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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

QUEM SERÁ BENEFICIADO SE LULA NÃO FOR CANDIDATO?


Num primeiro momento, candidatos de outros partidos de esquerda mais conhecidos do eleitor, como Marina Silva e Ciro Gomes, tendem a ser beneficiados. Mas o ex-presidente tem grande capital político e seu possível substituto no PT tende a crescer assim que Lula começar a pedir votos para ele na campanha


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao que tudo indica, não irá disputar a eleição presidencial em 2018, a menos que consiga reverter em tribunais superiores sua inegibilidade decorrente da condenação pelo TRF da 4.ª Região, a segunda instância da Lava Jato.

A possibilidade de uma eleição sem o petista levanta uma grande dúvida: quem irá herdar os 53 milhões de votos que hoje seriam de Lula?

A dinâmica da política impede uma resposta definitiva para a questão. Contudo, a última pesquisa eleitoral do Instituto Datafolha, confere 36% das intenções de voto ao petista, e a análise de especialistas dão algumas pistas do que pode ocorrer.

Se Lula desistir da candidatura, num primeiro momento a tendência é de que sejam beneficiados os candidatos de outros partidos de esquerda, mais conhecidos que o possível substituto de Lula no PT. Mas, durante a campanha eleitoral, a partir do momento em que o ex-presidente começar a pedir votos para o petista que irá substituí-lo, esse candidato tende a subir.

Apenas para lembrar, Lula tinha 83% de aprovação de seu mandato e seu apoio a Dilma levou a candidata a ter apenas 53% dos votos.

O Datafolha indicou que há dois candidatos que mais ganham se Lula deixar a disputa: a ex-senadora Marina Silva e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes .

Ambos são de partidos mais à esquerda. E Marina, além disso, já foi filiada ao PT e fez parte do governo Lula como ministra do Meio Ambiente.

Nos cenários em que o Lula foi colocado como candidato, o melhor desempenho de Marina foi de 11% das intenções de voto. Sem Lula, ela saltou para até 17% – um acréscimo de 6 pontos porcentuais. É o mesmo crescimento do ex-governador do Ceará Ciro Gomes: seu melhor desempenho com Lula é de 7%; sem o ex-presidente, vai para 13%. Nas simulações sem Lula, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, colocado pelo Datafolha como o nome do PT, só chegou aos 3%.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MARKETING POLITICO - DILMA, A EX-GUERRILHEIRA, ACORDA PARA LUTAR CONTRA IMPEACHMENT

BLOOMBERG
Por Raymond Colitt e André Soliani.

Durante boa parte deste ano, enquanto o Brasil mergulhava em uma crise econômica e política, a presidente Dilma Rousseff parecia acuada em seu bunker. Ela raramente deixava o Palácio do Planalto e preferia se debruçar sobre os relatórios de infraestrutura, focando no lado técnico das medidas de austeridade.
Mas nos últimos meses, à medida que os esforços da oposição para cassá-la ganharam impulso, algo visivelmente mudou. Dilma, uma ex-guerrilheira urbana que não cedeu nem sob tortura prolongada, saiu de seu estado de paralisia. Com a crise se aproximando, ela reagiu e avisou que não será fácil tirá-la do poder
“Eu não vou renunciar”, disse ela ao jornal Folha de S.Paulo, em julho. “Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso”.

Explosiva de novo
Desde então, Dilma intensificou suas aparições públicas, negociou apoio pessoalmente com parlamentares, reorganizou seu ministério e fez algumas das defesas mais enfáticas do seu governo. Seu famoso temperamento voltou e ela passou a explodir com assessores por atrasos ou falhas, segundo um funcionário próximo a ela que pediu anonimato.
A tenacidade que levou Dilma, 67 anos, a lutar contra a ditadura militar quando jovem agora faz com que ela se agarre ao poder com uma notável serenidade. Isso apesar da expectativa de que o Brasil entrará na mais longa crise econômica desde a Grande Depressão, dos índices de aprovação mais baixos já enfrentados por um presidente e das acusações de que ela financiou sua campanha eleitoral ilegalmente e usou truques contábeis para encobrir os números do orçamento.
“Ela não acha que fez nada de errado e a renúncia, para ela, seria a admissão de uma culpa que ela não tem”, disse João Augusto de Castro Neves, diretor da consultoria de risco político Eurasia Group para a América Latina. “Ela irá até o fim”.
Em apenas dois dias da semana passada ela compareceu a tantos eventos públicos quanto em alguns meses do início do ano. Após ser criticada por ignorar as celebrações do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, para evitar possíveis vaias, ela proferiu um de seus discursos mais inflamados em 13 de outubro, durante evento da Central Única dos Trabalhadores, principal confederação sindical do Brasil.
“Eu me insurjo contra o golpismo e suas ações conspiratórias e não temo seus defensores”, disse Dilma para a multidão de sindicalistas que a aplaudia em São Paulo. “Pergunto com toda a franqueza: quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”.

Tentativas de golpe
Seu argumento é uma referência indireta às acusações que pesam contra alguns de seus rivais. Mais de um quarto dos deputados federais enfrenta processos criminais ou investigações no Supremo Tribunal Federal, segundo o Congresso em Foco, publicação especializada em notícias legislativas.
Os ataques a Dilma não resgataram apenas seu espírito de luta. Eles também parecem tê-la reanimado. Ela continua em uma dieta rigorosa que já a fez perder 15 quilos e pedala pelas ruas de Brasília quase todos os dias pela manhã. Ela pode estar sob pressão, mas poucas vezes teve uma aparência melhor ou mais saudável.
Dilma tem histórico de dar a volta por cima quando as coisas ficam difíceis. Um ano depois de enfrentar o tratamento de um linfoma, ela ganhou a eleição presidencial em 2010. Seu pai era um imigrante búlgaro bem-sucedido e ela cresceu com uma vida relativamente confortável, cercada de livros. Quando ainda era estudante secundarista, ela se uniu ao movimento armado na luta contra a ditadura. Esses grupos clandestinos executaram roubos a bancos e sequestros de políticos como parte de um plano para derrubar o regime militar.
Após sua detenção e o que ela disse ter sido uma “tortura barbárica” durante cerca de três anos de prisão, Dilma se formou em economia e iniciou uma longa carreira no serviço público em empregos tradicionalmente ocupados por homens, como o de secretária municipal da Fazenda, ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Indagada sobre sua imagem de dama de ferro, ela disse certa vez, com um humor atípico: “É verdade: sou uma mulher dura cercada de homens meigos”.
Não está claro se essa mudança de última hora será suficiente para salvá-la. Proferir discursos em eventos de sindicatos e inaugurar casas para a população de baixa renda poderá ajudar a aumentar um pouco seu índice de aprovação, mas não muda o quadro geral, diz Carlos Manhanelli, consultor de marketing eleitoral em São Paulo. Ela continua sendo uma tecnocrata com dificuldades para recolocar a economia nos trilhos, disse ele.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MARKETING POLITICO - CENÁRIO ATUAL É FAVORÁVEL À OPOSIÇÃO

JORNAL O TEMPO
Guilherme Reis

Na última pesquisa MDA/CNT, a presidente Dilma alcançou avaliação negativa de 70,9% dos entrevistados.

Em 1999, mesmo que em menores proporções, o Brasil passou por uma crise de desvalorização do Real durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Apesar de a turbulência não ter implicado em rupturas bruscas, o eleitorado, envolto pelo desemprego, avaliou negativamente o governo e elegeu o principal rival de FHC: o petista Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

No término de oito anos de mandato, Fernando Henrique teve sua pior taxa de aprovação popular: 34% das pessoas questionadas pelo Datafolha, realizado em 2002, acreditavam que o país estava pior.
Na última pesquisa MDA/CNT, a presidente Dilma alcançou avaliação negativa de 70,9% dos entrevistados. É a maior reprovação de um presidente desde a redemocratização, o que torna o cenário favorável à oposição. O cientista e consultor político Carlos Manhanelli explica que o descontentamento alimenta o eleitor a tomar um rumo diferente nas urnas. “O modelo econômico e o gerenciamento governamental de um presidente acabam se saturando e abrindo portas para novas lideranças”, avalia. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

MARKETING POLÍTICO - A Era Vargas e a Era PT

Cenários econômico e político acirrados se repetem mais de 50 anos depois

Jornal do Brasil

As recentes declarações do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), sobre a campanha negativa pela qual passa a presidente Dilma Rousseff voltaram a suscitar comparações entre o contexto atual com o do presidente Getúlio Vargas, primeiro com a crise econômica decorrente da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e depois com a crise política.
No Congresso, em homenagem aos 61 anos da morte de Vargas, Dias relacionou a “campanha difamatória” do ex-presidente à sofrida por João Goulart, Leonel Brizola e a presidente Dilma, “uma campanha intensiva de tantos quantos querem impedir que o Brasil avance, se democratize”, discursou o ministro pedetista, acrescentando que “mudam os atores, mas o cenário é o mesmo”.
Especialista em marketing político que já participou de mais de 200 campanhas eleitorais, Carlos Manhanelli reitera que, mesmo na economia, o cenário é similar e que mudam apenas os atores sociais.  Segundo ele, troca-se os Estados Unidos de 1929, que deu fôlego à crise do café, pela China de agora, que preocupa o cenário mundial, tal como ocorreu com a quebra da Bolsa de Nova York.
“Agora, tal como ocorreu com a bolsa de Nova York arrebentando o Brasil, uma crise externa atinge o país. Tal como em 29, a crise prejudicou o mundo inteiro, e não só o Brasil. A China, agora, é a grande capitã da nau do mercado mundial e o timão está nas mãos dela. O mundo está alerta porque ele está escorregando”, analisa Manhanelli.
A única diferença, segundo o analista político, é a forma como o remédio para o problema é apresentado. “A doença da crise econômica é a mesma, com a diferença de que em Vargas havia a imposição do remédio, enquanto na democracia de Dilma Rousseff ela precisa provar para a população que esse remédio não fará mal”, compara.
Tal como no cenário getulista, em que a crise do café afetou, sobretudo, a elite paulista e o presidente fez oposição à política do café com leite (a alternância de poderes entre as oligarquias São Paulo e Minas Gerais), as dificuldades econômicas de agora deterioram a popularidade da petista, com mais força em São Paulo, reduto dos tucanos, e com sede em Minas Gerais, ninho do senador Aécio Neves (PSDB), algoz de Dilma nas eleições e um dos principais defensores da deposição da presidente.
Para o cientista político Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), a ideia de impeachment, levada como ameaça e chantagem, é o elemento de similitude entre as duas figuras políticas. Tanto no caso da petista quanto do trabalhista, a crise política se acirra no segundo governo – no segundo mandato de Dilma e no chamado segundo período varguista, quando o presidente é eleito por voto direto.
“Há semelhanças, sim. O que muda é o contexto histórico: Vargas estava numa luta ideológica para que se implantasse um governo sindicalista e a direita estava mais organizada. Há, hoje, um colapso das instituições – dos partidos, do Congresso – e não há perspectiva para a direita, porque ela sequer consegue apontar uma saída, no caso de um impeachment da Dilma”, analisa Fornazieri.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

DILMA RELEMBRA A ERA DO RÁDIO


Como Franklin Roosevelt, Dilma aposta nas emissoras de rádio para se aproximar da população - e reverter a queda na popularidade


O rádio continua sendo um meio de comunicação popular no Brasil, apesar do avanço da tecnologia e da internet. Mas vinha sendo ignorado por Dilma Rousseff. Nos dois primeiros anos de mandato, ela limitara-se a gravar o programa oficial semanal da Presidência, que vai ao ar às segundas-feiras. Entrevistas? Nenhuma. Em 2013, só tinha topado duas. Aí vieram os protestos de junho, Dilma caiu nas pesquisas e foi obrigada a se repensar. E inaugurou uma espécie de “era do rádio” em sua comunicação.

Durante o mês de agosto, a presidenta concedeu 15 entrevistas, considerando todo o tipo de veículo atendido (jornais, tevês etc). Sete delas - ou seja, praticamente a metade - foram exclusivas para rádios, com treze emissoras contempladas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Brasil exporta marketing político para presidenciais de Angola

Entrevista ao Jornal Alemão WD a voz da Alemanha.

O especialista em marketing político Carlos Manhanelli tem 38 anos de experiência no setor, fala sobre o funcionamento dessa ferramenta eleitoral e conta detalhes de como o recurso pode mudar um candidato.



Angola se prepara para eleições diretas marcadas, inicialmente, para o mês de setembro. A população poderá eleger seus deputados diretamente e o presidente, de forma indireta. A partir de uma reforma na constituição, aprovada em 2010, o primeiro nome da lista partidária mais votada nas eleições parlamentares se torna o presidente do país, sem a necessidade de uma eleição presidencial direta.


O MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), partido da situação, já anunciou José Eduardo dos Santos, que preside Angola desde 1979, como cabeça de chapa. A Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), principal partido da oposição, ainda não oficializou um nome.


Os partidos devem apostar em estratégias profissionais de marketing político para vencer a corrida das urnas e, nesse campo, haverá uma participação brasileira.


A repetir o que já havia feito em 2008, o presidente José Eduardo dos Santos chamou marqueteiros experientes para reforçar sua campanha. Na primeira vez, veio Duda Mendonça e, agora, João Santana e Wagner de Morais.


Os profissionais que têm no currículo campanhas do ex-presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva e da atual presidente, Dilma Roussef, vão integrar a equipe de trabalho do MPLA.


A figura de Lula e o medo


Especialista em marketing político com 16 livros publicados sobre o tema, Carlos Manhanelli é presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, acompanhou as mudanças que os profissionais de marketing podem fazer nos rumos de uma campanha e cita o exemplo do ex-presidente brasileiro Lula.


De acordo com Manhanelli, o grande problema de Lula era o medo que as pessoas tinham de votar nele. “Por que a figura do Lula era um arquétipo da figura Che Guevara”.


O especialista explica que, quando Duda Mendonça, profissional de marketing conhecido no Brasil, entrou em cena, ele percebeu que o medo era derivado da figura de Lula e não da história do político. “A história do Lula é o que todo mundo queria do presidente da República, mas a figura do Lula ultrapassava”, acrescenta.


Diante da mudança, a avaliação é de que o eleitor entendeu que quem estava pedindo a oportunidade, então, era um novo Lula: “O Lula conciliador, capaz de conciliar os interesses nacionais com uma visão social e aí ele se elege  presidente da República”.


"Marquetologia"


Carlos Manhanelli chama os marqueiteiros de marquetólogos, pois entende que é preciso conhecimento para colocar em prática ações determinantes para o sucesso eleitoral.


Ele explica que o eleitor percebe praticamente quatro tipos de imagens, ou arquétipos dos candidatos durante uma campanha e ela precisa ser adequada a necessidade do momento para aumentar as chances de sucesso. “O político tem que ser ou o herói, ou o líder charme, ou o pai de todos ou o homem simples”.


Por isso, durante a campanha da atual presidente do Brasil, Dilma Roussef, a própria candidata passou por uma reestruturação da imagem, mudando cabelo, óculos, suavizando as expressões com cirurgia plástica, mudando a forma de gesticular e a entonação da voz.


Como ministra da Casa Civil (o equivalente ao cargo de primeiro-ministro em vários países, como Portugal), cargo que ocupou durante o governo Lula, Dilma Roussef desempenhava, na avalizão do especialista, o papel da heroína.


No entanto, quando partiu para a corrida eleitoral, essa não era a figura pela qual o povo ansiava. “A Dilma era a grande gerente, aquela resolvia todos os problemas”.


No entanto, para dar continuidade ao trabalho de Lula, que contava com uma grande aprovação nas pesquisas, era preciso oferecer a figura da grande mãe e não da gerente. “Transformam a Dilma, tudo é transformado para colaborar com essa imagem de mãe, aquela que vai dar sequência à visão social implantada pelo homem simples, que era Lula”.


Marketing brasileiro é produto de exportação


Na avaliação do especialista, os profissionais contratados pelo presidente angolano são tarimbados e experientes. “O João Santana, principalmente, é um profissional que está há muito tempo no mercado, fez várias campanhas, tem uma experiência, uma bagagem de prática que é muito grande em campanhas eleitorais e aplica verdadeiramente o marketing político eleitoral”, comenta. Ele diz ainda que a técnica das quatro imagens é perceptível na no trabalho de João Santana.


O presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos conta ainda que não é de hoje que profissionais brasileiros têm sido chamados para campanhas no exterior e desde a década de 80 têm atuado na Argentina, México, Colômbia e outros países da America Latina. “O marketing político no Brasil se tornou um produto de exportação”.


Em 38 anos de experiência no setor, Carlos Manhanelli, que também é professor de assessoramento de imagem e consultoria política na Universidade de Salamanca, na Espanha, explica que o marketing político é uma ferramenta moderna que veio para substituir as antigas práticas de coronelismo, quando o voto era imposto por uma determinada liderança local.


“O marketing eleitoral, como arma democrática, substitui esses coronéis que, através da imposição, faziam a política antigamente. Então, na realidade, o marketing eleitoral se torna uma arma democrática para levar a comunicação entre o candidato e os seus eleitores”.


Quem vota decide os rumos do país


E em Angola, os profissionais brasileiros vão encontrar um terreno fértil. O presidente José Eduardo dos Santos tem a maior margem de rejeição em uma pesquisa feita pelo instituto Gallup em 34 países da África Subsaariana. São 78% de eleitores descontentes contra 16% que aprovam o seu governo. Ferramentas eleitorais à parte, Carlos Manhanelli deixa claro, porém, que quem vota é quem decide os rumos do país.


Manhanelli já esteve na África como observador eleitoral e entende o cenário africano, como um todo, como muito parecido com o Brasil no período logo depois da ditadura. Isso quer dizer um panorama que reflete a recuperação da liberdade a ser exercida por meio do voto. “A grande abertura e a conscientização de um povo que ele tem direito e não só obrigações que é o que a ditadura impõe”.


Em sua avaliação, países como Angola e Moçambique estão aumentando sua percepção de democracia e o povo, com mais consciência de seu papel no processo, pode mudar os rumos da política. “Eu acredito que, através desse processo democrático, dessa abertura que Angola está dando para essa eleição que, vamos chamar de direta, embora seja indireta porque são eleitos os deputados, o povo possa perceber que ele tem algum poder para colocar as pessoas que ele quer colocar ou lá, no caso, os partidos que ele quer colocar no poder”.


Para Manhanelli, o mais importante, porém, é ter em mente que “quem constrói a democracia de um país é o seu povo”.

OUÇA ENTREVISTA NO SITEhttp://www.dw.de/dw/article/0,,15949509,00.html



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Base partidária continuará pautando ocupação de cargos




DCI – Diário Comercio Industria
06/02/12 - 00:00 > POLÍTICA

são paulo - Mesmo que passe a contar como item de uma proposta de reforma política, a substituição de cargos em todos os níveis de governo sempre foi e permanecerá sendo pautada pelos partidos que mantém a base de sustentação. A observação é de cientistas políticos ouvidos pelo DCI."Propor uma
mudança dessas no Brasil é impossível", afirma Carlos Manhanelli completando que "uma vez que a ocupação de cargos se dá pela via de quadros técnicos que são indicados pelos partidos, embora essa regra não seja tão rígida", comenta o professor de marketing político da Universidade de Salamanca (Espanha) e integrante da Manhanelli Associados. Ele aponta que distorções a essa fórmula acontecem com muita frequência lembrando que na falta de perfil técnico na base, o PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, indicou o ex-governador José Serra para o Ministério da Saúde. "Todos nós sabemos que o Serra não é médico e mesmo assim ele ocupou o Ministério da Saúde", prossegue Manhanelli que, a seguir, minimiza críticas à presidente Dilma Rousseff. "Também não se pode condenar a presidente Dilma pela composição do ministério dela. O Mercadante não tem perfil de educador para a pasta de Educação. Esse arranjo obedece fundamentalmente a critérios políticos e isso é histórico. Todos os governos fazem isso", conclui.Preconceito. Já o consultor de marketing político, Chico Santa Rita, entende que não colocar quadros partidários em cargos de todos os escalões seria um preconceito. "Eu vejo como um preconceito, uma discriminação até não colocar deputado em cargo no primeiro escalão. Porque, se você coloca um deputado federal num ministério, por exemplo, o suplente pode não ser do mesmo partido, mas será da mesma coligação do titular, o que sugere que sua atuação não será diferente da linha política do eleito. O Legislativo não teria prejuízo com isso. E se o deputado fizer um bom trabalho como ministro, ganha também o governo federal", avalia Chico Santa Rita. Outros pontosSanta Rita acrescenta que é um "defensor brutal" da reforma política e sugeriu que a lei eleitoral é pautada pelo Judiciário. "A nossa legislação eleitoral é uma colcha de retalhos sem qualquer organização e vive dando margem a novas jurisprudências. A justiça sempre tem a última palavra e esse é um ponto que precisa ser atacado por uma reforma política", aponta. Outro item lembrado por Chico Santa Rita é a promiscuidade presente no Executivo que redunda no privilégio a quadros partidários. "Uma reforma política deveria criar um mecanismo para impedir a promiscuidade que privilegia 'amigos' do partido que criam estruturas corruptas nos governos. Isso sempre teve no Brasil, é verdade, mas cresceu de forma exagerada nos governos do Partido dos Trabalhadores. Nunca se viu tanto escândalo protagonizado pelo primeiro escalão como agora", encerra.

http://www.dci.com.br/Base-partidaria-continuara-pautando-ocupacao-de-cargos-5-409358.html




quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Liturgia da queda: o 'jeito mineiro' de Dilma demitir

Em todas as crises, presidente agiu para que os próprios acusados pedissem demissão. Estratégia evita que sua imagem seja atingida, dizem especialistas

Veja

26/10/2011 - 21:27

Adriana Caitano


Os mineiros costumam dizer que o pior inconveniente é melhor que a melhor das brigas. A frase, lembrada pelo cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Octaciano Nogueira, ajuda a entender o comportamento da presidente Dilma Rousseff nas sucessivas crises que enfrenta desde que assumiu o governo, no início de 2011. Para evitar arranhões em sua imagem, ela seguiu o mesmo ritual na queda dos cinco ministros defenestrados por envolvimento em escândalos: no lugar de demitir, agiu nos bastidores para que o próprio alvo pedisse para sair. Uma liturgia que a livra de sujar as próprias mãos.
Dilma não tem nenhuma experiência como governante e ainda está aprendendo a lidar com a rotina de ocupar o posto mais importante do Executivo. Mas conta com a história a seu favor. No extenso anedotário político brasileiro, políticos como Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves (por acaso também mineiros) adotaram um estilo peculiar de gerenciamento de crise. “Os mineiros não são de confrontar, são de conciliar, não querem arestas, sempre entendimento”, comenta. “Quando você demite alguém, mesmo que involuntariamente se cria um conflito, então o cerimonial para enterrar uma carreira política é manter a pessoa em fogo brando para que ela se sinta na obrigação de abandonar o posto.”
O especialista em marketing político e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, reforça a tese de Nogueira relatando uma história que diz ter ouvido de Tancredo Neves, quando governador de Minas Gerais. Segundo ele, antes de o mineiro tomar posse, um homem começou a avisar aos jornais que seria convidado para ser o secretário de Fazenda.
Quando Tancredo assumiu, ele disse que ficaria chato se não fosse indicado para o cargo, já que todos os jornais diziam que isso aconteceria. “A resposta do governador foi simples: ‘Então anuncie no jornal que eu te convidei e você não aceitou’, disse, demonstrando que o governador ou presidente sempre tem que ser preservado”, diz o especialista.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

AFAGO DE GOVERNADORES DA OPOSIÇÃO A DILMA É INSTITUCIONAL



DCI – DIÁRIO COMERCIO E INDUSTRIA
22/08/11 - 00:00 > POLÍTICA
Aderson Passos


São Paulo - A receptividade dos governadores tucanos Geraldo Alckmin (SP) e Antonio Anastasia (MG) à presidente Dilma Rousseff, verificada no lançamento do Pacto Sudeste do plano Brasil Sem Miséria na semana passada, em São Paulo, tem apenas um caráter institucional. A avaliação é do analista político Carlos Manhanelli. - "Há entre governadores e o Executivo federal uma relação de dependência. Os governos estaduais precisam de dinheiro federal para cumprir as promessas de campanha. E uma relação institucional acidentada não contribui para a vinda de recursos. Essa relação faz parte do jogo", resume o consultor.

O diretor da Manhanelli Associados, especializada em marketing político, completa ainda que os afagos de Dilma à oposição não terão força suficiente para afogar a pretensão de PSDB, DEM e PPS de instalar uma CPI no Congresso para investigar irregularidades nos ministérios.

"A relação com o Congresso é diferente porque os legisladores só dependem de emendas parlamentares que o governo, o que é muito diferente das relações com os governadores porque dependem dos repasses federais para completar seus orçamentos. Não vejo por onde a Dilma pode brecar a mobilização em torno da CPI", completa Manhanelli.

Assinaturas

Passados seis dias da mobilização para a coleta de assinaturas visando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar as denúncias de corrupção no governo Dilma Rousseff, a oposição contabiliza até agora a adesão de 20 senadores e de 115 deputados federais. Para conseguir a instalação da investigação é necessária a coleta de 27 adesões no Senado e de 171 deputados na Câmara.

Na Câmara, o pedido contou com assinaturas de parlamentares que engrossavam as fileiras da base governista como os deputados Tiririca e Paulo Freire (SP) e do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR-RJ). Além deles, outros nove integrantes da sigla firmaram apoio à investigação. Também entre os signatários do pedido está o delegado Protógenes Queiroz,que é filiado ao PCdoB paulista, e o ministro dos Esportes, Orlando Silva. Na lista de assinaturas da Câmara também há apoios de quadros do PV e do PSol.

http://www.dci.com.br/Afago-de-governadores-da-oposicao-a-Dilma-e-institucional_-diz-analista-5-387412.html

domingo, 24 de abril de 2011

Dilma alia apelo feminino a estilo gerente em cem dias de governo

Presidente ressalta fato de ser 1ª mulher no Planalto, mas sem abandonar o estilo 'gerente'.

08 de abril de 2011 17h 21

Em seus primeiros cem dias de mandato, a presidente Dilma Rousseff procurou reforçar seu lado "feminino", ressaltando o fato de ser a primeira mulher a comandar o governo, mas sem abandonar o estilo "executivo" que marcou a sua carreira pública.

O tema da mulher foi reforçado por Dilma logo em sua primeira viagem ao exterior, realizada em janeiro, na Argentina. Ao lado de sua colega Cristina Kirchner, ela ressaltou o fato de que os dois maiores países da América do Sul são governados por mulheres, e defendeu uma maior participação feminina na política.

Na mesma viagem, a presidente também se encontrou com representantes das Mães da Praça de Maio, grupo de mulheres que buscam informações sobre desaparecidos durante o regime militar argentino.

Além disto, ao fazer suas aparições na televisão, Dilma escolheu dois programas voltados principalmente ao público feminino - o Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na Rede Globo, e o de Hebe Camargo, na RedeTV!.

Em março, uma pesquisa realizada pelo Datafolha apontou que Dilma tinha uma maior aprovação entre mulheres do que entre homens. Durante a campanha eleitoral, levantamentos indicavam dificuldades da petista em ganhar o voto feminino.

Para o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, este foi o dado mais relevante da pesquisa, na qual 47% das pessoas consideram o governo ótimo ou bom - índice superior aos de Lula e Fernando Henrique Cardoso no mesmo período de seus mandatos.

"Creio que isto seja um resultado de uma estratégia dos primeiros meses de governo de focar e valorizar o fato de Dilma ser a primeira mulher presidente", diz Paulino.

Já segundo uma pesquisa CNI/Ibope divulgada em 1º de abril, 73% dos entrevistados aprovam Dilma, enquanto 12% desaprovam e 14% não opinaram. Estes números também superam Lula e Fernando Henrique no início de seus governos.

'Gerente'
Apesar do reforço em sua imagem "feminina", analistas acreditam que Dilma não abandonou totalmente o estilo "gerente" ao qual foi associada durante o período em que foi ministra do governo Lula.

"Dilma está correspondendo à imagem de gerente, de técnica", diz o especialista em marketing político Carlos Manhanelli. "Não existe brincadeira no gestual, ela nem tenta se mostrar simpática. Isto é positivo, porque reforça a imagem verdadeira dela."

Para o sociólogo e professor da Unicamp Ricardo Antunes, Dilma está tentando se equilibrar entre a imagem de mulher e de "gerente" séria. "Ela quer mostrar que é possível ser sóbria e serena e, ao mesmo tempo, ter momentos de sensibilidade".

Antunes vê um exemplo disto na reação de Dilma ao caso do atirador que matou 12 pessoas em uma escola em Realengo, zona oeste do Rio. Durante cerimônia em Brasília, a presidente chorou e pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

"Ela claramente se emocionou de maneira sincera, e ela não pode mesmo ser uma general", diz o professor. "O povo brasileiro é muito sensível, o país ficou tocado com a tragédia."

Popularidade
A diretora-executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari Nunes, não acredita que haja atualmente uma "transferência de popularidade" de Lula para Dilma. No fim do governo passado, pesquisas indicavam níveis recordes de aprovação popular para o ex-presidente.

"Lula não tem aparecido com Dilma, ela tem aparecido sozinha. Não é como na campanha, em que os dois apareciam juntos e acontecia uma transferência. Agora os dados são dela mesma", afirma.

Cavallari destaca o fato de que 54% dos entrevistados pelo Ibope percebem diferenças nos estilos de governo de Lula e Dilma.

"O fato de Lula ser mais carismático faz com que ele seja mais próximo

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-alia-apelo-feminino-a-estilo-gerente-em-cem-dias-de-governo,703701,0.htm

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Caso Cesare Battisti

RIT TV entrevista Manhanelli sobre caso de Cesare Battisti


O Profº MS Carlos Manhanelli, na tarde da última sexta-feira (14), concedeu entrevista para a RIT TV, dando sua opinião a respeito da decisão do ex-presidente Lula de negar o pedido de extradição de Cesare Battisti.

Segundo Manhanelli, ao negar o pedido, Lula levou em consideração a similaridade do caso com os fatos que ocorreram entre o governo militar e os guerrilheiros que lutavam por outra ideologia. A luta de Battisti, assim como a luta dos revolucionários brasileiros na década de 60, 70 e 80, foi totalmente ideológica, e não por serem criminosos. Se Lula fosse contra Battisti, estaria indo contra a luta ideológica de seus companheiros de partido.

O fato do ex-presidente não ter deixado a decisão para a atual Presidente Dilma Rousseff, entende-se como uma forma de evitar colocá-la em uma situação onde falariam que Dilma defendeu Battisti por ter agido da mesma forma que ele no passado. “A Dilma, assim como Cesare Battisti, foi uma guerrilheira. Já o Lula, não pegou em armas”, ressaltou o professor.

Também foi levantada a questão sobre o STF (Supremo Tribunal Federal) ter discordado com a decisão do ex-presidente, que para Manhanelli é muito importante, pois é uma atitude que caracteriza a democracia. Onde ninguém é obrigado a assinar em baixo das decisões do presidente, reafirmando a independência dos poderes.

Na entrevista, o professor também salientou que mesmo com o governo italiano tendo demonstrado desconforto quanto a extradição negada pelo governo brasileiro, a presença do Embaixador Italiano na posse da presidente Dilma mostra que não passou de um descontentamento da Itália e que a decisão do Brasil foi respeitada.

A entrevista será transmitida durante um debate sobre a decisão do ex-Presidente Lula, que irá ao ar na RIT TV, canal 40 UHF ou 12 pela Net e 6 pela Sky, ou ao vivo pelo site vejamso.com.br.

Legenda: A entrevista vai ao ar na próxima quarta-feira (19), às 22:10, na RIT TV (Rede Internacional de Televisão).

domingo, 2 de janeiro de 2011

Para analistas, primeiro discurso teve mensagem ‘ampla’ e alguns ‘recados’

Fabrícia Peixoto
Da BBC Brasil em São Paulo
em 1 de janeiro, 2011 - 18:41 (Brasília) 20:41 GMT


Em seu primeiro pronunciamento como presidente do Brasil, Dilma Rousseff privilegiou um texto sem foco em temas específicos, o que resultou em uma mensagem “um tanto ampla”, na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A avaliação é de que Dilma mencionou praticamente “todos os temas” relevantes para o país na atualidade durante o discurso no Congresso, mas sem estabelecer compromissos.
“Ouvimos um discurso amplo, com uma quantidade enorme de temas, mas sem ênfases pontuais”, diz Leonardo Barreto, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UNB).
Segundo ele, um dos “poucos momentos” de ênfase ocorreu na menção à reforma tributária, classificada como “inadiável” pela nova presidente.
“Ela falou de praticamente tudo, mas muito rapidamente. Falou de economia, política externa, da questão social, mas sempre de forma muito cuidadosa, sem grandes compromissos”, diz o professor.

Simbolismos
Na opinião do consultor político Carlos Manhanelli, a preferência por “abraçar” os mais variados temas acabou resultando em uma fala “linear”, ou seja, “sem grandes pontos de emoção”.
"Mesmo um discurso político, feito no Congresso, poderia ter tido um toque mais emotivo”, diz.
Mas apesar de “genérico”, o texto lido pela presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional refletiu alguns “simbolismos” referentes à nova ocupante do Palácio do Planalto.
“O principal deles é, sem dúvida, o fato de uma mulher estar subindo a rampa do Palácio do Planalto. Nesse sentido, Dilma tenta se comparar ao ex-presidente Lula, que durante sua posse chamou atenção para o fato de ter sido o primeiro metalúrgico eleito”, diz.
Ainda de acordo com Manhanelli, Dilma Rousseff também reforçou a ideia de que “não pode errar”, à semelhança do recado dado por Lula nos últimos anos.
“De certa forma, são discursos parecidos. Assim como Lula, Dilma busca enfatizar um fato inédito como forma de dar maior destaque à sua eleição”, acrescenta o especialista.
Situação ‘confortável’
Na avaliação dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, Dilma Rousseff toma posse em um momento “bastante favorável” ao país, com a estabilidade econômica e indicadores positivos.
A situação é diferente daquela vivenciada por Lula em 2003, quando o então presidente eleito precisava “conquistar a confiança” da elite empresarial, tanto no Brasil como no exterior.
“Dilma assume em um momento mais favorável, sem ter que se explicar muito do ponto de vista econômico”, diz
Manhanelli.
Barreto lembra ainda que o discurso de Lula, em 2003, teve um forte cunho de mudança, com a promessa de um “novo caminho” para o país.
“Já no caso de Dilma, a questão principal do discurso é a continuidade da política de seu antecessor, o que reduz ainda mais a possibilidade de grandes novidades no discurso”, diz o professor da UNB.
Recados
Apesar da generalidade do discurso, os analistas ouvidos pela BBC Brasil apontam alguns “recados” dados pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro pronunciamento.
Um dos mais fortes foi na menção a sua história como ativista política durante o regime militar, quando foi presa e torturada.
Dilma disse não “carregar ressentimentos ou rancor”, acrescentando ainda que não haveria “retaliações” durante seu governo.
“Esse não deixa de ser um recado importante aos militares, uma tentativa de minimizar eventuais rusgas”, diz
Manhanelli.
Já o professor da UNB chama atenção para o trecho em que Dilma “estende a mão à oposição”, sugerindo certa “generosidade” àqueles que não a apoiaram durante a campanha.
“Senti falta de um afago aos deputados e senadores, sobretudo em um momento delicado na relação entre o novo governo e o Legislativo”, diz Barreto.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DITADURA DO MKT ESTERILIZA DEBATE

Entrevista para o Jornal "O Estado de São Paulo. Domingo 31 de Outubro de 2.010.
Para especialistas, campanha foi uma das piores da história e candidatos se limitaram a cumprir seus scripts

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo

Candidatos engessados pelo marketing, com discursos parecidos, que nem sequer apresentaram programas de governo, debates com regras que emperram a discussão de propostas. Para especialistas, esta foi uma das piores campanhas eleitorais da história. A única que conseguiu se desvencilhar um pouco da ditadura do marketing, justamente por ter menos a perder, foi Marina Silva. "Ela pôde ser mais solta, porque não estava engessada; José Serra e Dilma Rousseff não fizeram nada que o marketing político não tivesse pré-aprovado", diz o cientista político Cesar Romero Jacob. "Dilma e Serra não conseguiam ter mais empatia com o público porque tinham decorado um texto, precisavam entrar no personagem."
Cientistas políticos não economizam em exemplos desse marketing que pasteuriza campanhas: o vai-e-vem de Dilma na questão do aborto e o surto de religiosidade de Serra, com distribuição de santinhos; o isolamento da petista em cercadinhos no primeiro turno, para afastar a imprensa, e a infeliz favela cenográfica do início do horário eleitoral tucano.
"Essas eleições devem estar batendo algum recorde de falta de discussões, de vazio de propostas", diz Vitor Paolozzi, autor do livro Murro na Cara: o Jeito Americano de Vencer Eleições. "Mas acho que nos EUA não é muito diferente. A Mary Matalin, assessora republicana, confessou que nas eleições de 1992 o programa de governo do Bush pai foi dado por terminado quando ficou com uma página a mais que o do (Bill) Clinton."
Paolozzi culpa também a imprensa pelo vazio da campanha. "Se depender das campanhas, as discussões serão sempre em torno de qual candidato tem o sorriso mais branco, cabe à imprensa cobrar", diz. O ex-prefeito do Rio Cesar Maia, candidato derrotado ao Senado pelo DEM e estudioso do marketing político, tem críticas ácidas. "Tivemos uma eleição de marketing político primário, típico de 50 anos atrás na América Latina, com o caudilho orientando o eleitor", diz. "Foi despolitizador: vote em mim porque ‘papá’ pede."
Para marqueteiros, um dos principais erros tucanos foi a demora de Serra para entrar na campanha, que deu uma vantagem à rival petista. O grande discurso de Serra – contra a inexperiência de Dilma – foi abalado pelos meses à frente que a petista teve para apresentar aos eleitores seu "currículo".
"Tivemos um ambiente plebiscitário, típico de reeleição, o que favoreceu Dilma, uma vez que Lula tem mais de 80% de aprovação", diz Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.
Na hora de determinar a imagem dos candidatos, as campanhas também falharam. Normalmente, marqueteiros enquadram candidatos em uma de quatro categorias. Ele pode ser o "herói", como o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que tinha "aquilo roxo", caçava marajás, decidia e resolvia. Pode ser também o pai (ou mãe), como Getúlio Vargas, o defensor dos pobres. A terceira opção é o candidato "líder charmoso", como Juscelino Kubitschek, que conquistava com sua elegância e carisma. Ou pode ser o "homem simples", imagem encampada por Lula: "Se eu posso chegar lá, todos nós podemos." Para Manhanelli, os dois candidatos erraram ao adotar o mesmo discurso: de pai (no caso de Dilma, mãe).
Dilma aparece como mãe dos fracos e necessitados, "a mãe do PAC", a "mulher do Lula", com uma voz mais aveludada, que vai só continuar o que Lula fez. Dilma vem cuidar do povo e dar continuidade às ações do homem simples. Serra, em vez de se apresentar como herói, que iria resolver os problemas que Lula não resolveu, investiu na imagem de pai.
"Os dois adotaram discursos idênticos, de continuidade", diz o consultor. "Só que, com os dois se apresentando como a continuidade, a Dilma terá lastro maior, de Lula."
Para Manhanelli, João Santana, o marqueteiro do PT, conseguiu criar esse ambiente plebiscitário. "Temos uma campanha morna porque se trata apenas de sim ou não ao Lula", diz. "Se Serra tivesse se apresentado como herói, resolvedor, poderia incluir o programa na discussão."
Os debates na TV não cumpriram a função de ajudar os eleitores a escolherem seus candidatos. No início, não permitiam a réplica dos jornalistas. Era impossível contestar as respostas dos candidatos. No segundo turno, ficou ainda pior – jornalistas não podiam nem perguntar.
Temas. Nos EUA, o formato dos debates é bem diferente. Há espaço para réplicas e muitos são divididos por temas – política externa, saúde, economia.
Jacob lembra que a campanha de presidencial de Lula em 2002 foi das mais bem-sucedidas. Depois de três derrotas, ele seguiu a fórmula de Collor e de Fernando Henrique Cardoso de se articular com as oligarquias, os pentecostais, os populistas. E, com o "Lulinha paz e amor", afinou o discurso para a classe média, refratária a radicalismos do PT. "Depois das Havaianas, o Lula é o grande case de reposicionamento de marca", diz Jacob.
Nesta eleição, foi Marina quem conseguiu posicionar bem "seu produto". "Marina não ficou falando para ambientalistas, porque isso é como fazer sanduíche de pão com pão, eles já estavam com ela." Segundo Jacob, Marina jogou com a ideia de despolarização. "Teve o apoio de tucanos insatisfeitos com a campanha de Serra porque o tucano escondeu o Fernando Henrique, e o petista decepcionado, que em 2006 estava com Heloísa Helena e Cristóvão Buarque."
Já a campanha da Dilma repete 2006 – voltada para o centro político no primeiro turno, no segundo ela precisava pegar o eleitorado à esquerda do PT. A ênfase antiprivatização fez parte disso, assim como o anúncio de apoio do cantor Chico Buarque e do deputado Marcelo Freixo, do PSOL.
Em toda a campanha, a ênfase de Dilma foi falar ao eleitorado das classes C, D e E que quer ser incorporado à sociedade de consumo. Tudo isso se baseou na política de Lula do Bolsa-Família, do crédito consignado e dos aumentos reais do salário mínimo. Já o eleitor de Serra é mais conservador e sensível a questões como ética e corrupção.
"Dilma joga com o desejo da população de ter TV de LCD", diz Jacob. "Serra fala de ética, para classes que já têm os bens materiais."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ENTREVISTA A IMPRENSA AMERICANA




Brazil election: Lula's legacy set to propel Dilma Rousseff to victory
As voters go to polls for the Brazil election today, support from popular outgoing President Luiz Inácio Lula da Silva is expected to propel candidate Dilma Rousseff to victory.

By Andrew Downie, Correspondent / October 3, 2010

Rio de Janeiro
Brazilians face an unfamiliar ballot today when they enter polling booths to elect a new president. For the first time since the end of the dictatorship in 1985, the name Luiz Inácio Lula da Silva will not be on it.

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Brazil election tightens as Dilma Rousseff slips in polls Brazil: Where a shoeshiner became president Brazilian President Lula: BRIC countries must forge a transparent system of global governance Mr. da Silva, known widely as "Lula," cannot run for a third consecutive term. Yet he remains the most important figure in this year's race. His 80 percent approval rating and enthusiastic support for Workers' Party (PT) candidate Dilma Rousseff nearly guarantees her victory.

"The PT made it a plebiscite: If you like Lula, then vote for it to continue under Dilma," says Carlos Manhanelli, president of the Brazilian Association of Political Consultants. "She can tell her tailor to prepare her dress for the inauguration."

Polls show she will garner close to 50 percent of the vote, far ahead of her closest challenger, José Serra of the Brazilian Social Democratic Party. And she remains the clear favorite even amid a series of ethics scandals hitting the PT and one of her closest collaborators – underscoring the general approval of Lula's leadership.

Lackluster candidates
Simply put, Brazilians want Lula, whose charisma is unmatched by Mr. Serra or Dilma, as everyone in this informal nation knows the former energy minister. She is seen as authoritarian and harsh, and although she was one of the few Brazilians courageous enough to fight against the military dictatorship, she only joined PT in 2001 and has never run for office. In contrast, Serra has a long political career, serving as governor of Brazil's most populous state and then as health minister. But he is no more likable than his opponent.

Both candidates are essentially vying to show they can continue the prosperity found during Lula's eight-year term. Under his watch, inflation remained low and debt fell, while trade increased and bolstered foreign reserves to record levels. Confirmation of the country's newfound economic respect came from international ratings agencies, who last year awarded Brazil investment grade for the first time.

Lula stimulated spending, freed up credit, and injected money into previously moribund parts of the economy through a nationwide program that pays mothers to keep their kids in school and vaccinate their babies. More than 40 million people have benefited from the Bolsa Familia (or Family Aid) program, creating a trickle-up economic model that gave the poor disposable income for the first time.

The global economic crisis caused only ripples here. Jobs disappeared and sales dropped, but Brazil did not suffer the home repossessions, failing businesses, and redundancies that demoralized much of Europe and North America. The economy is expected to grow 7 percent this year.

Why didn't Lula do more?
But amid such incredible growth, critics question why Lula did not seize the moment to implement more reforms. Brazil's education standards remain pitifully low, corruption is endemic, and violent crime remains unacceptably high. Moreover, Lula failed to implement pressing tax, social security, labor, and union reforms.

"Lula has an 80 percent approval rating but he hasn't used that mandate to make tough decisions and push through the necessary reforms," says Oliver Stuenkel, a visiting professor of international relations at the University of São Paulo. "He's missed a great opportunity."

He's also been lucky. Brazil, with its abundant commodities, has become the world's No. 1 producer or exporter of beef, chicken, coffee, soybeans, sugar, and iron ore. Oil, too, has recently emerged as a major source of jobs and income. The sector got a huge boost in 2007 with three major discoveries off the Atlantic coast. The presalt fields, so named because they are found under more than 5,000 meters of sea, rock, and salt deposits, contain at least 12 billion and perhaps as much as 50 billion barrels of oil.

Next steps
All that has given Brazil a more prominent role in world affairs and Lula has seized on it. Brazil's troops have anchored peacekeeping efforts in Haiti, negotiators have been influential in climate and trade talks, and diplomats have sought to broker peace deals in Honduras, Iran, and between feuding Colombia and Venezuela. As if to crown its arrival on the world stage, Brazil will host the 2014 World Cup and 2016 Olympics.

A hero at home and revered abroad for his work slashing income inequality, Lula has said he may now take a position at an international body, help Africa, or advise Ms. Rousseff – a move sure to be welcomed by most Brazilians.

"The principal explanation that so many people want to maintain the status quo is that the economy is doing well," says João Augusto de Castro Neves, a political analyst with CAC Political Consultancy. "It's like Clinton's slogan in 1992: It's the economy, stupid."

http://www.csmonitor.com/World/Americas/2010/1003/Brazil-election-Lula-s-legacy-set-to-propel-Dilma-Rousseff-to-victory

sábado, 23 de outubro de 2010

AULA DE MKT ELEITORAL


ENTREVISTA A REVISTA VEJA





Manhanelli fala sobre marketing político e eleitoral à VEJA
programa Veja Entrevista com o jornalista Augusto Nunes, na sexta-feira (22)


O Profº MS. Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos) concedeu entrevista ao jornalista Augusto Nunes para o programa Veja Entrevista, nesta quarta-feira (20). A entrevista teve como tema o marketing político e eleitoral no Brasil.

Manhanelli que já escreveu 11 livros sobre marketing político abriu a entrevista definindo antes de tudo o que é Marketing “Hoje qualquer coisa que se venda as pessoas já acham que é marketing. O nome em si já traduz o significado- mercado em ação. Ou seja, marketing é o estudo do movimento do mercado”, salientou.

Marketing eleitoral x Marketing político

Muitos confundem marketing eleitoral e marketing político. Questionado pelo Jornalista, Manhanelli esclareceu que há diferença entre os dois conceitos. O marketing eleitoral é uma tarefa é o momento da conquista do voto. É quando a campanha deflagra e termina no dia da eleição.

Quanto ao marketing político é uma missão. Ele nasce com o político e morre quando perde o mandato. Usa-se marketing porque enquanto político tem que atender as reivindicações, os anseios do eleitorado. Não quer dizer que o político é um produto, mas uma referência que tem demanda.

O professor ressaltou ao entrevistador que para ser um especialista faz-se necessário conhecer comunicação, ciência política, marketing e propaganda. “Meu currículo vasto não é à toa”, respondeu sorrindo para Augusto Nunes.

E o debate entre candidatos? Perguntou Augusto Nunes. Manhanelli disse que é puramente marketing eleitoral. “O debate tem a função de conquistar eleitores e não ganhar a eleição”. Como dizia Sergio Arapuã " Debate não é arena, debate é passarela"

Durante a entrevista, falando sobre a imagem do político, Manhanelli citou Jânio Quadros como um dos fenômenos eleitorais que são únicos e não servem de exemplo para outros políticos. Ele fez menção às quatro imagens citadas pelo escritor Roger-Gérard Schwartzenberg, em seu livro "O Estado Espetáculo", onde aponta as imagens que o candidato passa para o eleitor. São elas: Herói, pai, líder charme e homem simples. “ E Jânio não se encaixa em nenhuma dessas imagens” argumentou.

Marqueteiro x Marquetólogo

Indagado pelo repórter sobre a profissão de “marqueteiro”, Manhanelli frisou que a expressão correta é marquetólogo, uma vez que na Língua portuguesa a terminação “eiro” é depreciativa em qualquer profissão e essa questão é antiga vem desde a colonização, quando fomos tratados de “brasileiro” o que remete uma classificação pejorativa.

Outra questão levantada por Augusto Nunes foi sobre a importância da inserção na TV. Para o especialista, a inserção é mais importante que programa eleitoral. Isto porque, a inserção pega o telespectador de surpresa, no meio de um programa de grande audiência. Já o programa eleitoral há um horário definido e o eleitor pode escolher se assiste ou não.

Quanto às restrições a propaganda eleitoral. Manhanelli salientou para analisar de fato é necessário fazer um levantamento histórico. O professor contou que há duas datas marcantes para o início da atividade no Brasil. Em 1954, com a campanha de Celso Azevedo, em Belo Horizonte, onde foram utilizadas as primeiras técnicas de marketing eleitoral e a campanha de Jânio Quadros que foi o primeiro político a usar a televisão como meio de comunicação para campanha eleitoral.

Na época de ditadura a televisão e do rádio são usados como instrumentos para reafirmar o regime ditatorial. Continuando a história, Manhanelli citou que em 1974, fez sua primeira campanha para senador do PMDB, o qual o candidato obteve vitória. Nessa campanha, a televisão foi utilizada como ferramenta para mostrar todas as mazelas do país.

Diante disso, o poder percebe e instaura a lei falcão (1976) proibindo que as imagens fossem exibidas na televisão. E essa determinação dura até 1989.

Em seguida veio a campanha de Fernando Collor que utilizada na televisão todos os recursos possíveis montagem, trucagem e outros. Saindo da campanha de Collor, entra a do Fernando Henrique Cardoso. Daí percebe-se que usando tudo quem leva a vantagem é a oposição ( Caravana da Cidadania - Lula) e fica proibido o uso da imagem externa no programa eleitoral.

Campanha 2010

Augusto Nunes pede ao especialista que avalie a campanha de 2010 quanto ao trabalho dos marquetólogos pelos seus conceitos. Manhanelli salientou que há erros primários em ambos. Mas, frisou que esses conceitos não são só dele, mas também dos membros da IAPC (The Internacional Association of Political Consultants) na qual é integrante.

Por exemplo, a candidata Dilma começou sua campanha apresentando uma imagem de heroína, aquela que veio para resolver os problemas. Daí gerou uma contradição, que problema que seu antecessor vai deixar (Lula)? Depois ao perceber essa situação, ela muda de imagem e aparece como mãe dos fracos e necessitados. Com uma voz mais doce. Ela vem cuidar e dar continuidade as ações do homem simples. Já no segundo turno, ( no primeiro debate) a imagem da Dilma muda novamente. Ela volta a ser a heroína gerando dúvidas para o eleitor.O que é uma incoerência na opinião do professor.

No caso de Serra, o marquetólogo apostou na imagem de pai. Aquele que vai dar continuidade ao que lula fez. Na opinião de Manhanelli, ele deveria ter afirmado a imagem de herói o que resolveria todos os problemas deixados pele opositor (Lula). Mas, a estratégia certa foi manter essa postura até agora sem deixar dúvidas para o eleitor.

O repórter perguntou se a eleição terminasse hoje qual a previsão? Manhanelli respondeu que nenhuma, a campanha está equilibrada e como já é sabido por todos qualquer coisa pode acontecer e virar em 24h.

Indagado sobre qual político do Brasil que mais soube usar o marketing político e eleitoral Manhanelli falou da campanha mais difícil e o maior exemplo de marketing político, em sua opinião, até hoje foi a campanha de Tancredo Neves. Era preciso convencer a população a fazer uma pressão no colégio eleitoral para votar nele. Não havia voto direto. “Foi uma triangulação de voto”, finalizou.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Debate sobre aborto e religião pode favorecer Serra, dizem analistas


JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
15 de outubro de 2010 16h 42

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, Dilma tem a perder ao assumir postura mais agressiva

Para especialistas, Dilma tem pouco a ganhar com postura ofensiva
Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que o debate centrado em questões como aborto e religião favorece o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, enquanto que a adoção de uma postura mais agressiva faz com que a petista Dilma Rousseff perca terreno.
As primeiras pesquisas para o segundo turno, em 31 de outubro, mostram uma redução da vantagem de Rousseff sobre Serra.
"No fundo, a sociedade brasileira é muito conservadora", diz o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas. "Quando Dilma assume uma postura mais agressiva, desperta um receio que havia em relação ao PT dos anos 80, que era um partido mais polêmico."
Na opinião de Caldas, a petista ditou o ritmo do primeiro turno - e teve vantagem - ao centrar o debate no confronto de realizações entre o governo federal (do qual ela foi ministra) e o de São Paulo (que teve Serra como governador).
"Isso causava um prejuízo muito grande ao Serra, porque é difícil mostrar coisas feitas em São Paulo a pessoas do Nordeste", afirma o professor da UnB.
Já no segundo turno, segundo Caldas, o candidato do PSDB ganhou espaço ao determinar o ritmo do debate, colocando o foco sobre valores pessoais, moral e religiosidade.
"Serra foi muito feliz quando percebeu uma oportunidade nisso, fazendo com que ela (Dilma) mostrasse os seus valores", afirma. "As pessoas estão assustadas porque, no fundo, elas não conhecem a Dilma."
Acirramento da disputa
Para o cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Geraldo Tadeu Monteiro, o debate em torno da moral e da religião deve afetar uma parcela pequena do eleitorado. No entanto, ele acredita que, com o acirramento da disputa e a redução na diferença entre os candidatos, o voto católico ou evangélico pode acabar sendo decisivo.
"Em um contexto de disputa acirrada, ter 5% ou 6% de católicos mais fervorosos mudando de opinião, ou de 12% a 15% de evangélicos trocando de voto, pode virar a eleição", diz Monteiro, que também vê Serra como beneficiário do debate em torno de valores morais.
Para ele, o que pode ter ainda mais influência é a tentativa de Serra impor a Dilma uma imagem de "duas caras", ou alguém que muda de opinião. "Isto afeta um valor fundamental, que é o da confiança, causando no eleitor a impressão de que a pessoa, uma vez eleita, vai fazer o contrário do que disse antes."
O professor da Uerj também vê pouca chance de a candidata petista ganhar votos com a adoção de uma postura mais ofensiva. Segundo ele, isto tem mais a ver com a necessidade de Dilma mobilizar a militância e lideranças políticas e menos com uma estratégia para conquistar o eleitor médio.
Mudança de imagem
O consultor político Carlos Manhanelli acredita que Dilma errou ao aparentemente trocar, do primeiro para o segundo turno, a imagem de "mãe" dos "fracos e oprimidos" - que daria continuidade às políticas sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - por um mais agressiva, de "heroína", "executiva" e "guerreira".
"Esta troca sempre é prejudicial, porque você forma uma imagem no inconsciente coletivo do eleitor e, quando isto é modificado, ele fica em dúvida sobre qual reação o candidato terá", diz Manhanelli.
O consultor afirma que Serra também errou ao tentar, durante toda a campanha, vender uma imagem de "pai dos pobres" (em continuidade a Lula), em vez de adotar uma figura "heróica", de quem tenta resolver problemas deixados pelo antecessor.
No entanto, segundo Manhanelli, o tucano leva vantagem por ter mantido a aposta em uma única imagem durante a disputa, mesmo não sendo a ideal. "Serra, embora esteja com a imagem errada, ainda preserva uma tentativa de ser um 'pai', ao menos consolida uma imagem."
Manhanelli vê como natural, embora lamente, a mudança de foco entre os dois turnos. "No primeiro, se esgotam todos os argumentos de propostas de governo. Quando cai no segundo, vai para embate de vida, de história de cada um, de postura religiosa, moral, currículo. O segundo turno vem vazio."
O consultor também acha que, em termos de debate sobre religião e valores, Serra tende a ganhar mais votos que Dilma, mas ele não acredita que as últimas pesquisas reflitam esta questão.
Para ele, a ascensão do tucano se deve mais à adesão dos votos dados a Marina Silva (PV) no primeiro turno, independentemente da questão religiosa.
Mesmo vendo vantagem de Serra no debate religioso, Ricardo Caldas prevê uma disputa equilibrada até o fim entre os dois candidatos.
"A eleição não está ganha para nenhum lado", afirma o professor da UnB. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,debate-sobre-aborto-e-religiao-pode-favorecer-serra-dizem-analistas,625275,0.htm

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DEBATE UNIV. SÃO JUDAS TADEU


Manhanelli participa de debate na Universidade São Judas Tadeu sobre a cobertura jornalística das eleições

Entrevista está prevista para ir ao ar no canal da Universidade, dia 15 de outubro

Na última sexta-feira (08), o Prof° MS Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos) participou do programa Imprensa em Debate, dirigido e apresentado pelos alunos do quarto ano de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, campus Mooca. O encontro teve também a participação do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo. O tema do debate foi a cobertura jornalística nas ultimas eleições.

O Especialista em marketing político há 36 anos começou ressaltando que a cobertura eleitoral é um espetáculo, isto porque a eleição em si já é vista como uma festa para o povo. Manhanelli explicou que essa característica de espetáculo deve-se ao fato da televisão ser um veículo sintético e não analítico. Ou seja, não temos simples informações, mas um show de notícias.

O outro convidado, Augusto Camargo, presidente do sindicato dos jornalistas, salientou que a cobertura eleitoral está sendo contaminada pela visão de coberturas de outras editorias. Tais como: polícia, esporte etc. A eleição está sendo tratada como espetáculo, cujo objetivo é emocionar, causar comoção.


Redes Sociais

Questionado sobre a utilização das redes sociais nas eleições, Manhanelli frisou que é importante lembrar que no Brasil a campanha é diferente dos EUA. Aqui são 3 meses de campanha apenas, enquanto que lá são dois anos. E é o tempo que influencia a fomentação com os eleitores.

“No Brasil, a internet nunca teve uso pleno. A utilização desta ferramenta nas eleições deste ano foi um grande laboratório”, ressaltou. A internet precisa passar por segmentação, assim como passaram o Rádio e a Televisão.

Para Augusto Camargo, a internet não é popular ainda e para o jornalista não é um campo de liberdade de imprensa e sim de expressão.

Quanto ao veículo de comunicação assumir sua posição na eleição, ou seja, de que lado está, Manhanelli acha salutar. Ele citou que na França os jornais tomam posição logo no começo. Para o eleitor, quanto mais ele ficar sabendo que aquele veículo tem a tendência A ou B, ele vai ler a noticia de uma foram diferenciada. Acho muito saudável que cada veículo coloque pra quem ele está trabalhando

Mídias Alternativas


Sobre o papel das mídias alternativas, Augusto Camargo, argumentou que ao longo da historia sempre teve espaço para mídias alternativas. Não é um fenômeno novo, faz parte da nossa tradição a existência desses veículos. “É saudável numa sociedade ter pequenos veículos fazendo o contrapondo com os grandes jornais, ajuda a fazer a democracia se estabelecer de forma mais plena”.

Indagado se um político interfere em um veiculo de comunicação, Manhanelli diz que sim. Uma vez que as concessões dos grupos estão nas mãos deles. Ele ainda salientou que não há como fazer um jornalismo ético, é praticamente impossível. Existe dentro da empresa um esquema de como funciona a imprensa,ou o jornalista se submete ou está fora da empresa.

Para o presidente do sindicato, o jornalista é o que menos tem força para decidir algo, isto porque os veículos de comunicação estão se tornando grandes corporações. Cada vez menos o poder está nas mãos dos jornalistas e não são eles quem ditam o funcionamento da empresa, mas sim os bancos, as empresas coligadas, os acionistas e etc. “O caminho para a mudança é a legislação. Uma lei que imponha padrões, regras e limites. Hoje o Brasil tem a liberdade de imprensa mais clara do mundo, porque não possui uma lei de imprensa” frisou.

Para encerrar o debate, Manhanelli presenteou a biblioteca da Universidade com o seu mais recente livro, Marketing Eleitoral : O Passo a Passo do Nascimento de um Candidato, no qual consagra tudo que aprendeu ao longo de 36 anos de carreira
.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ANÁLISE DO DEBATE PRESIDENCIAL


Rede TV entrevista Profº Manhanelli sobre a postura dos candidatos presidenciáveis
A entrevista foi ao ar nesta segunda-feira (11) às 21h, na Rede TV News

O presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos), Profº Ms Carlos Manhanelli concedeu entrevista a repórter da Rede TV, Patrícia Zorzan, na tarde de segunda-feira (11).A avaliação do professor quanto ao debate de domingo (10) entre os candidatos a presidência da república Dilma e Serra foi o tema da entrevista.

Com a postura de ataque da candidata Dilma (PT), Manhanelli ressaltou que o candidato Serra (PSDB) foi pego de surpresa isso ficou claro na reação e nas repostas dele. Dilma mostrou uma imagem de guerreira, de heroína. Assim, ela conseguiu agradar militantes, mas não ganha votos, salientou o professor.

O Especialista em marketing político, ressaltou que em sua opinião o debate teve duas vitórias. A da Dilma enquanto consolidação política de uma imagem aguerrida que vem para resolver as coisas, ganhou a militância. Mas, quem ganhou os eleitores foi o Serra.

Para Manhanelli, a postura de quem ataca dificilmente ganha indecisos e aquele que conseguiu falar de propostas com uma linguagem mais acessível foi com certeza quem ganhou mais votos.

Questionado sobre o que deve ter acontecido para a mudança de postura de Dilma, o professor argumentou que nada em campanha eleitoral acontece sozinho com certeza alguma informação interna existe para mudança de comportamento e na estratégia de Dilma. “As pesquisas internas devem estar mostrando outra realidade que não a do instituto de pesquisa de televisão”, frisou.

Manhanelli acrescentou que pode ser que uma pesquisa qualitativa tenha mostrado que a postura de Dilma “paz e amor” não foi bem aceita pela população. Desta forma, retorna a imagem de heroína não somente para colocar a militância mais ativa, mas também de apresentar uma nova fase da Dilma que é a Dilma verdadeira, executiva e que resolve problemas técnicos e não a Dilma política.

A repórter questionou se essa imagem de ataque da Dilma afugenta o eleitor. O especialista respondeu que sim, uma vez que a Dilma começou aparecendo como heroína depois percebeu que tal imagem não dava continuidade ao governo Lula, então passou a ter uma imagem de grande mãe dos mais pobres. E agora no segundo turno, retorna como heroína.

“Essa mudança de imagem é muito ruim, pois uma construção de imagem é construída com hábito, com freqüência. Quando se começa a mudar muito a imagem, a população começa a pensar qual é a verdadeira imagem do candidato? Após o debate, o que temos que ver qual a imagem que foi passada para o eleitor. Qual a repercussão que vai ter esse debate?”ressaltou Manhanelli. .

O professor citou que Dilma estava nervosa gaguejou durante o debate e Serra foi pego de surpresa. O que demonstrou não ser mais aquela pessoa que tinha resposta para tudo.

O Serra não estava preparado para atacar ele foi para o debate esperando que ia encontrar a Dilma de antes, com doçura na voz, mas pelo contrário, a Dilma foi com postura guerreira, uma postura agressiva que também é nova pra a população.

Para Manhanelli não se pode afirmar se foi uma tática suicida ou uma nova estratégia derivadas das estatísticas, faz-se necessário ter acesso as pesquisas para saber o motivo da mudança abrupta de imagem e isso só quem pode dize é quem está fazendo o marketing da Dilma .

Indagado se a militância da Dilma acomodou-se durante a campanha, Manhanelli acredita que na verdade estavam de “salto alto” achando que a campanha estava ganha. Com a nova postura da Dilma, com a imagem de executiva, que resolver resolvendo, ela mostra o verdadeiro estilo de Dilma ser e assim com certeza conseguiu sacudir a militância e mostrar que é preciso ir as ruas e ganhar mais votos. “A pior coisa que pode acontecer numa campanha é o pensamento já ganhamos, antes de sair o resultado”, mencionou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ENTREVISTA NA REVISTA TIME - E.U.A

In Brazil, Lula's Heir Prepares for Power
By Andrew Downie/Sao Paulo Thursday, Sep. 30, 2010






Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva raises the arm of Dilma Rousseff, his former Chief of Staff and presidential candidate for the ruling Workers Party (PT), upon their arrival for a campaign rally in Campinas on September 18, 2010. Brazil's general elections are scheduled for October 3.



Few Brazilians outside the political elite knew much about Dilma Rousseff before the presidential election campaign got under way in July. As chief of staff to the massively popular President Luiz Inácio Lula da Silva, Rousseff had been a powerful behind-the-scenes figure who had also served as Energy Minister. But she had never had to win the hearts and minds of voters by running for political office. That was before Lula tapped her to succeed him.

In most countries, Rousseff might have been expected to use the last couple of months to tell voters what she stands for and how she plans to govern. But this is Brazil, and Lula is the most popular president in its history. Rousseff did not have to articulate a detailed election platform; she simply had to convince voters that she'll continue Lula's work. She has managed that with ease, and it has all but guaranteed she will become the leader of the world's fifth most populous nation and eighth most powerful economy.
(See "No Satire Please, We're Brazilian.")


"Lula has an 80% approval rating and those people want Lula to continue," said Carlos Manhanelli, the president of the Brazilian Association of Political Consultants. "Who is going to best provide continuity? Dilma. And the Workers' Party have... realized that if they can present her as Lula in a skirt, she will get elected."

With the election just two days away, Dilma, as everyone in this informal nation calls her, is polling around 50% — enough to guarantee her first place, and perhaps even the majority that would allow her to avoid a runoff ballot on Oct. 31.

If and when she does take office, it will cap a remarkable political ascent. The daughter of a well-off Bulgarian immigrant, Dilma became politically active as a teenager during the dictatorship, when she bravely took up arms in a leftist guerrilla movement against the military regime. Although she never fired a weapon in anger, she was arrested and tortured, and spent three years in jail.

Dilma studied economics after her release in 1973, and she moved into government when the military gave up power in 1985. She served as finance secretary in Porto Alegre, and was twice state Energy Secretary of Rio Grande do Sul. Lula invited her to be his Energy Minister in 2003, and was so impressed by her performance that he charged her with running the most important programs of his second term. And last year, highlighting her "sensibility and intrepidness," he named her as his preferred successor. (Lula is constitutionally forbidden from seeking a third consecutive term.)

"I can say without fear of contradiction that one of the main reasons my government was a success was down to Comrade Dilma Rousseff's ability to coordinate," Lula said.

Dilma's campaign style has been to bask in Lula's glow, and assure his supporters that she will not deviate an inch from the progressive program that made his eight-year reign such a success. That may be because Dilma herself is, in fact, an inexperienced and reluctant campaigner who appears ill at ease among crowds and on stage. And she has no need to risk proposing big ideas. Thanks to Lula's unwavering support — and boosted by the lackluster campaign of her main rival — her coronation is all but assured.
(See "Lula's Way.")


By suggesting Brazil needs to simply keep coasting along, however, Dilma is tempting fate. Brazil's past two presidents transformed the country from unpredictable and underperforming regional power to rising global star. Fernando Henrique Cardoso stabilized the currency and tamed inflation, privatized hundreds of inefficient state-run companies, and laid the foundations for future growth. Lula built on that by consolidating the economic gains, sharing them amongst the poor for the first time and improving the shameful social indicators that had made Brazil one of the most unequal countries in the world.

Brazil's next president, though, needs to continue that modernization process — which Dilma will be in a good position to do if, as appears likely, her coalition wins majorities in both houses of the legislature. Despite Brazil's impressive growth, it remains a developing country. Its tax burden is too high, its education system too poor, its infrastructure too basic and its red tape and corruption too widespread. Urgent reforms are also needed in social security, labor policy and governance.

Dilma, 62, has not articulated how she will tackle these challenges. Whether she, or anyone, is even capable of carrying out the required reforms remains an open question — and not just because she is known more as a bureaucratic combatant than a conciliator. Even Lula, with his unrivaled charisma, popularity and political skills, avoided attempting major reforms.

Dilma will rely much more heavily than Lula did on the machinery of the Workers Party, which raises some concern because of its increasingly authoritarian inclinations and recent influence-peddling scandals involving key party figures.

"Lula had a big cabinet with 40 ministers and he brilliantly used his experience in politics and as a union negotiator to put out fires," said João Augusto de Castro Neves, a political analyst with the CAC Political Consultancy firm. "There are going to be a lot of voices, there will be differences of opinion. How is she going to deal with that? It is not what she thinks about policy; that won't change much. The question is how is she going to run the government machine without it blowing up."

Dilma's managerial competence has never been questioned, even by her opponents. But uncertainty remains over whether she has what it takes to follow in Lula's footsteps. Her months on the campaign trail have not provided the answers; they'll more likely emerge only when she's in power.

http://www.time.com/time/world/article/0,8599,2022661,00.html