendido a ele comentários positivos sobre o desempenho e sugestões sobre o que fazer.
Logo no primeiro dia de prefeito, Doria deixou claro que a sua estratégia é estar presente. No início da manhã do dia 2, o prefeito apareceu vestido de gari para limpar a rua em um mutirão de limpeza. No mesmo dia, ele prometeu que estaria nas ruas uma vez por semana nos próximos quatro anos.
A foto dele com o tradicional traje verde de gari já virou um símbolo nestes 17 dias de gestão. Com foco na comunicação, o prefeito também ganhou a mídia espontânea.
Balanço divulgado pela prefeitura mostra que, nas duas primeiras semanas, Doria fez 12 ações e programas. Todos amplamente divulgados nas redes sociais do prefeito.
O principal é o “Corujão da Saúde”, que já iniciou os atendimentos e realiza exames e reavaliação de pacientes. Foram credenciados 20 hospitais particulares para atender a população, entre eles os hospitais do Coração (HCor), Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz.
Entre os outros pontos positivos ressaltados estão o contato da Secretaria Municipal de Saúde com pacientes para acelerar a fila da espera por exames, a ação para eliminar pernilongos na região do Rio Pinheiros e o programa Cidade Linda.
Comunicação
Ao site Exame.com, o cientista político e especialista em marketing eleitoral Carlos Manhanelli resumiu: “Doria é um homem de mídia e sabe como chamar os jornalistas e se apresentar”. O especialista afirmou ainda que em comunicação política não adianta fazer um mandato muito bonito e não falar o que está fazendo.
“O Haddad achou que fazendo uma cidade mais humana, com ciclovias e ruas abertas, e as pessoas iam reconhecer. Se nem ele divulgou e deu o devido valor, por que o cidadão daria?”, diz o cientista político.
O cientista político e professor no curso de Administração Pública e Governo na FGV/SP, Francisco Fonseca também atestou em 2014 que ex-prefeito Fernando Haddad não soube fazer um bom trabalho de comunicação em um artigo chamado Os grandes e pouco divulgados avanços do governo Haddad”. Depois de listar uma série de melhorias que o petista promoveu na capital, ele destacou a lacuna:
“Falta, contudo, ao Governo Haddad, melhorar significativamente sua comunicação com a população – por meios diversos, sobretudo os populares –, saindo do cerco elitista dos privilegiados que querem a priorização do automóvel individual, o baixo valor de seus IPTUs nos bairros de classe média alta e a cidade voltada aos negócios, ao capital e ao consumo. A batalha da comunicação é uma batalha política, tal como as analisadas aqui”.
Crítica
A estratégia de Doria, entretanto, esbarra em críticas. Em artigo publicado no HuffPost Brasil, a vereadora Sâmia Bonfim (PSol) afirma que o marketing do prefeito não se sustenta. "O povo tem anseios e necessidades urgentes, que não serão resolvidas enquanto a prioridade da prefeitura for posar para fotos. No malabarismo para aparentar ser trabalhador, Doria distancia de sua agenda qualquer compromisso real com o interesse social", argumenta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

DORIA, O SHOWMAN




Essa matéria foi publicada no app EXAME Hoje, da revista EXAME, e segue abaixo na íntegra.
O app está disponível na Google Play e App Store.

7/01/2017 07:01 Raphael Martins


Nem havia amanhecido na segunda-feira 2 quando o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), chegou à Avenida Nove de Julho, no centro da cidade, para ajudar em um mutirão de limpeza e varrer o meio fio. Não se tratava de filantropia. O tucano anunciou sua ida ao local dias antes, convocando jornalistas a pularem da cama antes das 6 horas da manhã para o primeiro ato de seu governo. Surgiu para a multidão de fotógrafos devidamente trajado com o uniforme de gari da capital e sapatênis da grife Osklen — cujo preço (500 reais) é cerca de metade do salário mensal dos funcionários. Doria apareceu ao lado de secretários, varreu a calçada por dez segundos, foi à padaria tomar um pingado e cumprimentar eleitores. Finalizada a ação, partiu para a prefeitura com sorriso no rosto: a inauguração do programa Cidade Linda, que montará semanalmente mutirões de zeladoria para os grandes eixos da cidade, havia sido um sucesso.

O prefeito autointitulado “não político” mostrou, na primeira semana no cargo, o que deve ser uma tônica de seu governo: comunicação e marketing afiados. Doria tem longa experiência em comunicação à frente do Grupo Doria, que, além de uma editora de revistas e consultoria de marketing, faz eventos com grandes empresários. Nestes eventos, ele é conhecido por cuidar de detalhes, da vestimenta dos convidados ao lugar em que cada convidado vai sentar. “Tenho duas calças brancas, e só uso para cumprir o figurino dos eventos dele”, diz um conselheiro de grandes empresas. Doria acumula também experiência como jornalista, quando apresentava o programa Show Business, na TV, Bandeirantes. Isso faz com que, nas aparições na TV, esteja sempre no melhor ângulo, olhando diretamente para a câmera.

O resultado da primeira ação no cargo? As imagens e fotos da varrição ficaram ótimas, como se vê no topo da página. Segundo Doria essa é “uma demonstração de igualdade, humilde e trabalho”, mas há quem discorde. ““Dá para ver que a cidade pode se tornar palco para o exibicionismo do tucano, que vendeu inovação durante a campanha, mas não deu um passo longe da velha política”, afirmou o vereador de oposição Toninho Vespoli (PSOL), na segunda.

Doria promete que essa não será a única vez que vai às ruas. Um calendário de ações do Cidade Linda foi montado, passando por eixos como as avenidas Paulista, 23 de Maio e Tiradentes. “Todas as semanas em quatro anos [estarei lá]. E olha, acordem cedo, hein?”, disse o prefeito.

A lista de eventos e ações continuou. Mais tarde na segunda, anunciou suas primeiras medidas de corte de gastos numa concorrida coletiva. Determinou redução de 15% dos valores de contratos de empresas com a prefeitura, leilão de 1.300 veículos oficiais para gerar caixa, redução de 30% dos cargos comissionados e a alocação de um “gestor de economia” em cada uma das secretarias da prefeitura, para estruturar cortes nas contas de água, luz, telefone e outros.

Parece uma agenda negativa, mas Doria tratou de inverter o jogo. “A crise pela qual passa o país gerou um apelo de marketing sobre a produtividade e a eficiência da gestão estatal”, afirma Fábio Klein, especialista em contas públicas da Tendências Consultoria. “Ganhou força o discurso de gerir com mais eficácia o setor público”. Na quarta, houve coletiva sobre a gestão do Theatro Municipal, marcado no ano passado por um esquema de corrupção na administração interna, e o anúncio de multa para os secretários atrasados para reuniões. Na quinta, o prefeito inaugurou um novo sistema de iluminação na Ponte Estaiada, cartão-postal da cidade, junto com uma grande limpeza das pichações.

O estilo frenético gerou comparações com um velho antecessor: Jânio Quadros, que governou a cidade em dois períodos, de 1953 a 1955 e 1986 a 1989. Sua caracterização como gari em muito se assemelha às performances do ex-prefeito, conhecido por sacar um bloco de multas e aplicar autuações de trânsito pessoalmente. A própria vassoura virou símbolo de Jânio, que pretendia faxinar os corruptos. “Doria é um homem de mídia e sabe como chamar os jornalistas e se apresentar”, explica Carlos Manhanelli, cientista político especialista em marketing eleitoral.

Antecessor de Doria, Fernando Haddad (PT) nunca foi próximo da mídia. As três conquistas de seu mandato segundo sua própria avaliação, como a renegociação da dívida do município, a obtenção de grau de investimento e a criação da Controladoria do Município foram ressaltadas aquém do que deveriam. “Em comunicação política não adianta fazer um mandato muito bonito e não falar o que está fazendo. O Haddad achou que fazendo uma cidade mais humana, com ciclovias e ruas abertas, e as pessoas iam reconhecer. Se nem ele divulgou e deu o devido valor, porque o cidadão daria?”, diz Manhanelli.

Na campanha eleitoral, Haddad atribuiu as más avaliações ao fato de cortar gastos com publicidade. De fato, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) entregou a cidade em 2012 gastando 162,8 milhões de reais nas verbas de publicidade. Haddad cortou o investimento para 121,5 milhões em 2013, reduzindo aos poucos até 70,5 milhões de reais, em 2015. Mas o segredo de Doria está na mídia espontânea. Nos primeiros dias de mandato, quando qualquer passo é monitorado, o prefeito se aproveita do holofote para mostrar que está se mexendo, mesmo que os efeitos práticos na agenda da cidade não sejam os mais urgentes.

Ganhar espaço com mídia espontânea é fenômeno também em outros países. Donald Trump aposta em seu Twitter, onde disparou —e ainda dispara— ataques a adversários e dá sua opinião sobre episódios de política externa. Cada tweet, uma machete. O ex-prefeito de Londres Boris Johnson é outro exemplo. A seu estilo falastrão e de humor questionável nas declarações, foi o líder da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Com a popularidade que ganhou, chegou a ser cogitado para primeiro-ministro. Assim como Doria, era jornalista e foi intensamente questionado se tinha capacidade de governar. Virou chanceler.

Para Doria, os perigos são dois. O mais simples é o desgaste que as medidas tomadas venham a sofrer. O exemplo mais claro é o aumento de velocidade das marginais Tietê e Pinheiros. Estudos mostraram durante o final do mandato passado que a redução determinada por Haddad reduziu além da média nacional o número de mortes no trânsito. Caso acidentes fatais voltem a acontecer, Doria será pessoalmente cobrado. O segundo é que se, com o passar do tempo, os eleitores notarem pouca ou nenhuma melhoria nos problemas estruturais da cidade, sua popularidade e apoio devem despencar.

“O eleitor escolhe o candidato e tem uma certa paciência por um tempo. Há um estoque de credibilidade, com prazo para entregar algum resultado. Essa paciência costuma durar 100 dias”, afirma Victor Trujillo, especialista em marketing político da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Ao final do período já deu para pôr a casa em ordem. Se as ações de agora vão ser eficazes, resta saber se a longo prazo vão de fato empolgar o eleitorado para estar do lado dele e motivar os servidores, criando um círculo virtuoso”.

Diz Trujillo que, por enquanto, o eleitor se satisfaz apenas em ver o prefeito tomando atitudes, mesmo que simples. “Ver algo se materializar, alguma novidade, balançar a poeira, já é bastante positivo”, diz. “Para se conectar com eleitor é muito produtivo, independentemente de ser eficaz e traduzir em algo positivo ou um tiro no pé lá na frente”. Segundo o professor, trata-se de um trailer do filme, um pequeno teaser para gerar interesse da população.

Em geral, os aliados comemoram a postura do novo prefeito. “Doria confirma um estilo diferente de relação do político com a sociedade, que o torna bem mais interessante para a mídia”, diz um tucano. A percepção geral dentro do partido é de que o mandato começou com “dinamismo pragmatismo, muita vontade de fazer as coisas”, diz outro dirigente do partido.

Mas, claro, há narizes torcidos. “Se aparece vestido de gari ou de odalisca, o que importa é o resultado da prática. Eu não faria esse show. Teria uma postura mais séria”, diz Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo e vice-presidente do PSDB. Há também relações que azedaram. Um dos grandes apoiadores de Doria foi o vereador e presidente do diretório municipal do PSDB, Mario Covas Neto. O Zuzinha, como é conhecido, buscou apoio do prefeito para ser presidente da Câmara Municipal em troca do suporte dado a ele nas prévias para a eleição de 2016. Viu o barco afundar quando Doria anunciou apoio a Milton Leite (DEM), que acabou eleito com 50 dos 55 votos. Hoje, a dupla mal se fala.

Apesar de alguns conflitos, o “não político” Doria pode usar também o poder do marketing para dominar também a Câmara e aprovar suas medidas. Os vereadores chegam no íntimo de pequenos redutos eleitorais na cidade, quase na casa do seu eleitor. Se a aprovação pública for crescendo, a Câmara tende a perceber de perto a pressão — algo que acontece menos com a Câmara dos Deputados, isolada em Brasília. “Nenhum vereador vai virar as costas para o prefeito se a comunidade que lhe dá sustentação está favorável”, diz Trujillo, da ESPM. Para Goldman, se o show vai vir seguido de um bom governo, ou se é só uma tentativa de cobrir futuras ineficiências, só o tempo vai dizer. Faltam 1.453 dias de governo Doria.