terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Candidatos usaram mal as redes sociais em 2010


“Efeito Obama” não se repetiu no Brasil; para especialistas, faltou interatividade por parte dos políticos, que usaram os sites para propaganda estática
Entrevista ao Jornal Gazeta do Povo em 15/10/2.010


No dia 31 de outubro, quando ocorre o segundo turno para escolha de presidente da República (e de governador em alguns estados), chega ao fim o primeiro processo eleitoral no Brasil com uso pleno das mídias sociais. Milhares de candidatos puderam usar e abusar de Twitter, Orkut, YouTube, MySpace e Facebook, ferramentas que encantam e seduzem os brasileiros. Apesar da grande expectativa, o aproveitamento desse tipo de mídia no relacionamento candidato/eleitor não atingiu o resultado nem o público esperado, opinião unânime entre os especialistas em marketing político consultados pela Gazeta do Povo.
“Desde o começo, todos sabiam que essa eleição seria um grande laboratório para o uso das mídias sociais. O problema é que muitos candidatos, por desconhecimento, não souberam utilizar os veículos ou os usaram de forma equivocada”, destaca Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos e professor de comunicação política e marketing eleitoral na Universidade de Salamanca, na Espanha.
Interação
Antes do início das campanhas eleitorais existia a expectativa de que a troca de informação por meio das novas tecnologias pudesse influenciar na decisão do voto. Não foi o que ocorreu – muito por culpa dos próprios candidatos e suas equipes, que não souberam utilizar as ferramentas de maneira adequada. “As redes sociais não foram bem utilizadas pelas candidatos que não estavam prontos. Eles não interagiram com os eleitores, sanando suas dúvidas. Em vez disso, usaram as redes como canal de propaganda estática”, analisa o gerente de contas da Arca Estúdio de Criação e palestrante de marketing político Elizeu Alves. A opinião é compartilhada pelo consultor de marketing e comunicação Evandro Barreto. “Como instrumento, as redes sociais não foram eficientes; serviram mais como arma tática do que estratégica. Faltou maturidade”, disse.
A crítica dos especialistas reside justamente no modelo utilizado, em que as tecnologias foram apenas canais para fazer propaganda das propostas, deixando de lado a possibilidade de debate. A interação, segundo Alves, ocorreu apenas pelo lado dos eleitores. “O usuário está muito mais preparado que o candidato. Se uma pessoa segue um político no Twitter, é porque ela tem interesse em conhecer suas propostas. Quando ela fizer uma pergunta, é fundamental ter uma resposta, coisa que não ocorreu na maioria das vezes”, afirma.
Na avaliação dos especialistas, o uso das redes sociais na eleição brasileira passou longe do “efeito Obama”, quando a internet foi utilizada de forma decisiva para eleger o presidente americano. Para chegar a esse ponto no Brasil é preciso um período de maturação e o cumprimento de algumas etapas. “Essa eleição serviu para conhecer o uso das novas tecnologias. Os candidatos precisam se aprofundar. Eles têm dois anos até as próximas eleições para fazer um balanço, identificar o que deu certo e adquirir experiências. Precisam se familiarizar com as redes sociais, popularizá-las e despertar o interesse do eleitor”, ressalta Manhanelli.
Pontos positivos
Apesar das críticas, algumas ações pontuais no uso das novas tecnologias na eleições tiveram resultado positivo. Na opinião de Manhanelli, os debates na internet são o principal destaque, pois conseguiram atrair a atenção da população e envolver os eleitores. “Os debates na internet funcionaram muito bem. Ocorreu a interação entre candidatos e eleitores de forma a sanar muitas dúvidas. Esse deveria ser o propósito de todas as redes sociais, uma via de mão dupla”, afirma.
Para Barreto, a aprovação da Lei da Ficha Limpa também se deve muito à mobilização nas redes sociais. “Era visível que não existia o interesse em aprovar a lei. Com a mobilização pública que ocorreu, juntando mais de 1 milhão de assinaturas, não houve outra saída”, conclui.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

COMO O ELEITOR SE INFORMA PARA DECIDIR VOTAR!

1. O Datafolha perguntou como os eleitores se informam para decidir seu voto. São duas formas de perguntar. Na primeira, o pesquisado cita apenas um meio. Na segunda, pode citar três. A internet sozinha fica com 7%, um número expressivo, pois se iguala ao rádio e se aproxima dos jornais, estes com 12%. Na segunda, a internet sobe para 27%. Claro, a TV, o grande veículo de massa, continua disparado em primeiro lugar: 65% e 88% respectivamente.
2. Mas há uma diferença: a TV é como se fosse uma chuva que atinge a todos. A internet é como uma mangueira de regar que só chega a pontos para onde é direcionada. Internet e Conversa com Amigos devem ser somadas. Uma é um boca a boca eletrônico e outra boca a boca direto. A soma na segunda pergunta alcança 59%. Mas a chuva da TV pode não chegar a quem está abrigado. Quem individualiza é a internet e a conversa entre amigos.
3. E ainda se acresce um dado fundamental. A comunicação direta via conversa com amigos e via internet tem um poder muito maior de transformar eleitores em multiplicadores, quando o eleitor passa a ser um indutor do voto. A TV espalha a informação. O boca a boca eletrônico ou direto fixa a informação, ou dispersa, subtrai o impacto ou multiplica.
4. (Folha SP, 28) A televisão é o principal meio de comunicação utilizado pelos eleitores brasileiros para se informar sobre os candidatos que disputam as eleições neste ano. Segundo o Datafolha, 65% dos entrevistados afirmam que a TV é a mídia preferida para obter informações. Os jornais aparecem em segundo lugar, com 12% de preferência, e a internet e o rádio vêm em terceiro, com 7% cada um. Conversas com amigos ou familiares são apontadas por 6%. 5. (Folha SP, 28) Quando o Datafolha pede para os entrevistados citarem três meios de comunicação usados para se informar: 27% mencionam a internet, que fica atrás de conversas com amigos e familiares (32%). A TV é lembrada por 88% e continua em primeiro lugar. Em segundo vêm os jornais, com 54%, e rádio aparece em terceiro, com 52%. O Datafolha ouviu 10.905 eleitores em 379 municípios de todo o país (exceto Roraima). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O CONCEITO DE MARKETING POLÍTICO/ELEITORAL


Em 1952, o marketing político surgiu com o seu formato mais moderno nos Estados Unidos com o partido dos Republicanos na Campanha do general Eisenhower mediante contratação da agência de publicidade BBDO (Batten, Barton, Durstin e Osborne). FIGUEIREDO (2000, p.16).
Naquela época, surgiam as primeiras regras da comunicação política, como a USP (Unique Selling Proposition), dizendo que em cada peça publicitária do candidato, deveria ser vendida apenas uma idéia como uma proposição, como afirma FIGUEIREDO (2000,p.17). Para se falar de marketing político, primeiro há uma necessidade para conceituar o marketing.
YANAZE (2007,p.7) diz que a American Marketing Association (AMA), a mais antiga associação de profissionais e pesquisadores ligados à atividade, assim define marketing como:
“o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preço, promoção e distribuição de idéias, bens e serviços, para criar trocas que satisfaçam objetivos individuais e organizacionais (AMA,2004)”.
Por um outro lado, KOTLER (2003,p.8) afirma que marketing é um conceito de mercado onde indivíduos realizam trocas de produtos que necessitam e desejam.
O conceito de mercado acaba por nos levar ao conceito de marketing. Marketing significa administração de mercados para efetuar trocas e relacionamentos com o propósito de criar valor e satisfazer necessidades e desejos. Assim, voltamos à nossa definição de marketing como um processo administrativo e social pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam, por meio da criação, oferta e troca de produtos e valor com terceiros.
Dessa mesma forma, o marketing político efetua troca e relacionamentos com o propósito de criar valor para um certo candidato, e satisfazer as necessidades e desejos do eleitorado. Segundo FIGUEIREDO (2000, p.14)
“O marketing político como um conjunto de técnicas e procedimentos cujo objetivo é avaliar, através de pesquisas qualitativas e quantitativas, os humores do eleitorado para, a partir daí, encontrar o melhor caminho para que o candidato atinja a maior votação possível”
Seguindo a linha de raciocínio de FIGUEIREDO, percebe-se que o marketing político é bem amplo e complexo, exigindo, assim, uma sequência que consiste em análise do clima de opinião que se baseia em análises de conjuntura, do quadro político e dos adversários. O planejamento e a realização das pesquisas tanto qualitativas como quantitativas, é essencial. Análise das pesquisas e elaboração da estratégia é a segunda etapa. A definição dos mais eficazes meios de comunicação para se atingir os objetivos faz parte da terceira etapa. A partir dai, surgem novas necessidades de pesquisas para aferir a eficácia do caminho escolhido e, se necessário, corrigir o que já estava anteriormente planejado. Percebe-se que esse conjunto de ações que se somam e finalizam, são algumas estratégias usadas do marketing político para se vencer uma eleição.
YANAZE (2007,p.482) define vários conceitos no campo do marketing do setor público, mas o que interessa para este estudo são dois conceitos: marketing político definido por ele como marketing político partidário e marketing eleitoral.
No marketing político partidário, o candidato ao cargo parlamentar constrói sua imagem e posicionamento, fortalecendo-a dia-a-dia com o eleitorado. A relação direta com o eleitorado faz a diferença para que o torne popular e, assim, cria-se um ambiente político favorável para elegê-lo a um cargo público.
Ainda, YANAZE (2007,p.482) cita de forma direta o conceito de marketing político partidário:
“é um processo de longo prazo, praticado pelo partido político, destinado à construção e ao fortalecimento de uma boa imagem pública na sociedade, em busca de adeptos e simpatizantes, criando condições favoráveis para eleger seus candidatos”.
Nesse mesmo sentido, há autores que afirmam de maneira diferente seus pontos de vista, como MANHANELLI (2006, p.14), alegando que as muitas formas variadas de definir o marketing político ficam restritas à compreensão desse processo como ações simplesmente eleitorais, e diz ”…é dirigido a quem receberá as ações políticas ou sociais derivadas dos mandatários dos cargos executivos e legislativos”. Contudo, o contexto se encontra na mesma linha de pensamento de YANAZE(2007) e KOTLER(2000)
O período eleitoral consiste em três meses a começar por julho, com data prevista para o término no dia da eleição do dia três de outubro. No marketing eleitoral, o candidato tem pouco tempo para persuadir seus eleitores com a campanha eleitoral. MANHANELLI (2004, p.57-58) coloca que, no marketing eleitoral, os eleitores terão de ser convencidos a votar neste ou naquele candidato.
YANAZE (2007,p.482) diz que no marketing eleitoral o candidato é comparado a um produto. É bem verdade que ele precisa ser “vendido”, ter uma boa “embalagem” e “ganhar” o cliente, mas, nesse caso, o “produto” tem que conquistar o voto do eleitor e ganhar a eleição. Se o candidato é como um produto, a sua embalagem precisa ser bem elaborada para conseguir criar uma boa imagem e, assim, a aprovação do eleitorado. Tal aprovação se baseia na criação de um clima político forte, conquistado dia-a-dia, favorável para o candidato. De acordo com Yanaze, a consequência dessa conquista é um marketing político partidário bem consolidado ao longo do tempo.
Apesar do marketing político ser diferente do marketing comercial/empresarial, percebe-se que as ferramentas do marketing empresarial podem ser usadas e estão contidas no marketing político, mas ambos possuem objetivos bastante diferentes. Dentre seus objetivos, conforme autores como Kotler, Yanaze, Manhanelli e Figueiredo conceituaram as definições de marketing e marketing político, o marketing comercial/empresarial acaba possuindo semelhança com o marketing político quando ambos buscam e utilizam suas estratégias para a conquista da satisfação e fidelização do cliente/eleitor ou vice-versa.
Satisfazer o eleitorado é tarefa de um candidato ou partido político para conseguir a vitória eleitoral e, com isso, o candidato, como líder comunitário, trabalha buscando políticas públicas em função de seu eleitorado/cliente. No trabalho de um líder comunitário, ele pode envolver pequenos grupos, ou até mesmo muita gente, agindo de uma forma específica,

terça-feira, 9 de novembro de 2010

MARKETING CHEGOU PELA VIA MINEIRA


Desde Celso Mello de Azevedo, o primeiro candidato a usar publicitários, em 54, técnicas pouco mudaram; internet ainda é incógnita
Dominante na campanha eleitoral de 2010 e transformado em produto de exportação, o marketing eleitoral chegou ao Brasil por Minas Gerais há mais de meio século, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, em 1954. Temendo uma derrota esmagadora, Magalhães Pinto - um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN) que depois seria governador do Estado e um dos chefes civis do golpe de 64- encomendou à agência de publicidade que atendia o antigo Banco Nacional, de sua propriedade, a campanha de seu apadrinhado, Celso Azevedo.
O engenheiro de 40 anos, neófito na política e desconhecido da população, tinha a missão de enfrentar Amintas de Barros, candidato do PSD, de perfil populista e apoiado por Juscelino Kubitschek, na época governador de Minas, e pelo PTB do então presidente Getúlio Vargas - uma aliança quase imbatível. Até então, não havia a atuação profissional de publicitários em campanhas eleitorais brasileiras, ainda marcadas pelo amadorismo, improvisação e instinto. Mesmo no Primeiro Mundo, o marketing político era uma novidade.
Para reverter a desvantagem do udenista, o publicitário João Moacir de Medeiros copiou técnicas da que é considerada a primeira campanha eleitoral do mundo a ter uma agência de propaganda a seu serviço - a do general Dwight Eisenhower, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos em 1952, e conhecida pelo slogan I like Ike ("Eu gosto de Ike", apelido de Eisenhower). Uma delas foi o recurso a pesquisas de opinião.
Algumas sondagens indicaram que a população preferia um engenheiro para a solução dos problemas a um advogado de oratória cativante. A campanha se baseou em propostas factíveis, como a ampliação do transporte coletivo para os bairros mais distantes e o calçamento de ruas. "Os consultores de Azevedo transformaram a eleição em um debate dos problemas locais, retirando os aspectos ideológicos", diz Heucimara de Souza Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista no assunto, para quem o grande mérito da campanha udenista foi personalizar. "Quando o tal Amintas se deu conta, não tinha mais como reverter."
Nem mesmo o apelo emocional pelo suicídio do ex-presidente - em agosto, dois meses antes da votação - evitou a derrota de Amintas. O PSD mineiro e o PTB chegaram a explorar o fato, lançando um folheto no qual o candidato e Vargas apareciam abraçados. "Um voto no Amintas é uma pétala de rosa no túmulo de Getúlio", dizia o folheto. Mas, para a surpresa dos próprios idealizadores, Azevedo venceu o candidato de JK e Vargas.
Internacional
Como ferramenta eleitoral, a publicidade ganhou força no Brasil a partir do processo de redemocratização, nos anos 80. Especialistas concordam que, nas últimas duas décadas, marketing e eleição se tornaram quase indissociáveis. Ao longo da sua história, o marketing político brasileiro deixou símbolos. Um deles foi a vassourinha de Jânio Quadros, que iria varrer a corrupção do País, na eleição para a Presidência da República em 1960, até hoje no imaginário e na memória nacionais. Outro foi a campanha de Tancredo Neves na eleição indireta de 1985. "Era uma campanha atípica. Você tinha de convencer o povo a fazer pressão no Colégio Eleitoral para votar em Tancredo. Era uma triangulação de votos", diz Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP).
Um terceiro exemplo foi a própria campanha presidencial de 1989, quando o marketing ocupou, pela primeira vez, lugar central na campanha pelo Palácio do Planalto. Nela, o ex-governador de Alagoas Fernando Collor de Mello virou o "caçador de marajás" e se lançou pelo nanico Partido da Reconstrução Nacional (PRN).
"Foram usados os instrumentos de televisão para, dentro do marketing eleitoral, ressaltar as qualidades do herói", observa Manhanelli.
Collor foi eleito no segundo turno, derrotando um Lula bem mais radical do que a bem-sucedida versão "paz e amor" do petista apresentada pelo marqueteiro Duda Mendonça em 2002.
Mais de 50 anos depois da eleição em BH, com a experiência de já ter participado de campanhas em oito países africanos e na América Latina, Manhanelli destaca que o Brasil agora exporta experiências de marketing político e eleitoral. Segundo ele, o know-how nacional está relacionado às constantes mudanças nas leis.
"Somos obrigados a usar toda a capacidade de adaptação e criatividade para poder incluir as técnicas de campanha para a eleição daquele ano. Nos EUA, há 120 anos, a lei é idêntica. Então, você faz campanha do mesmo jeito", explica Manhanelli.
Ele ressalta que a novidade das eleições deste ano é a utilização, de fato, da internet como ferramenta de marketing. Para Manhanelli, contudo, ainda é cedo para falar da eficácia da web. "Essa campanha se tornou um grande laboratório, onde estão sendo testadas todas as ferramentas da internet." Para o publicitário, ainda é cedo para dizer qual a influência efetiva da web em campanha eleitoral no Brasil. "É a primeira vez que a web está sendo usada, em sua plenitude", diz. "Todo mundo está testando tudo. Já se sabe, por exemplo, que a arrecadação no Brasil por meio da internet não alcançou os resultados da campanha de Obama."

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,marketing-chegou-pela-via-mineira-,631771,0.htm

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DITADURA DO MKT ESTERILIZA DEBATE

Entrevista para o Jornal "O Estado de São Paulo. Domingo 31 de Outubro de 2.010.
Para especialistas, campanha foi uma das piores da história e candidatos se limitaram a cumprir seus scripts

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo

Candidatos engessados pelo marketing, com discursos parecidos, que nem sequer apresentaram programas de governo, debates com regras que emperram a discussão de propostas. Para especialistas, esta foi uma das piores campanhas eleitorais da história. A única que conseguiu se desvencilhar um pouco da ditadura do marketing, justamente por ter menos a perder, foi Marina Silva. "Ela pôde ser mais solta, porque não estava engessada; José Serra e Dilma Rousseff não fizeram nada que o marketing político não tivesse pré-aprovado", diz o cientista político Cesar Romero Jacob. "Dilma e Serra não conseguiam ter mais empatia com o público porque tinham decorado um texto, precisavam entrar no personagem."
Cientistas políticos não economizam em exemplos desse marketing que pasteuriza campanhas: o vai-e-vem de Dilma na questão do aborto e o surto de religiosidade de Serra, com distribuição de santinhos; o isolamento da petista em cercadinhos no primeiro turno, para afastar a imprensa, e a infeliz favela cenográfica do início do horário eleitoral tucano.
"Essas eleições devem estar batendo algum recorde de falta de discussões, de vazio de propostas", diz Vitor Paolozzi, autor do livro Murro na Cara: o Jeito Americano de Vencer Eleições. "Mas acho que nos EUA não é muito diferente. A Mary Matalin, assessora republicana, confessou que nas eleições de 1992 o programa de governo do Bush pai foi dado por terminado quando ficou com uma página a mais que o do (Bill) Clinton."
Paolozzi culpa também a imprensa pelo vazio da campanha. "Se depender das campanhas, as discussões serão sempre em torno de qual candidato tem o sorriso mais branco, cabe à imprensa cobrar", diz. O ex-prefeito do Rio Cesar Maia, candidato derrotado ao Senado pelo DEM e estudioso do marketing político, tem críticas ácidas. "Tivemos uma eleição de marketing político primário, típico de 50 anos atrás na América Latina, com o caudilho orientando o eleitor", diz. "Foi despolitizador: vote em mim porque ‘papá’ pede."
Para marqueteiros, um dos principais erros tucanos foi a demora de Serra para entrar na campanha, que deu uma vantagem à rival petista. O grande discurso de Serra – contra a inexperiência de Dilma – foi abalado pelos meses à frente que a petista teve para apresentar aos eleitores seu "currículo".
"Tivemos um ambiente plebiscitário, típico de reeleição, o que favoreceu Dilma, uma vez que Lula tem mais de 80% de aprovação", diz Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.
Na hora de determinar a imagem dos candidatos, as campanhas também falharam. Normalmente, marqueteiros enquadram candidatos em uma de quatro categorias. Ele pode ser o "herói", como o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que tinha "aquilo roxo", caçava marajás, decidia e resolvia. Pode ser também o pai (ou mãe), como Getúlio Vargas, o defensor dos pobres. A terceira opção é o candidato "líder charmoso", como Juscelino Kubitschek, que conquistava com sua elegância e carisma. Ou pode ser o "homem simples", imagem encampada por Lula: "Se eu posso chegar lá, todos nós podemos." Para Manhanelli, os dois candidatos erraram ao adotar o mesmo discurso: de pai (no caso de Dilma, mãe).
Dilma aparece como mãe dos fracos e necessitados, "a mãe do PAC", a "mulher do Lula", com uma voz mais aveludada, que vai só continuar o que Lula fez. Dilma vem cuidar do povo e dar continuidade às ações do homem simples. Serra, em vez de se apresentar como herói, que iria resolver os problemas que Lula não resolveu, investiu na imagem de pai.
"Os dois adotaram discursos idênticos, de continuidade", diz o consultor. "Só que, com os dois se apresentando como a continuidade, a Dilma terá lastro maior, de Lula."
Para Manhanelli, João Santana, o marqueteiro do PT, conseguiu criar esse ambiente plebiscitário. "Temos uma campanha morna porque se trata apenas de sim ou não ao Lula", diz. "Se Serra tivesse se apresentado como herói, resolvedor, poderia incluir o programa na discussão."
Os debates na TV não cumpriram a função de ajudar os eleitores a escolherem seus candidatos. No início, não permitiam a réplica dos jornalistas. Era impossível contestar as respostas dos candidatos. No segundo turno, ficou ainda pior – jornalistas não podiam nem perguntar.
Temas. Nos EUA, o formato dos debates é bem diferente. Há espaço para réplicas e muitos são divididos por temas – política externa, saúde, economia.
Jacob lembra que a campanha de presidencial de Lula em 2002 foi das mais bem-sucedidas. Depois de três derrotas, ele seguiu a fórmula de Collor e de Fernando Henrique Cardoso de se articular com as oligarquias, os pentecostais, os populistas. E, com o "Lulinha paz e amor", afinou o discurso para a classe média, refratária a radicalismos do PT. "Depois das Havaianas, o Lula é o grande case de reposicionamento de marca", diz Jacob.
Nesta eleição, foi Marina quem conseguiu posicionar bem "seu produto". "Marina não ficou falando para ambientalistas, porque isso é como fazer sanduíche de pão com pão, eles já estavam com ela." Segundo Jacob, Marina jogou com a ideia de despolarização. "Teve o apoio de tucanos insatisfeitos com a campanha de Serra porque o tucano escondeu o Fernando Henrique, e o petista decepcionado, que em 2006 estava com Heloísa Helena e Cristóvão Buarque."
Já a campanha da Dilma repete 2006 – voltada para o centro político no primeiro turno, no segundo ela precisava pegar o eleitorado à esquerda do PT. A ênfase antiprivatização fez parte disso, assim como o anúncio de apoio do cantor Chico Buarque e do deputado Marcelo Freixo, do PSOL.
Em toda a campanha, a ênfase de Dilma foi falar ao eleitorado das classes C, D e E que quer ser incorporado à sociedade de consumo. Tudo isso se baseou na política de Lula do Bolsa-Família, do crédito consignado e dos aumentos reais do salário mínimo. Já o eleitor de Serra é mais conservador e sensível a questões como ética e corrupção.
"Dilma joga com o desejo da população de ter TV de LCD", diz Jacob. "Serra fala de ética, para classes que já têm os bens materiais."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ENTREVISTA A IMPRENSA AMERICANA




Brazil election: Lula's legacy set to propel Dilma Rousseff to victory
As voters go to polls for the Brazil election today, support from popular outgoing President Luiz Inácio Lula da Silva is expected to propel candidate Dilma Rousseff to victory.

By Andrew Downie, Correspondent / October 3, 2010

Rio de Janeiro
Brazilians face an unfamiliar ballot today when they enter polling booths to elect a new president. For the first time since the end of the dictatorship in 1985, the name Luiz Inácio Lula da Silva will not be on it.

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Brazil election tightens as Dilma Rousseff slips in polls Brazil: Where a shoeshiner became president Brazilian President Lula: BRIC countries must forge a transparent system of global governance Mr. da Silva, known widely as "Lula," cannot run for a third consecutive term. Yet he remains the most important figure in this year's race. His 80 percent approval rating and enthusiastic support for Workers' Party (PT) candidate Dilma Rousseff nearly guarantees her victory.

"The PT made it a plebiscite: If you like Lula, then vote for it to continue under Dilma," says Carlos Manhanelli, president of the Brazilian Association of Political Consultants. "She can tell her tailor to prepare her dress for the inauguration."

Polls show she will garner close to 50 percent of the vote, far ahead of her closest challenger, José Serra of the Brazilian Social Democratic Party. And she remains the clear favorite even amid a series of ethics scandals hitting the PT and one of her closest collaborators – underscoring the general approval of Lula's leadership.

Lackluster candidates
Simply put, Brazilians want Lula, whose charisma is unmatched by Mr. Serra or Dilma, as everyone in this informal nation knows the former energy minister. She is seen as authoritarian and harsh, and although she was one of the few Brazilians courageous enough to fight against the military dictatorship, she only joined PT in 2001 and has never run for office. In contrast, Serra has a long political career, serving as governor of Brazil's most populous state and then as health minister. But he is no more likable than his opponent.

Both candidates are essentially vying to show they can continue the prosperity found during Lula's eight-year term. Under his watch, inflation remained low and debt fell, while trade increased and bolstered foreign reserves to record levels. Confirmation of the country's newfound economic respect came from international ratings agencies, who last year awarded Brazil investment grade for the first time.

Lula stimulated spending, freed up credit, and injected money into previously moribund parts of the economy through a nationwide program that pays mothers to keep their kids in school and vaccinate their babies. More than 40 million people have benefited from the Bolsa Familia (or Family Aid) program, creating a trickle-up economic model that gave the poor disposable income for the first time.

The global economic crisis caused only ripples here. Jobs disappeared and sales dropped, but Brazil did not suffer the home repossessions, failing businesses, and redundancies that demoralized much of Europe and North America. The economy is expected to grow 7 percent this year.

Why didn't Lula do more?
But amid such incredible growth, critics question why Lula did not seize the moment to implement more reforms. Brazil's education standards remain pitifully low, corruption is endemic, and violent crime remains unacceptably high. Moreover, Lula failed to implement pressing tax, social security, labor, and union reforms.

"Lula has an 80 percent approval rating but he hasn't used that mandate to make tough decisions and push through the necessary reforms," says Oliver Stuenkel, a visiting professor of international relations at the University of São Paulo. "He's missed a great opportunity."

He's also been lucky. Brazil, with its abundant commodities, has become the world's No. 1 producer or exporter of beef, chicken, coffee, soybeans, sugar, and iron ore. Oil, too, has recently emerged as a major source of jobs and income. The sector got a huge boost in 2007 with three major discoveries off the Atlantic coast. The presalt fields, so named because they are found under more than 5,000 meters of sea, rock, and salt deposits, contain at least 12 billion and perhaps as much as 50 billion barrels of oil.

Next steps
All that has given Brazil a more prominent role in world affairs and Lula has seized on it. Brazil's troops have anchored peacekeeping efforts in Haiti, negotiators have been influential in climate and trade talks, and diplomats have sought to broker peace deals in Honduras, Iran, and between feuding Colombia and Venezuela. As if to crown its arrival on the world stage, Brazil will host the 2014 World Cup and 2016 Olympics.

A hero at home and revered abroad for his work slashing income inequality, Lula has said he may now take a position at an international body, help Africa, or advise Ms. Rousseff – a move sure to be welcomed by most Brazilians.

"The principal explanation that so many people want to maintain the status quo is that the economy is doing well," says João Augusto de Castro Neves, a political analyst with CAC Political Consultancy. "It's like Clinton's slogan in 1992: It's the economy, stupid."

http://www.csmonitor.com/World/Americas/2010/1003/Brazil-election-Lula-s-legacy-set-to-propel-Dilma-Rousseff-to-victory

sábado, 23 de outubro de 2010

AULA DE MKT ELEITORAL


ENTREVISTA A REVISTA VEJA





Manhanelli fala sobre marketing político e eleitoral à VEJA
programa Veja Entrevista com o jornalista Augusto Nunes, na sexta-feira (22)


O Profº MS. Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos) concedeu entrevista ao jornalista Augusto Nunes para o programa Veja Entrevista, nesta quarta-feira (20). A entrevista teve como tema o marketing político e eleitoral no Brasil.

Manhanelli que já escreveu 11 livros sobre marketing político abriu a entrevista definindo antes de tudo o que é Marketing “Hoje qualquer coisa que se venda as pessoas já acham que é marketing. O nome em si já traduz o significado- mercado em ação. Ou seja, marketing é o estudo do movimento do mercado”, salientou.

Marketing eleitoral x Marketing político

Muitos confundem marketing eleitoral e marketing político. Questionado pelo Jornalista, Manhanelli esclareceu que há diferença entre os dois conceitos. O marketing eleitoral é uma tarefa é o momento da conquista do voto. É quando a campanha deflagra e termina no dia da eleição.

Quanto ao marketing político é uma missão. Ele nasce com o político e morre quando perde o mandato. Usa-se marketing porque enquanto político tem que atender as reivindicações, os anseios do eleitorado. Não quer dizer que o político é um produto, mas uma referência que tem demanda.

O professor ressaltou ao entrevistador que para ser um especialista faz-se necessário conhecer comunicação, ciência política, marketing e propaganda. “Meu currículo vasto não é à toa”, respondeu sorrindo para Augusto Nunes.

E o debate entre candidatos? Perguntou Augusto Nunes. Manhanelli disse que é puramente marketing eleitoral. “O debate tem a função de conquistar eleitores e não ganhar a eleição”. Como dizia Sergio Arapuã " Debate não é arena, debate é passarela"

Durante a entrevista, falando sobre a imagem do político, Manhanelli citou Jânio Quadros como um dos fenômenos eleitorais que são únicos e não servem de exemplo para outros políticos. Ele fez menção às quatro imagens citadas pelo escritor Roger-Gérard Schwartzenberg, em seu livro "O Estado Espetáculo", onde aponta as imagens que o candidato passa para o eleitor. São elas: Herói, pai, líder charme e homem simples. “ E Jânio não se encaixa em nenhuma dessas imagens” argumentou.

Marqueteiro x Marquetólogo

Indagado pelo repórter sobre a profissão de “marqueteiro”, Manhanelli frisou que a expressão correta é marquetólogo, uma vez que na Língua portuguesa a terminação “eiro” é depreciativa em qualquer profissão e essa questão é antiga vem desde a colonização, quando fomos tratados de “brasileiro” o que remete uma classificação pejorativa.

Outra questão levantada por Augusto Nunes foi sobre a importância da inserção na TV. Para o especialista, a inserção é mais importante que programa eleitoral. Isto porque, a inserção pega o telespectador de surpresa, no meio de um programa de grande audiência. Já o programa eleitoral há um horário definido e o eleitor pode escolher se assiste ou não.

Quanto às restrições a propaganda eleitoral. Manhanelli salientou para analisar de fato é necessário fazer um levantamento histórico. O professor contou que há duas datas marcantes para o início da atividade no Brasil. Em 1954, com a campanha de Celso Azevedo, em Belo Horizonte, onde foram utilizadas as primeiras técnicas de marketing eleitoral e a campanha de Jânio Quadros que foi o primeiro político a usar a televisão como meio de comunicação para campanha eleitoral.

Na época de ditadura a televisão e do rádio são usados como instrumentos para reafirmar o regime ditatorial. Continuando a história, Manhanelli citou que em 1974, fez sua primeira campanha para senador do PMDB, o qual o candidato obteve vitória. Nessa campanha, a televisão foi utilizada como ferramenta para mostrar todas as mazelas do país.

Diante disso, o poder percebe e instaura a lei falcão (1976) proibindo que as imagens fossem exibidas na televisão. E essa determinação dura até 1989.

Em seguida veio a campanha de Fernando Collor que utilizada na televisão todos os recursos possíveis montagem, trucagem e outros. Saindo da campanha de Collor, entra a do Fernando Henrique Cardoso. Daí percebe-se que usando tudo quem leva a vantagem é a oposição ( Caravana da Cidadania - Lula) e fica proibido o uso da imagem externa no programa eleitoral.

Campanha 2010

Augusto Nunes pede ao especialista que avalie a campanha de 2010 quanto ao trabalho dos marquetólogos pelos seus conceitos. Manhanelli salientou que há erros primários em ambos. Mas, frisou que esses conceitos não são só dele, mas também dos membros da IAPC (The Internacional Association of Political Consultants) na qual é integrante.

Por exemplo, a candidata Dilma começou sua campanha apresentando uma imagem de heroína, aquela que veio para resolver os problemas. Daí gerou uma contradição, que problema que seu antecessor vai deixar (Lula)? Depois ao perceber essa situação, ela muda de imagem e aparece como mãe dos fracos e necessitados. Com uma voz mais doce. Ela vem cuidar e dar continuidade as ações do homem simples. Já no segundo turno, ( no primeiro debate) a imagem da Dilma muda novamente. Ela volta a ser a heroína gerando dúvidas para o eleitor.O que é uma incoerência na opinião do professor.

No caso de Serra, o marquetólogo apostou na imagem de pai. Aquele que vai dar continuidade ao que lula fez. Na opinião de Manhanelli, ele deveria ter afirmado a imagem de herói o que resolveria todos os problemas deixados pele opositor (Lula). Mas, a estratégia certa foi manter essa postura até agora sem deixar dúvidas para o eleitor.

O repórter perguntou se a eleição terminasse hoje qual a previsão? Manhanelli respondeu que nenhuma, a campanha está equilibrada e como já é sabido por todos qualquer coisa pode acontecer e virar em 24h.

Indagado sobre qual político do Brasil que mais soube usar o marketing político e eleitoral Manhanelli falou da campanha mais difícil e o maior exemplo de marketing político, em sua opinião, até hoje foi a campanha de Tancredo Neves. Era preciso convencer a população a fazer uma pressão no colégio eleitoral para votar nele. Não havia voto direto. “Foi uma triangulação de voto”, finalizou.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Campanha prioriza Marina e estados


Entrevista ao DCI


DIÁRIO COMERCIO E INDUSTRIA
13/10/10 - 00:00 > POLÍTICA


Campanha prioriza Marina e estados

anderson passos


SÃO PAULO - O foco dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) neste segundo turno deve se voltar aos aliados nos estados. Além disso, as campanhas devem se preocupar em incorporar as principais propostas da candidatura do PV e sobretudo conquistar o apoio da presidenciável do partido, Marina Silva, derrotada no primeiro turno com cerca de 20% dos votos do eleitorado. Essa é a opinião de cientistas políticos ouvidos pelo DCI. Para o consultor da MCM Marcelo Ribeiro, Serra tem de olhar com atenção estados como Minas Gerais e São Paulo. "São os dois maiores colégios eleitorais do País e são estados considerados reduto tucano, mas onde Dilma conseguiu superar Serra. Então tem de investir com cuidado e força nessas duas frentes. "O consultor entende que, livre da campanha de Antônio Anastasia ao governo de Minas e da disputa ao Senado, o ex-governador Aécio Neves será uma peça-chave na campanha de Serra. Para ele, a saída de Aécio Neves do processo de escolha do presidenciável tucano, no começo do ano, deve ser superado. "Aquele caso das prévias sugeridas pelo mineiro para a escolha do candidato à Presidência será esquecido. Se o Aécio realmente entrar de cabeça na campanha, o eleitor vai esquecer aquele episódio e apoiar o Serra", prevê. O professor Carlos Manhanelli concorda e diz que, neste momento, Aécio é uma "moeda excelente" a favor dos tucanos. "E, num eventual governo tucano, ele sabe que pode se tornar um grande líder. Ele pode negociar com o PSDB, reivindicando de ministérios à possibilidade de concorrer em 2014. Por isso não desperdiçará essa oportunidade", defende.

Marina

Enquanto Manhanelli defende que a adequação dos programas de governo às propostas defendidas pelo PV pode garantir a transferência de votos para os candidatos, Ribeiro acredita que o apoio formal da senadora do Acre é suficiente para atrair parte significativa dos setores do partido e para levar seus eleitores a apoiarem o PT ou o PSDB. "Dialogar com o PV e com a senadora Marina Silva é, de fato, importante. Mas fazer um movimento na linha programática, de incorporar ao programa de governo projetos sugeridos pelo PV, é a maneira mais eficaz de atrair apoio", afirma Manhanelli. Ribeiro defende, no entanto, que Marina tornou-se uma figura maior do que o PV e que o foco das ações de PT e PSDB deve ser a senadora. "Quem realmente mais importa é a Marina Silva. O PV ainda é um partido pequeno. O partido que conseguir o apoio formal dela no segundo turno tem muito mais chances de transferir votos na eleição", defende o consultor. Ribeiro, no entanto, acredita que Marina não apoiará formalmente nenhum candidato e que o PV deve liberar seus filiados para votar como quiserem em 31 de outubro.

Demonização

O crescimento do tema do aborto na campanha eleitoral, sobre o qual Dilma já divergiu de si mesma publicamente, ora emitindo opinião favorável, ora em contrário, é uma das armas da campanha de Serra contra o PT. "Quando o PSDB muda o slogan para 'Serra é do bem', fica claro que essa polêmica em torno do aborto seja uma linha auxiliar de uma campanha de demonização da candidata do governo", sugere Manhanelli. Ele lembra que os eleitores católicos e evangélicos, quando defrontados com o tema, mantêm uma postura sectária, de difícil reversão. Ribeiro sugere que o PT está experimentando agora, com a questão do aborto, uma estratégia concebida por ele em 2006. "Nas eleições presidenciais de 2006, o PT fez uma grande campanha para vincular o PSDB às privatizações. E, por mais que o candidato Geraldo Alckmin fosse à televisão rejeitar aquela ideia de privatização do Banco do Brasil ou da Petrobras, por exemplo, o presidente Lula acabou eleito. Esse fenômeno pode se repetir agora", prevê.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Debate sobre aborto e religião pode favorecer Serra, dizem analistas


JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
15 de outubro de 2010 16h 42

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, Dilma tem a perder ao assumir postura mais agressiva

Para especialistas, Dilma tem pouco a ganhar com postura ofensiva
Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que o debate centrado em questões como aborto e religião favorece o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, enquanto que a adoção de uma postura mais agressiva faz com que a petista Dilma Rousseff perca terreno.
As primeiras pesquisas para o segundo turno, em 31 de outubro, mostram uma redução da vantagem de Rousseff sobre Serra.
"No fundo, a sociedade brasileira é muito conservadora", diz o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas. "Quando Dilma assume uma postura mais agressiva, desperta um receio que havia em relação ao PT dos anos 80, que era um partido mais polêmico."
Na opinião de Caldas, a petista ditou o ritmo do primeiro turno - e teve vantagem - ao centrar o debate no confronto de realizações entre o governo federal (do qual ela foi ministra) e o de São Paulo (que teve Serra como governador).
"Isso causava um prejuízo muito grande ao Serra, porque é difícil mostrar coisas feitas em São Paulo a pessoas do Nordeste", afirma o professor da UnB.
Já no segundo turno, segundo Caldas, o candidato do PSDB ganhou espaço ao determinar o ritmo do debate, colocando o foco sobre valores pessoais, moral e religiosidade.
"Serra foi muito feliz quando percebeu uma oportunidade nisso, fazendo com que ela (Dilma) mostrasse os seus valores", afirma. "As pessoas estão assustadas porque, no fundo, elas não conhecem a Dilma."
Acirramento da disputa
Para o cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Geraldo Tadeu Monteiro, o debate em torno da moral e da religião deve afetar uma parcela pequena do eleitorado. No entanto, ele acredita que, com o acirramento da disputa e a redução na diferença entre os candidatos, o voto católico ou evangélico pode acabar sendo decisivo.
"Em um contexto de disputa acirrada, ter 5% ou 6% de católicos mais fervorosos mudando de opinião, ou de 12% a 15% de evangélicos trocando de voto, pode virar a eleição", diz Monteiro, que também vê Serra como beneficiário do debate em torno de valores morais.
Para ele, o que pode ter ainda mais influência é a tentativa de Serra impor a Dilma uma imagem de "duas caras", ou alguém que muda de opinião. "Isto afeta um valor fundamental, que é o da confiança, causando no eleitor a impressão de que a pessoa, uma vez eleita, vai fazer o contrário do que disse antes."
O professor da Uerj também vê pouca chance de a candidata petista ganhar votos com a adoção de uma postura mais ofensiva. Segundo ele, isto tem mais a ver com a necessidade de Dilma mobilizar a militância e lideranças políticas e menos com uma estratégia para conquistar o eleitor médio.
Mudança de imagem
O consultor político Carlos Manhanelli acredita que Dilma errou ao aparentemente trocar, do primeiro para o segundo turno, a imagem de "mãe" dos "fracos e oprimidos" - que daria continuidade às políticas sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - por um mais agressiva, de "heroína", "executiva" e "guerreira".
"Esta troca sempre é prejudicial, porque você forma uma imagem no inconsciente coletivo do eleitor e, quando isto é modificado, ele fica em dúvida sobre qual reação o candidato terá", diz Manhanelli.
O consultor afirma que Serra também errou ao tentar, durante toda a campanha, vender uma imagem de "pai dos pobres" (em continuidade a Lula), em vez de adotar uma figura "heróica", de quem tenta resolver problemas deixados pelo antecessor.
No entanto, segundo Manhanelli, o tucano leva vantagem por ter mantido a aposta em uma única imagem durante a disputa, mesmo não sendo a ideal. "Serra, embora esteja com a imagem errada, ainda preserva uma tentativa de ser um 'pai', ao menos consolida uma imagem."
Manhanelli vê como natural, embora lamente, a mudança de foco entre os dois turnos. "No primeiro, se esgotam todos os argumentos de propostas de governo. Quando cai no segundo, vai para embate de vida, de história de cada um, de postura religiosa, moral, currículo. O segundo turno vem vazio."
O consultor também acha que, em termos de debate sobre religião e valores, Serra tende a ganhar mais votos que Dilma, mas ele não acredita que as últimas pesquisas reflitam esta questão.
Para ele, a ascensão do tucano se deve mais à adesão dos votos dados a Marina Silva (PV) no primeiro turno, independentemente da questão religiosa.
Mesmo vendo vantagem de Serra no debate religioso, Ricardo Caldas prevê uma disputa equilibrada até o fim entre os dois candidatos.
"A eleição não está ganha para nenhum lado", afirma o professor da UnB. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,debate-sobre-aborto-e-religiao-pode-favorecer-serra-dizem-analistas,625275,0.htm

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DEBATE UNIV. SÃO JUDAS TADEU


Manhanelli participa de debate na Universidade São Judas Tadeu sobre a cobertura jornalística das eleições

Entrevista está prevista para ir ao ar no canal da Universidade, dia 15 de outubro

Na última sexta-feira (08), o Prof° MS Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos) participou do programa Imprensa em Debate, dirigido e apresentado pelos alunos do quarto ano de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, campus Mooca. O encontro teve também a participação do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo. O tema do debate foi a cobertura jornalística nas ultimas eleições.

O Especialista em marketing político há 36 anos começou ressaltando que a cobertura eleitoral é um espetáculo, isto porque a eleição em si já é vista como uma festa para o povo. Manhanelli explicou que essa característica de espetáculo deve-se ao fato da televisão ser um veículo sintético e não analítico. Ou seja, não temos simples informações, mas um show de notícias.

O outro convidado, Augusto Camargo, presidente do sindicato dos jornalistas, salientou que a cobertura eleitoral está sendo contaminada pela visão de coberturas de outras editorias. Tais como: polícia, esporte etc. A eleição está sendo tratada como espetáculo, cujo objetivo é emocionar, causar comoção.


Redes Sociais

Questionado sobre a utilização das redes sociais nas eleições, Manhanelli frisou que é importante lembrar que no Brasil a campanha é diferente dos EUA. Aqui são 3 meses de campanha apenas, enquanto que lá são dois anos. E é o tempo que influencia a fomentação com os eleitores.

“No Brasil, a internet nunca teve uso pleno. A utilização desta ferramenta nas eleições deste ano foi um grande laboratório”, ressaltou. A internet precisa passar por segmentação, assim como passaram o Rádio e a Televisão.

Para Augusto Camargo, a internet não é popular ainda e para o jornalista não é um campo de liberdade de imprensa e sim de expressão.

Quanto ao veículo de comunicação assumir sua posição na eleição, ou seja, de que lado está, Manhanelli acha salutar. Ele citou que na França os jornais tomam posição logo no começo. Para o eleitor, quanto mais ele ficar sabendo que aquele veículo tem a tendência A ou B, ele vai ler a noticia de uma foram diferenciada. Acho muito saudável que cada veículo coloque pra quem ele está trabalhando

Mídias Alternativas


Sobre o papel das mídias alternativas, Augusto Camargo, argumentou que ao longo da historia sempre teve espaço para mídias alternativas. Não é um fenômeno novo, faz parte da nossa tradição a existência desses veículos. “É saudável numa sociedade ter pequenos veículos fazendo o contrapondo com os grandes jornais, ajuda a fazer a democracia se estabelecer de forma mais plena”.

Indagado se um político interfere em um veiculo de comunicação, Manhanelli diz que sim. Uma vez que as concessões dos grupos estão nas mãos deles. Ele ainda salientou que não há como fazer um jornalismo ético, é praticamente impossível. Existe dentro da empresa um esquema de como funciona a imprensa,ou o jornalista se submete ou está fora da empresa.

Para o presidente do sindicato, o jornalista é o que menos tem força para decidir algo, isto porque os veículos de comunicação estão se tornando grandes corporações. Cada vez menos o poder está nas mãos dos jornalistas e não são eles quem ditam o funcionamento da empresa, mas sim os bancos, as empresas coligadas, os acionistas e etc. “O caminho para a mudança é a legislação. Uma lei que imponha padrões, regras e limites. Hoje o Brasil tem a liberdade de imprensa mais clara do mundo, porque não possui uma lei de imprensa” frisou.

Para encerrar o debate, Manhanelli presenteou a biblioteca da Universidade com o seu mais recente livro, Marketing Eleitoral : O Passo a Passo do Nascimento de um Candidato, no qual consagra tudo que aprendeu ao longo de 36 anos de carreira
.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ANÁLISE DO DEBATE PRESIDENCIAL


Rede TV entrevista Profº Manhanelli sobre a postura dos candidatos presidenciáveis
A entrevista foi ao ar nesta segunda-feira (11) às 21h, na Rede TV News

O presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos), Profº Ms Carlos Manhanelli concedeu entrevista a repórter da Rede TV, Patrícia Zorzan, na tarde de segunda-feira (11).A avaliação do professor quanto ao debate de domingo (10) entre os candidatos a presidência da república Dilma e Serra foi o tema da entrevista.

Com a postura de ataque da candidata Dilma (PT), Manhanelli ressaltou que o candidato Serra (PSDB) foi pego de surpresa isso ficou claro na reação e nas repostas dele. Dilma mostrou uma imagem de guerreira, de heroína. Assim, ela conseguiu agradar militantes, mas não ganha votos, salientou o professor.

O Especialista em marketing político, ressaltou que em sua opinião o debate teve duas vitórias. A da Dilma enquanto consolidação política de uma imagem aguerrida que vem para resolver as coisas, ganhou a militância. Mas, quem ganhou os eleitores foi o Serra.

Para Manhanelli, a postura de quem ataca dificilmente ganha indecisos e aquele que conseguiu falar de propostas com uma linguagem mais acessível foi com certeza quem ganhou mais votos.

Questionado sobre o que deve ter acontecido para a mudança de postura de Dilma, o professor argumentou que nada em campanha eleitoral acontece sozinho com certeza alguma informação interna existe para mudança de comportamento e na estratégia de Dilma. “As pesquisas internas devem estar mostrando outra realidade que não a do instituto de pesquisa de televisão”, frisou.

Manhanelli acrescentou que pode ser que uma pesquisa qualitativa tenha mostrado que a postura de Dilma “paz e amor” não foi bem aceita pela população. Desta forma, retorna a imagem de heroína não somente para colocar a militância mais ativa, mas também de apresentar uma nova fase da Dilma que é a Dilma verdadeira, executiva e que resolve problemas técnicos e não a Dilma política.

A repórter questionou se essa imagem de ataque da Dilma afugenta o eleitor. O especialista respondeu que sim, uma vez que a Dilma começou aparecendo como heroína depois percebeu que tal imagem não dava continuidade ao governo Lula, então passou a ter uma imagem de grande mãe dos mais pobres. E agora no segundo turno, retorna como heroína.

“Essa mudança de imagem é muito ruim, pois uma construção de imagem é construída com hábito, com freqüência. Quando se começa a mudar muito a imagem, a população começa a pensar qual é a verdadeira imagem do candidato? Após o debate, o que temos que ver qual a imagem que foi passada para o eleitor. Qual a repercussão que vai ter esse debate?”ressaltou Manhanelli. .

O professor citou que Dilma estava nervosa gaguejou durante o debate e Serra foi pego de surpresa. O que demonstrou não ser mais aquela pessoa que tinha resposta para tudo.

O Serra não estava preparado para atacar ele foi para o debate esperando que ia encontrar a Dilma de antes, com doçura na voz, mas pelo contrário, a Dilma foi com postura guerreira, uma postura agressiva que também é nova pra a população.

Para Manhanelli não se pode afirmar se foi uma tática suicida ou uma nova estratégia derivadas das estatísticas, faz-se necessário ter acesso as pesquisas para saber o motivo da mudança abrupta de imagem e isso só quem pode dize é quem está fazendo o marketing da Dilma .

Indagado se a militância da Dilma acomodou-se durante a campanha, Manhanelli acredita que na verdade estavam de “salto alto” achando que a campanha estava ganha. Com a nova postura da Dilma, com a imagem de executiva, que resolver resolvendo, ela mostra o verdadeiro estilo de Dilma ser e assim com certeza conseguiu sacudir a militância e mostrar que é preciso ir as ruas e ganhar mais votos. “A pior coisa que pode acontecer numa campanha é o pensamento já ganhamos, antes de sair o resultado”, mencionou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ENTREVISTA NA REVISTA TIME - E.U.A

In Brazil, Lula's Heir Prepares for Power
By Andrew Downie/Sao Paulo Thursday, Sep. 30, 2010






Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva raises the arm of Dilma Rousseff, his former Chief of Staff and presidential candidate for the ruling Workers Party (PT), upon their arrival for a campaign rally in Campinas on September 18, 2010. Brazil's general elections are scheduled for October 3.



Few Brazilians outside the political elite knew much about Dilma Rousseff before the presidential election campaign got under way in July. As chief of staff to the massively popular President Luiz Inácio Lula da Silva, Rousseff had been a powerful behind-the-scenes figure who had also served as Energy Minister. But she had never had to win the hearts and minds of voters by running for political office. That was before Lula tapped her to succeed him.

In most countries, Rousseff might have been expected to use the last couple of months to tell voters what she stands for and how she plans to govern. But this is Brazil, and Lula is the most popular president in its history. Rousseff did not have to articulate a detailed election platform; she simply had to convince voters that she'll continue Lula's work. She has managed that with ease, and it has all but guaranteed she will become the leader of the world's fifth most populous nation and eighth most powerful economy.
(See "No Satire Please, We're Brazilian.")


"Lula has an 80% approval rating and those people want Lula to continue," said Carlos Manhanelli, the president of the Brazilian Association of Political Consultants. "Who is going to best provide continuity? Dilma. And the Workers' Party have... realized that if they can present her as Lula in a skirt, she will get elected."

With the election just two days away, Dilma, as everyone in this informal nation calls her, is polling around 50% — enough to guarantee her first place, and perhaps even the majority that would allow her to avoid a runoff ballot on Oct. 31.

If and when she does take office, it will cap a remarkable political ascent. The daughter of a well-off Bulgarian immigrant, Dilma became politically active as a teenager during the dictatorship, when she bravely took up arms in a leftist guerrilla movement against the military regime. Although she never fired a weapon in anger, she was arrested and tortured, and spent three years in jail.

Dilma studied economics after her release in 1973, and she moved into government when the military gave up power in 1985. She served as finance secretary in Porto Alegre, and was twice state Energy Secretary of Rio Grande do Sul. Lula invited her to be his Energy Minister in 2003, and was so impressed by her performance that he charged her with running the most important programs of his second term. And last year, highlighting her "sensibility and intrepidness," he named her as his preferred successor. (Lula is constitutionally forbidden from seeking a third consecutive term.)

"I can say without fear of contradiction that one of the main reasons my government was a success was down to Comrade Dilma Rousseff's ability to coordinate," Lula said.

Dilma's campaign style has been to bask in Lula's glow, and assure his supporters that she will not deviate an inch from the progressive program that made his eight-year reign such a success. That may be because Dilma herself is, in fact, an inexperienced and reluctant campaigner who appears ill at ease among crowds and on stage. And she has no need to risk proposing big ideas. Thanks to Lula's unwavering support — and boosted by the lackluster campaign of her main rival — her coronation is all but assured.
(See "Lula's Way.")


By suggesting Brazil needs to simply keep coasting along, however, Dilma is tempting fate. Brazil's past two presidents transformed the country from unpredictable and underperforming regional power to rising global star. Fernando Henrique Cardoso stabilized the currency and tamed inflation, privatized hundreds of inefficient state-run companies, and laid the foundations for future growth. Lula built on that by consolidating the economic gains, sharing them amongst the poor for the first time and improving the shameful social indicators that had made Brazil one of the most unequal countries in the world.

Brazil's next president, though, needs to continue that modernization process — which Dilma will be in a good position to do if, as appears likely, her coalition wins majorities in both houses of the legislature. Despite Brazil's impressive growth, it remains a developing country. Its tax burden is too high, its education system too poor, its infrastructure too basic and its red tape and corruption too widespread. Urgent reforms are also needed in social security, labor policy and governance.

Dilma, 62, has not articulated how she will tackle these challenges. Whether she, or anyone, is even capable of carrying out the required reforms remains an open question — and not just because she is known more as a bureaucratic combatant than a conciliator. Even Lula, with his unrivaled charisma, popularity and political skills, avoided attempting major reforms.

Dilma will rely much more heavily than Lula did on the machinery of the Workers Party, which raises some concern because of its increasingly authoritarian inclinations and recent influence-peddling scandals involving key party figures.

"Lula had a big cabinet with 40 ministers and he brilliantly used his experience in politics and as a union negotiator to put out fires," said João Augusto de Castro Neves, a political analyst with the CAC Political Consultancy firm. "There are going to be a lot of voices, there will be differences of opinion. How is she going to deal with that? It is not what she thinks about policy; that won't change much. The question is how is she going to run the government machine without it blowing up."

Dilma's managerial competence has never been questioned, even by her opponents. But uncertainty remains over whether she has what it takes to follow in Lula's footsteps. Her months on the campaign trail have not provided the answers; they'll more likely emerge only when she's in power.

http://www.time.com/time/world/article/0,8599,2022661,00.html

sábado, 2 de outubro de 2010

CANDIDATOS BIZARROS

TV Record entrevista Manhanelli sobre candidatos bizarros

Entrevista está prevista para ir ao ar no dia 03 de outubro, no programa Domingo Espetacular, no quadro “A grande reportagem”, às 19h

Candidatos bizarros foi o tema da entrevista que o Prof° Ms Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos), concedeu a repórter Fabíola Correa, da TV Record, na manhã de sexta-feira (25).

Para o especialista em marketing político há 36 anos, a campanha eleitoral é dividida em dois períodos. O primeiro deles é o conhecimento, só se vota em quem se conhece. Diante disto, quando o candidato já é famoso pula essa primeira fase e segue para a segunda etapa que é a busca do voto. “Fica mais barato e fácil de fazer campanha, isso falando em campanha proporcional”, argumentou Manhanelli.

Durante a entrevista, o professor ressaltou que hoje não temos mais o voto escrito. Antes com a cédula, o eleitor podia expressar através da escrita o que pensava do candidato A ou B, agora com o voto eletrônico a indignação ou aceitação se materializa com o voto em si. Ou seja, a forma do eleitor mandar o recado é votando.

Questionado se a imagem vale mais que tudo, Manhanelli afirma que não. Hoje a imagem do candidato enquanto cidadão pode ser ruim, mas se ele faz algo em benefício da sociedade e isso é divulgado na mídia é o que pesa mais.

Manhanelli salientou que a mensagem de um candidato já conhecido é recebida com mais facilidade, uma vez que o público já tem o histórico do candidato. Quando aparece um lutador de boxe, por exemplo, não precisa dizer, o eleitor já sabe quem é. E assim vai, um cantor,um comediante e etc.

Quanto ao êxito dos candidatos bizarros isso depende de sua postura, de sua consciência política e se tem conteúdo. “Temos casos no Brasil de candidatos famosos que conseguiram se reeleger”, destacou o especialista.

Finalizando a entrevista, Manhanelli diz que como técnico em marketing eleitoral prefere ter um candidato já conhecido pelo povo e passar logo para a fase seguinte, que é a busca do voto.

Mais uma vez, o especialista frisou seu ponto de vista com relação ao voto obrigatório. “Para o povo, o voto não tem valor. Enquanto o voto for obrigatório a consciência política não vai mudar e qualquer um pode ser votado que não faz diferença”, argumentou Manhanelli

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TELEMARKETING VALE A PENA?


Telemarketing é importante mas custa caro

Jessica Cavalheiro Do Diário do Grande ABC


Mesmo a internet sendo uma nova e importante ferramenta para as propagandas eleitorais, o telemarketing ainda é uma ótima opção para atingir o eleitorado de forma maciça. Como o serviço demanda grande investimento financeiro, no Grande ABC apenas três candidatos a cargos proporcionais apostaram na ferramenta.
Vanessa Damo (PMDB) foi a que mais investiu em telemarketing. A candidata à reeleição à Assembleia gastou R$ 10.000, segundo prestação de contas divulgada no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até o início de setembro. Na mesma época, Marcelo Chehade (PSDB), candidato a deputado federal, havia gastado R$ 2.400. E Gilberto do Primavera (PTB), que disputa para deputado estadual, investiu R$ 1.000.
Segundo o coordenador-geral da campanha de Gilberto da Primavera, Rodrigo Marcon Alves, que é presidente de uma empresa de telemarketing e responsável pelo serviço de comunicação do candidato, a alternativa é uma estratégica política fundamental para uma campanha proporcional. "Depois da minirreforma na lei eleitoral, o espaço do político nos demais meios de comunicação, como a TV e o rádio, ficou limitado", observou.
Uma entrevista com a população é a forma que o telemarketing do candidato petebista aborda o eleitorado. Nas ligações telefônicas, as pessoas são questionadas, por exemplo, sobre os principais problemas encontrados pelos morador na cidade. De acordo com Alves, até agora a resposta do eleitorado com o serviço de telemarketing de Gilberto do Primavera tem sido positivo. "70% das pessoas aceitaram fazer a entrevista e desses, 95% aceitaram ouvir no fim da ligação uma mensagem do candidato e aprovaram também o recebimento de uma cartilha do político por correio", afirmou o coordenador.
Vanessa Damo também optou por entrevistas com o eleitorado, como forma de criar um canal de comunicação e saber o as demandas da população. "Não gravei nenhuma mensagem pedindo voto. É mais um serviço para entrar em contato com os moradores e obter informações que possam me ajudar na campanha", relatou.
‘Entrevista por telefone é irritante'', diz consultor políticoPara o consultor em Comunicação Política e Marketing Eleitoral Carlos Manhanelli, a forma como os candidatos a deputado estadual Vanessa Damo e Gilberto do Primavera optaram por utilizar o serviço de telemarketing não foi a melhor opção. De acordo com ele, uma entrevista com o eleitorado pode irritar muito mais do que uma mensagem gravada do político pedindo voto.
Manhanelli recomenda que a ferramenta seja utilizada primeiramente como um canal de utilidade pública. "A mensagem faz toda a diferença. Ao invés de o candidato ligar ou mandar um mensagem de texto pedindo voto, ele pode passar alguma informação primeiro, por exemplo: ‘No dia da votação não esqueça de levar seu título de eleitor e um documento com foto.'' Depois citar o nome e número de votação."
O consultor alerta ainda sobre o telemarketing no celular. "O aparelho fixo é da casa e qualquer pessoa pode atender, é mais aceitável. O celular é um objeto muito pessoal e quando alguém invande algo particular normalmente a pessoa já rejeita", observa Manhanelli, ao salientar um lado positivo do celular. "Ele aceita mensagem de texto, que no caso a pessoa tem a opção de ler mais tarde e na hora que prefetir."

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Denúncias só criam impactos se há “dinheiro e gente presa”

Denúncias só criam impactos se há “dinheiro e gente presa”
Gazeta de Caxias
Segundo cientistas políticos, escândalos têm pouco efeito eleitoral e eles só criam impacto se há “dinheiro e gente presa”.
Por João C. Garavaglia

Escândalos não devem ter grande influência na disputa Dilma/Serra Escândalos envolvendo supostos dossiês fabricados para prejudicar adversários políticos como o episódio de violação de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge e de Verônica Serra, filha do candidato do partido à Presidência, José Serra, viraram praxe nas eleições do país. Segundo especialistas eles elevam a temperatura da campanha, mas produzem impacto limitado nas urnas.

Escândalo da Receita
No denominado Escândalo da Receita, que resultou na saída da ministra Eunice Guerra, a Polícia Federal investiga a falsificação da assinatura de Verônica na procuração usada pelo contador Antonio Carlos Atella para obter seus dados na Receita Federal, além da violação do sigilo fiscal de outras pessoas ligadas ao partido PSDB.
As três últimas eleições já foram marcadas por denúncias envolvendo tentativa de compra e venda de dossiês. “As campanhas eleitorais dos últimos anos vêm sendo contaminadas por esses episódios lamentáveis”, avalia o cientista político Aldo Fornazieri.

Caso dos Aloprados
Em 2006 o caso conhecido como Escândalo dos Aloprados ilustra a avaliação. A prisão de dois homens com 1,75 milhão de reais no quarto de um hotel pela Polícia Federal ganhou o noticiário cerca de 15 dias antes do primeiro turno da eleição. A dupla tinha ligação com o Senador e o candidato ao governo de São Paulo, Aloísio Mercadante (PT) e ia comprar um dossiê supostamente contra o adversário do PSDB José Serra.
Antes de o escândalo estourar, as pesquisas já apontavam a vitória de Serra sobre Mercadante no primeiro turno com 47% a 23%. No final, o tucano venceu com 57% dos votos válidos contra 31% do petista.

Caso flagrante
Já na disputa presidencial Lula viu seus 15 pontos de vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin cair após o episódio e perder a chance de se reeleger no primeiro turno, com o placar apertado de 48% a 41%. Mas no segundo turno Lula venceu por 60% a 39%. “O caso dos Aloprados foi flagrante. Tinha imagens de maços de dinheiro, pessoas sendo algemadas. Isso tudo foi para TV. Ajudou a levar a disputa para o segundo turno, mas mesmo assim Lula venceu. O caso de agora, da filha de Serra, não tem foto e nem vídeo, é uma coisa abstrata para o eleitor”, avalia o consultor de marketing político Carlos Manhanelli.

Operação Lunus
Em 2002 foi a vez de Serra, então pré-candidato à Presidência, ser acusado por José Sarney (PMDB-AP) de estar por trás de suposta rede de espionagem para prejudicar a pré-candidatura da filha Roseana. Sarney acusou a operação Lunus, da PF, de ser o desdobramento do dossiê criado para barrar o crescimento da filha. Agentes federais apreenderam mais de 1,5 milhão de reais no escritório das empresas de Roseana e seu marido Jorge Murad, no Maranhão. Imagens do dinheiro ganharam o noticiário.

Dossiê Cayman
Em 1998, o chamado Dossiê Cayman, com denúncias de que tucanos, entre eles o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Mário Covas e o ministro José Serra, tinham dinheiro no paraíso fiscal do Caribe, foi usado por chantagista na reta final das eleições. O suspeito tentou, sem sucesso, vender as informações a candidatos adversários. Fernando Henrique e Covas se reelegeram.

Setores pequenos
“Esse tipo de denúncia tem impacto em setores pequenos da classe média e não no grande eleitorado, interessado em outras questões”, diz Fornazieri. “Dossiê tem em toda a eleição. Há sempre investigação da vida privada dos candidatos”, comenta Marco Antonio Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

E SE O VOTO NÃO FOSSE OBRIGATÓRIO?


Entrevista concedida a revista Superinteressante
Charge do blog da Serra - de Carlos Emerson.

“A tentação é grande… Seus amigos querem saber o que você vai fazer no feriado, as agências de viagem anunciam pacotes para a data. E você pensa que, em pleno calor de 15 de novembro (ou de 3 de outubro), um dia livre é mesmo um convite ao lazer. Afinal, com o fim do voto obrigatório, essas datas viraram simples feriados.
Mas não é que, justo agora que acabou a obrigação de votar, a eleição parece mais interessante? Os temas da campanha são bem mais palpáveis, os problemas discutidos pelos candidatos se assemelham aos seus e tem até gente acenando com uma solução! Será que eles, finalmente, descobriram que eu existo?, você pensa.
Chega o dia da eleição. E, de repente, você está com o título de eleitor na mão, votando! Utopia? Coisa de país desenvolvido? Nem tanto. O voto voluntário torna o eleitor bem mais seletivo, afirma o especialista em marketing eleitoral Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (Abcop). Para convencer o brasileiro a ir às urnas, os programas eleitorais teriam de ser educativos, mostrar as diferenças entre os trabalhos do Executivo e do Legislativo e explicar a importância do voto.
Tudo isso, no entanto, não evitaria a redução do número de votantes. Nos países onde o voto é voluntário, como os Estados Unidos, só votam 30% a 40% dos eleitores. Aqui, é provável que, a princípio, o comparecimento continuasse alto, devido ao hábito. As abstenções ficariam por conta de quem normalmente deixa de votar e dos que votariam em branco ou nulo, diz o cientista político Rogério Schmitt, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Aos poucos, porém, a abstenção aumentaria.
OK, mas isso faria alguma diferença? A longo prazo, sim. Segundo simulações realizadas com pesquisas de opinião, os partidos de esquerda, que têm mais militância política e para quem seria esperada uma vantagem, na verdade perderiam espaço para os políticos mais conservadores, que já dispõem de um eleitorado cativo. Pelo menos a princípio. Sim, porque arrebanhar os eleitores novos, desobrigados do voto, seria bem mais difícil.
O voto facultativo não acabaria com a compra de votos, um mau hábito comum em alguns Estados. Mas pelo menos encareceria a fraude. Afinal, é bem mais fácil convencer alguém que já está na boca da urna a votar em Fulano do que demovê-lo do futebol ou da cerveja só para digitar um número na urna eletrônica. E há, de fato, muita gente que escolhe o candidato na última hora e só vota porque é obrigado. Segundo uma pesquisa da Abcop, nas eleições para cargos executivos, 15% dos eleitores definem seu voto na boca da urna. Para cargos legislativos, a indefinição é pior: 45% saem de casa para votar sem saber em quem. Esses eleitores talvez nem saíssem de casa para ir às urnas, diz Manhanelli.
Com tanta competitividade, os candidatos os astros das eleições de hoje não sobreviveriam individualmente. Resultado: os partidos roubariam a cena. O eleitor brasileiro sempre votou em indivíduos, não em partidos, afirma Rogério Schmitt. Com o voto facultativo, a longo prazo a escolha seria mais centrada nas legendas e em suas propostas de governo.
Candidatos desconhecidos, que surgem do nada a bordo de uma legenda de aluguel e que abusam das propostas mirabolantes, teriam cada vez menos espaço. Enfim, as mudanças seriam grandes. Mas, se, apesar delas, nenhum candidato despertasse seu interesse, tudo bem: sempre restaria a opção de pegar o carro e ir à praia, sem dor de cabeça.”

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ENTREVISTA PARA ALUNOS DA UNESP


Profº Ms. Carlos Manhanelli, presidente da Abcop (Associação Brasileira de Consultores Políticos), concedeu entrevista a três acadêmicos do curso de jornalismo da UNESP, de Bauru (SP), Juliana Heiffig Penteado, Gabriel Bordignon de Lima, Sérgio Murilo Bocardo Ferreira, na tarde de quarta-feira (08). O objetivo do encontro foi saber a opinião do professor sobre eleições e marketing político.

Durante a entrevista, Manhanelli salientou que a sua empresa foi a primeira do Brasil especializada em marketing político atuando nesta área há 36 anos e sendo consultor em 242 campanhas até hoje.

Indagado pelos estudantes sobre o papel do Marquetólogo, o professor ressaltou que há uma diferença entre marqueteiro e o Marquetólogo. Isto é, o marqueteiro é aquele que só tem a prática, só tem uma expertise e terá apenas uma vertente. Já o Marquetólogo é aquele profissional que tem a base teórica e a prática. Para enfatizar a definição entre as categorias, Manhanelli citou que na Língua Portuguesa a terminação “eiro” sempre foi depreciativa desde o tempo da colonização, considerando uma classe inferior.

Manhanelli explicou também aos estudantes que a importância do Marquetólogo numa campanha eleitoral é comparada a importância de um médico para um paciente doente. Cabe ao doente procurar ajuda do especialista ou tomar remédios caseiros .

Imagem

Para falar sobre a imagem do candidato, Manhanelli citou o escritor Roger Gerárd que escreveu em seu livro “O Estado Espetáculo” sobre quatro imagens que o eleitor percebe no seu candidato. São elas: A imagem de Pai; a imagem de líder charme; de herói e de homem simples.

Os estudantes questionaram qual a imagem que os candidatos à presidência da república apresentam para a população. Manhanelli explicou que a candidata do PT começou enfatizando uma imagem de heroína, o que demonstra uma dicotomia de imagem, uma vez que a heroína vem para resolver os problemas deixados pelo antecessor. A imagem que ela deveria reforçar era de mãe que acolhe e protege os necessitados.

Quanto ao candidato do PSDB, iniciou sua campanha apresentando uma imagem de pai, que na verdade deveria ser de herói que irá resolver os problemas do país.

Faz-se necessário salientar que a imagem não é fabricada.”Não é um teatro”, argumentou Manhanelli. A imagem do candidato já existe no inconsciente coletivo. O marketing não constrói a imagem, a imagem é percebida e alavancada.

Muitos acreditam que o conteúdo, ou seja, o que o candidato fala na televisão é o que pesa mais. Para o professor, a arma mais poderosa em campanha eleitoral é a televisão e esta é um veículo de comunicação sintética, tem ritmo próprio e prioriza a imagem. Assim, o conteúdo fica em segundo plano. A imagem é primordial que o candidato passa que fala mais alto.

Quanto à vantagem de tempo na programação obrigatória, Manhanelli esclareceu que o tempo só favorecerá se houver um bom aproveitamento. “Quanto maior tempo de TV, maior a possibilidade de erro. Quem fala muito em televisão corre o risco de falar demais e dar bom dia a cavalo”, comentou o professor.

Eleição é Guerra

Em falar de eleições, Manhanelli ressaltou que numa campanha eleitoral não tem medalha de prata só de ouro. E desta forma, ele enfatizou “Eleição é Guerra”, citando seu segundo livro, no qual menciona que no mundo todo, as campanhas eleitorais usam e consolidam cada vez mais os conceitos de guerra em suas ações de cooptação e persuasão do eleitorado. Até as nomenclaturas empregadas têm certo paralelismos: “estratégia, tática, batalha de votos, penetração no segmento adversário e outros.

Voto Obrigatório

Questionado sobre o voto obrigatório, Manhanelli enfatizou que é contra. O voto é um direito e a obrigatoriedade não condiz com a democracia. Para mudar isso é necessário primeiro valorizar o voto. Ou seja, o cidadão entender que seu voto tem valor, pois atualmente o voto não vale nada para o brasileiro.

Voto ideológico

Questionado sobre o voto ideológico ou o apoio do militante ao candidato, Manhanelli ressaltou que o militante sempre teve importância. O que mudou hoje é que a campanha se profissionalizou. Não há mais amadores, todos que trabalham são remunerados e a busca por profissionais aumentou.

Para finalizar, Manhanelli argumentou que o profissional de marketing no Brasil é valorizado no exterior por sua criatividade. Isto é, em outros países a legislação não muda podendo usar as mesmas técnicas. Já no Brasil, as leis mudam em cada eleição, o que impulsiona o marquetólogo a pensar, criar e se adaptar as novas leis para obter bons resultados.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

URNA DÁ TRABALHO

Com a proximidade das eleições, cresce a contratação de profissionais para atuação nas campanhas Eles comandam a trajetória dos candidatos rumo às urnas. Dispensam, porém, os papéis de coadjuvantes. Afinal, advogados, publicitários, jornalistas, consultores políticos, além da mão de obra mais operacional – panfleteiros, carregadores e o pessoal dos carros de som –, são imprescindíveis no desenvolvimento de uma campanha política.

A corrida eleitoral já começou e, ao que tudo indica, será acompanhada por inúmeras contratações nos próximos meses. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, deputados reduzem salários de funcionários comissionados para ampliar a equipe em seus Estados. A verba caiu de R$ 266.377 para R$ 165.595. O que significa que os R$ 100.782 restantes serão investidos no reforço de equipes. A menos de quatro meses do primeiro turno, marcado para 3 de outubro, a demanda não para de crescer.

– O mercado já está aquecido desde o ano anterior, quando se começa, com antecedência, um processo de planejamento de campanha. O mais importante é que há demanda agora e para depois das campanhas para os mais variados profissionais – diz Carlos Augusto Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (Abcop).

Esse é o caso dos marquetólogos – também chamados de marqueteiros –, que têm emprego garantido o ano inteiro, inclusive fora do Brasil.

– A versatilidade do profissional brasileiro é muito valorizada no Exterior. A cada eleição, temos mudanças na legislação, o que faz com que os marquetólogos tenham de se adaptar às técnicas a cada nova campanha – aponta o consultor político Carlos Manhanelli, que realiza campanhas em toda a América Latina.

Formação acadêmica tende a ser valorizada

Em agosto, quando entrar o horário eleitoral de rádio e TV, a missão desses profissionais estará à prova: convencer os cidadãos de que seus clientes merecem um voto. A carreira multidisciplinar abre espaço para jornalistas, publicitários e relações públicas, desde que tenham o mínimo de conhecimento das ciências que interferem em uma campanha, como comunicação, sociologia, estatística, ciência política e jornalismo.

– Há uma carência de profissionais habilitados para esse mercado, o que dá brecha para vários oportunistas. Sem a menor formação acadêmica ou experiência de mercado, eles acham que estão fazendo marketing político – diz Carlos Manhanelli.

Mas hoje só cai no conto do marqueteiro eleitoral quem quer.

– A maioria (dos candidatos) já se deu conta da necessidade de um profissional capacitado e completo. Ele, ao contrário do marqueteiro, que só domina sua área de atuação, terá bagagem para direcionar a comunicação da campanha e fazer uma leitura qualificada das pesquisas – explica Manhanelli, que conta com 238 campanhas realizadas ao longo de 36 anos de profissão.

Muito além de reformar o guarda-roupa do candidato, fazer uma boa maquiagem, aparar barba e discursos, os marquetólogos são responsáveis pela parte estratégica da campanha.

– Não dá para fazer política sem gostar, sem conhecer a realidade, a história e os costumes do público eleitor envolvido. Por mais bem planejadas, sem uma bagagem de conhecimento, as propostas de ação estarão condenadas ao fracasso, ao desperdício de recursos – destaca Alexandre Bandeira, presidente da Associação dos Consultores Políticos do DF, que é jornalista com pós-graduação em marketing e estratégia.



PRISCILA MENDES Correio Braziliense
Eleitoral x político A expressão marketing eleitoral é clara. É a aplicação do marketing às técnicas eleitorais com objetivo de angariar o maior número de votos para um candidato. Acaba, portanto, no dia da eleição. Já o marketing político é voltado para a construção de uma imagem a longo prazo e se estende no período pós-eleitoral, pois, mesmo depois de eleito, o candidato precisa de visibilidade

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Diferença entre Serra e Dilma só diminui com 'fato novo', dizem especialistas

O GLOBO
27/08/2.010

Apenas um "fato novo" e de "peso significativo" é capaz de conter a diferença que separa os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto, avaliam especialistas em marketing político ouvidos pela BBC Brasil.

Levantamentos dos três principais institutos de pesquisa, divulgados nas últimas duas semanas, indicaram uma ampliação progressiva da vantagem de Dilma sobre Serra.

Pela média, a diferença entre os dois subiu de 5 para 18 pontos percentuais no prazo de um mês.

Na avaliação do publicitário e consultor político Carlos Manhanelli, os rumos da eleição "ainda podem mudar", mas segundo ele, a essa altura da campanha, apenas um fato "excepcional" seria capaz de "reconfigurar" as intenções de voto.

"Se analisarmos historicamente, veremos que temos, sim, exemplos de eleições que foram redefinidas nos últimos momentos", diz.

"Mas em todos os casos, o motivo dessa reviravolta foi sempre um fato novo e excepcional", acrescenta Manhanelli, autor do livro Marketing Eleitoral.

O consultor lembra o caso do então candidato Fernando Collor, que às vésperas da eleição presidencial de 1989 conseguiu estancar o crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva ao trazer à tona um caso pessoal envolvendo uma filha do petista, fora do casamento.


'Pouco provável'
Membro do Conselho Orientador de Pesquisas Públicas da Unicamp, o consultor Ney Figueiredo também sugere cautela na antecipação de resultados, mas acrescenta que "uma mudança agora é pouco provável".

Ele também acredita que somente um fato novo poderá mudar o cenário atual, mas, esse fato, se vier, "será do lado petista".

"Não vejo mais como esse fato surgir do lado tucano. Eles já fizeram tudo o que tinha de ser feito."

"Já do lado petista, não podemos subestimar a chance de um equívoco que prejudique a candidata Dilma Rousseff", acrescenta.

Para ele, a candidata está baseando sua campanha em fatos "fortes", ligados às realizações do governo Lula no campo socioeconômico. "No entanto, dizer que a campanha está ganha é desprezar a possibilidade de um escorregão, o que acontece", diz.

Mudanças

A rápida consolidação da candidata petista na liderança acirrou o debate, entre tucanos, sobre uma possível mudança no curso da campanha, a pouco menos de 40 dias da eleição presidencial.

Após uma série de reuniões nos últimos dias, a equipe de José Serra decidiu melhorar a infraestrutura da campanha nos Estados, além de triplicar a distribuição de material para essas regiões.

Outra medida será a maior participação de lideranças regionais, como governadores e prefeitos, no programa de Serra na TV e no rádio. Nessa quinta-feira, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, apareceu pela primeira vez no programa pedindo votos para o candidato tucano.

Na avaliação de Manhanelli, medidas como essas são apenas "pontuais" e insuficientes para mudar o curso de uma campanha na fase atual.

"Essas mudanças ajudam a estancar a perda de votos, mas não vão reverter o quadro, que está totalmente favorável a Dilma Rousseff, segundo as pesquisas", diz o consultor.

'Equivocada'

Na semana passada, diversos aliados de José Serra criticaram publicamente algumas estratégias da campanha tucana, entre elas a decisão de "esconder" o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de tentar "colar" a imagem de Serra à de Lula.

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que integra a base de apoio a Serra, usou seu microblog para criticar o coordenador de marketing da campanha tucana, Luiz Gonzalez, por seu "olhar enfarado e apressado" sobre os políticos e por ter usado o apelido de "Zé Serra" na propaganda gratuita.

Figueiredo discorda das críticas. Para o consultor político, a equipe de Gonzales já realizou trabalhos "difíceis", como a eleição de Gilberto Kassab, em São Paulo, mostrando que é "muito competente".

O problema, segundo ele, não está na estratégia da campanha, mas sim no "momento econômico" do país.

"Desde o início essa era uma eleição difícil para a oposição. Ele teria que provar à sociedade que seria capaz de levar adiante os feitos do Lula", diz.

"Esse era o pulo do gato nessa eleição e pelo visto está se mostrando realmente muito difícil de ser colocado em prática", completa Figueiredo.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/08/27/diferenca-entre-serra-dilma-so-diminui-com-fato-novo-dizem-especialistas-917491907.asp