segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MARKETING POLITICO - DILMA, A EX-GUERRILHEIRA, ACORDA PARA LUTAR CONTRA IMPEACHMENT

BLOOMBERG
Por Raymond Colitt e André Soliani.

Durante boa parte deste ano, enquanto o Brasil mergulhava em uma crise econômica e política, a presidente Dilma Rousseff parecia acuada em seu bunker. Ela raramente deixava o Palácio do Planalto e preferia se debruçar sobre os relatórios de infraestrutura, focando no lado técnico das medidas de austeridade.
Mas nos últimos meses, à medida que os esforços da oposição para cassá-la ganharam impulso, algo visivelmente mudou. Dilma, uma ex-guerrilheira urbana que não cedeu nem sob tortura prolongada, saiu de seu estado de paralisia. Com a crise se aproximando, ela reagiu e avisou que não será fácil tirá-la do poder
“Eu não vou renunciar”, disse ela ao jornal Folha de S.Paulo, em julho. “Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso”.

Explosiva de novo
Desde então, Dilma intensificou suas aparições públicas, negociou apoio pessoalmente com parlamentares, reorganizou seu ministério e fez algumas das defesas mais enfáticas do seu governo. Seu famoso temperamento voltou e ela passou a explodir com assessores por atrasos ou falhas, segundo um funcionário próximo a ela que pediu anonimato.
A tenacidade que levou Dilma, 67 anos, a lutar contra a ditadura militar quando jovem agora faz com que ela se agarre ao poder com uma notável serenidade. Isso apesar da expectativa de que o Brasil entrará na mais longa crise econômica desde a Grande Depressão, dos índices de aprovação mais baixos já enfrentados por um presidente e das acusações de que ela financiou sua campanha eleitoral ilegalmente e usou truques contábeis para encobrir os números do orçamento.
“Ela não acha que fez nada de errado e a renúncia, para ela, seria a admissão de uma culpa que ela não tem”, disse João Augusto de Castro Neves, diretor da consultoria de risco político Eurasia Group para a América Latina. “Ela irá até o fim”.
Em apenas dois dias da semana passada ela compareceu a tantos eventos públicos quanto em alguns meses do início do ano. Após ser criticada por ignorar as celebrações do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, para evitar possíveis vaias, ela proferiu um de seus discursos mais inflamados em 13 de outubro, durante evento da Central Única dos Trabalhadores, principal confederação sindical do Brasil.
“Eu me insurjo contra o golpismo e suas ações conspiratórias e não temo seus defensores”, disse Dilma para a multidão de sindicalistas que a aplaudia em São Paulo. “Pergunto com toda a franqueza: quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”.

Tentativas de golpe
Seu argumento é uma referência indireta às acusações que pesam contra alguns de seus rivais. Mais de um quarto dos deputados federais enfrenta processos criminais ou investigações no Supremo Tribunal Federal, segundo o Congresso em Foco, publicação especializada em notícias legislativas.
Os ataques a Dilma não resgataram apenas seu espírito de luta. Eles também parecem tê-la reanimado. Ela continua em uma dieta rigorosa que já a fez perder 15 quilos e pedala pelas ruas de Brasília quase todos os dias pela manhã. Ela pode estar sob pressão, mas poucas vezes teve uma aparência melhor ou mais saudável.
Dilma tem histórico de dar a volta por cima quando as coisas ficam difíceis. Um ano depois de enfrentar o tratamento de um linfoma, ela ganhou a eleição presidencial em 2010. Seu pai era um imigrante búlgaro bem-sucedido e ela cresceu com uma vida relativamente confortável, cercada de livros. Quando ainda era estudante secundarista, ela se uniu ao movimento armado na luta contra a ditadura. Esses grupos clandestinos executaram roubos a bancos e sequestros de políticos como parte de um plano para derrubar o regime militar.
Após sua detenção e o que ela disse ter sido uma “tortura barbárica” durante cerca de três anos de prisão, Dilma se formou em economia e iniciou uma longa carreira no serviço público em empregos tradicionalmente ocupados por homens, como o de secretária municipal da Fazenda, ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Indagada sobre sua imagem de dama de ferro, ela disse certa vez, com um humor atípico: “É verdade: sou uma mulher dura cercada de homens meigos”.
Não está claro se essa mudança de última hora será suficiente para salvá-la. Proferir discursos em eventos de sindicatos e inaugurar casas para a população de baixa renda poderá ajudar a aumentar um pouco seu índice de aprovação, mas não muda o quadro geral, diz Carlos Manhanelli, consultor de marketing eleitoral em São Paulo. Ela continua sendo uma tecnocrata com dificuldades para recolocar a economia nos trilhos, disse ele.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MARKETING POLÍTICO - País sairá mais forte da crise


Para economistas e cientistas políticos, Poderes tendem a se consolidar, e não há risco de golpe


Embora as principais crises vividas pelo Brasil no século XX tenham ocasionado rupturas dos modelos econômico e político, o atual cenário vivido pelos brasileiros durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) pode fortalecer a democracia e as instituições republicanas. Durante as crises de 1929 e da hiperinflação na década de 80, o Brasil passou por mudanças de regime, o que não deve acontecer agora, segundo especialistas.

Apesar do pessimismo da população, Gustavo Krause, ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, entende que a crise atual não é institucional. Em sua avaliação, passamos por uma falta de confiança dos agentes econômicos “devido ao ajuste fiscal” e por instabilidade política “devido à operação Lava Jato”, mas as instituições estão funcionando. “O Judiciário e o Legislativo continuam fortes, ainda que tomem rumos equivocados. O Executivo está enfraquecido, mas segue constituído. Após este período, os Poderes serão mais robustos. As instituições sairão fortalecidas e mais independentes. Também acredito na resiliência do povo brasileiro em momentos delicados”, disse.

O otimismo do ex-ministro é compartilhado pela historiadora da PUC Minas Júlia Calvo, para quem a Lava Jato terá poder transformador na cena política nacional. “O volume da corrupção descoberta alcançou os grandes caciques, o que vai nos levar a uma troca de agentes políticos. Além disso, o Judiciário e a Polícia Federal são importantes neste momento e, quando a crise acabar, eles ficarão mais representativos. A sociedade civil também estará mais organizada para não deixar que aconteça o que aconteceu nos últimos anos em relação à corrupção. As manifestações de 2013 exemplificam isso”, enfatizou Calvo.

Aproveitando o momento de crise política, o ex-aliado do Planalto e presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer resgatar a proposta de alterar o sistema político de presidencialismo para parlamentarismo. A empreitada, no entanto, não deve passar do discurso, na avaliação do cientista e consultor político Carlos Manhanelli. “A maneira como o governo está lidando com a crise econômica sinaliza um alcance de médio prazo. Entendo que o presidencialismo, já escolhido pelos brasileiros em plebiscito em 1993, não vai mudar. Não acredito em mudança para o parlamentarismo, por exemplo. Temos um modelo sólido o bastante para suportar o momento atual.”

Na opinião do vice-presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Pedro Paulo Pettersen, o país já tem uma democracia mais madura. Ele ressalta que uma ruptura pioraria a crise econômica. “O Brasil atual é diferente. As instituições são maduras. Isso significa que as rupturas são menos prováveis. Se ela acontecesse, a crise econômica seria agravada. Para superar a crise política, é preciso fortalecer a democracia. O eleitor pode escolher outro candidato em 2018. É importante não termos rupturas até lá.”

Pettersen aponta que a turbulência deve fazer o governo mudar a forma como combate a inflação. “Temos que superar a nossa política cambial, que segue a mesma cartilha há 30 anos. Ela é utilizada de maneira equivocada apenas para controlar preços. Você não pode definir a competitividade de uma indústria apenas pela taxa de câmbio”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

PORQUE OS JOVENS ESTÃO SE AFASTANDO DO PT?

Portal Forum
Por Raul Galhardi

Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha em março deste ano, a preferência dos eleitores pelo PT atingiu seu menor nível desde 1989 e a situação é pior entre os jovens de 16 a 24 anos, faixa em que, pela primeira vez, o partido foi ultrapassado pelo PSDB. Integrantes da legenda avaliam o cenário

O PT está em crise. Se em 2014, durante a campanha eleitoral do segundo turno, o partido pareceu ter ressuscitado sua relação com a militância, criando momentos de intensa mobilização como o comício realizado na PUC de São Paulo em outubro daquele ano, hoje o partido encontra-se recuado e dividido. A situação é particularmente problemática entre os jovens, historicamente mais simpáticos à legenda.
Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha em março deste ano, a preferência dos eleitores pelo PT atingiu seu menor nível desde 1989. Apenas 9% disseram preferir a sigla, enquanto em março de 2013 esse percentual alcançava 30%

A situação, entretanto, é pior entre os jovens de 16 a 24 anos. Pela primeira vez, o PT foi ultrapassado pelo PSDB. A pesquisa mostra que 6% preferem os tucanos e 5% os petistas. Em 2014, os petistas possuíam 15% de simpatia nessa faixa etária, enquanto os tucanos tinham 5%.
Nos dias 22 e 23 de maio aconteceu em São Paulo a etapa estadual do 5º Congresso do PT. O encontro, que ocorreu na Quadra dos Bancários no centro da cidade, teve como objetivo debater a conjuntura estadual e nacional, refletir sobre o atual momento e apresentar propostas que serão encaminhadas ao 5º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que terá lugar em Salvador entre os dias 11 a 14 de junho

O cenário era do encontro era de desolação. Na sexta-feira, quando era esperada a presença do ex-presidente Lula, que faltou ao evento, apenas metade das cadeiras estava ocupada por filiados e simpatizantes. No dia seguinte, a situação foi ainda pior: cerca de dois terços dos assentos encontravam-se vazios. Dentre os participantes que ali se encontravam, poucos eram jovens.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência, fez um balanço que retratou bem a situação do partido. “Como fundador e alguém que militou 35 anos no partido, nunca vi uma reunião do PT tão vazia como essa. Vazia ontem, quando se anunciava que Lula viria. Esvaziada hoje, quando no passado se disputava um crachá. Isso é um sintoma grave de uma crise que nos atinge de forma objetiva e subjetiva”, disse ele ao abrir os trabalhos de uma das mesas de discussão do Congresso.

Rodrigo Cesar, 29 anos, membro da direção estadual da Juventude do PT de São Paulo e da corrente do partido Articulação de Esquerda, diz que a sigla poderia ter evitado essa queda de popularidade entre a juventude se tivesse aproveitado as manifestações de 2013. “Teve queda em 2013, mas foi menor, de 24% para 19%. Isso quer dizer que o movimento daquele ano não era ruim para nós. Ele fazia críticas que nós fazíamos às instituições falidas desse Estado burguês. Agora, se nós queremos nos colocar na posição de ‘vidraça’, essa é uma opção nossa.”

Para Paulo Costa, funcionário público e integrante da corrente Novo Rumo para o PT, a juventude petista fala muito a “linguagem dos velhos”. “Muitos jovens do partido têm o mesmo discurso dos fundadores da década de 80 e a molecada de fora não consegue se enxergar aqui dentro.”

A estudante de Direito Tamires Gomes Sampaio, 21 anos, integrante da corrente Construindo um Novo Brasil, acredita que a crise política não é problema apenas do PT, mas da esquerda como um todo. “A juventude está se afastando dos movimentos tradicionais, mas está se organizando e nós vemos cada vez mais coletivos surgindo”. Ela diz militar no movimento estudantil e também em coletivos de estudantes negros, prounistas e feministas, além de outros coletivos horizontais.

“O PT precisa aprender com as novas formas de expressão dos jovens”, disse à Fórum o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. Para ele, a juventude atual se organiza mais por temas do que por organizações.

Um dos papéis que o partido precisa assumir, segundo o ex-ministro, é “tornar-se protagonista no enfrentamento ao genocídio da juventude negra”. “Um passo para isso consiste na derrota da proposta de redução da maioridade penal que está sendo discutida no Congresso Nacional”, defende.

Diante desse panorama, a presença de Gabriel Rodrigues dos Santos, 16 anos, destoava entre os participantes do encontro estadual do partido. O adolescente, que está filiado ao PT há um ano, disse que estava ali porque esperava “novas propostas para barrar o PL 4330/04 (lei que trata da regulamentação das terceirizações)” e que acreditava que o PT fosse melhor do que os outros partidos “por causa do Lula”. Ele mora em Carapicuíba e participou de outros dois encontros municipais do partido em Osasco.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli, a informação hoje se encontra mais disseminada e os jovens possuem maior acesso a ela em diversos meios, o que permite a eles analisarem melhor o que é do seu interesse. Um partido que queira se aproximar desse grupo precisaria apresentar uma ideologia que satisfizesse a sua vontade de participar da vida política da sociedade.

“O principal é ter o que falar. Vamos defender um ajuste fiscal, que acaba restringindo o acesso ao seguro-desemprego, quando a gente sabe que a mais alta taxa de rotatividade de emprego é entre os jovens? Como é que a gente vai falar pros jovens ‘venham para o PT’? Isso cria uma contradição muito grande”, argumenta Rodrigo Cesar

Mas para ele existe uma solução para a sigla e ela apareceu no segundo turno das últimas eleições. De acordo com o membro da Articulação de Esquerda, foi a polarização do debate que fez com que Dilma virasse o jogo. “Nós íamos perder de lavada entre os jovens. Por que nós conseguimos reverter essa derrota? Porque a gente politizou o debate mais do que em muitos anos de gestão do governo Lula e Dilma por opção de fazer um programa à esquerda”, conclui o jovem militante petista


 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MARKETING POLITICO - CENÁRIO ATUAL É FAVORÁVEL À OPOSIÇÃO

JORNAL O TEMPO
Guilherme Reis

Na última pesquisa MDA/CNT, a presidente Dilma alcançou avaliação negativa de 70,9% dos entrevistados.

Em 1999, mesmo que em menores proporções, o Brasil passou por uma crise de desvalorização do Real durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Apesar de a turbulência não ter implicado em rupturas bruscas, o eleitorado, envolto pelo desemprego, avaliou negativamente o governo e elegeu o principal rival de FHC: o petista Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

No término de oito anos de mandato, Fernando Henrique teve sua pior taxa de aprovação popular: 34% das pessoas questionadas pelo Datafolha, realizado em 2002, acreditavam que o país estava pior.
Na última pesquisa MDA/CNT, a presidente Dilma alcançou avaliação negativa de 70,9% dos entrevistados. É a maior reprovação de um presidente desde a redemocratização, o que torna o cenário favorável à oposição. O cientista e consultor político Carlos Manhanelli explica que o descontentamento alimenta o eleitor a tomar um rumo diferente nas urnas. “O modelo econômico e o gerenciamento governamental de um presidente acabam se saturando e abrindo portas para novas lideranças”, avalia. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

MARKETING POLITICO - COMO FAZER UM BRIEFING ELEITORAL?

                                                                                                                     Helder de Carvalho
Nesse texto vamos falar de Briefing. O que é, para que serve e se é mesmo tão importante assim.
Antes de pensarmos em qualquer estratégia é preciso realizar uma pesquisa interna para conhecer o candidato e sua equipe (acredite: o candidato vai descobrir coisas fantásticas sobre ele que, até então, nem imaginava) bem como o ambiente eleitoral que estamos ‘tateando’. Obviamente essas informações serão confrontadas e complementadas pela pesquisa externa e também com a observação local e levantamento de dados que realizaremos.  Nessas reuniões, o candidato, seus familiares, amigos ou funcionários próximos irão falar tudo!!! Tudo mesmo!!! Mais será que isso não é exagero???  Vamos ilustrar com essa história:
Durante um julgamento em uma cidade do interior nos EUA, uma senhora foi chamada pelo advogado de acusação para depor, mas, bastou uma simples pergunta do advogado, para a doce senhora dar um resposta que surpreendeu todas as pessoas.
 O advogado aproximou-se dela e perguntou: “Sra . Jones, você me conhece?”
Ela respondeu prontamente: “Claro que sim. Eu te conheço desde que era um garotinho, e, francamente, você foi uma grande decepção para mim. Você mente,  trai  a sua esposa, manipula as pessoas, e fala mal dos seus amigos pelas costas. Então, sim. Sim, eu sei quem você é “.
O advogado estava atordoado.  Não sabendo mais o que fazer, ele apontou outro lado da sala e perguntou: “Sra. Jones, você conhece o  advogado de defesa?”
Ela respondeu: “Claro que sim. Eu conheço o Sr. Bradley desde que ele era  jovem. Ele é preguiçoso, preconceituoso, e tem um problema com a bebida. Ele não pode construir um relacionamento normal com ninguém. Sua prática de direito é um dos piores no estado.  Sem mencionar que ele traiu a mulher com três mulheres diferentes e uma delas era sua esposa. Sim, eu o conheço “.
O advogado de defesa quase desmaiou.
O juiz pediu ambos os advogados que  aproximassem  e  se inclinou e com uma voz calma disse aos dois advogados: “Se qualquer um vocês perguntar a ela  se ela me conhece, eu mando prender os dois!”
Obviamente  não sabemos sobre a veracidade da história, porém, ilustra exatamente o que pode acontecer em uma campanha. Necessitamos de todas as informações possíveis para, não só utilizarmos na elaboração da estratégia mas também para prever possíveis ataques de adversários e criarmos ‘vacinas’ para nos proteger de informações que podem abalar a campanha.
Para finalizar, vale lembrar que em seu livro “Eleição é Guerra” o Professor Carlos Manhanelli, presidente da ABCOP,  realiza seis comparações entre conceitos de ação de guerra (recorrendo ao livro “Da Guerra” de Carl Von Clausewitz) com os conceitos do Marketing Político Eleitoral. Vamos citar a terceira comparação:
Da Guerra: Se a guerra é um ato de violência, também a sensibilidade fará parte dela. Ainda que a guerra não provenha desta, todavia, incide mais ou menos sobre ela, e este mais ou menos não depende do grau de civilização mas, sim, da importância e persistência dos interesses inimigos.
Campanhas eleitorais: Se as campanhas eleitorais descem a níveis tão baixos que atacam o moral e os segredos mais íntimos dos candidatos, também a sensibilidade necessariamente fará parte delas. Ainda que as campanhas eleitorais não provenham desta, todavia, incide mais ou menos sobre ela, e este mais ou menos não depende do grau de civilização mas, sim, da importância e persistência dos interesse do adversário.
Vamos ao Briefing?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

MARKETING POLITICO - Perfis fictícios trazem humor a eleição à Prefeitura de SP


Agência Estado
São Paulo, 19 - Diante de um ambiente político conflagrado que chega a exibir demonstrações de ódio, o humor torna-se arma para conquistar corações de eleitores antes mesmo do início das campanhas propriamente ditas. A fim de ajudar políticos com os quais têm ligação ou simpatia, internautas criam personagens fictícios para parodiar e dar uma forcinha a seus futuros candidatos.

Esse tipo de abordagem virou uma tendência, segundo especialistas, após o surgimento de Dilma Bolada - perfil criado em 2010 por um publicitário carioca para satirizar a presidente Dilma Rousseff e que possui atualmente 1,6 milhão de seguidores. Em 2016, com as eleições municipais, o eleitor paulistano será capaz de sentir mais de perto o efeito Dilma Bolada na internet.

A disputa municipal ainda não começou, mas já há personagens dentro e fora do campo político. O prefeito Fernando Haddad (PT) e o deputado Celso Russomanno (PRB) são dois nomes já "homenageados" com perfis fakes no Facebook. Tratam-se de Haddad Tranquilão, com mais de 120 mil seguidores, e Russo - O Mano, com mais de 7 mil curtidas.

"Essa estratégia existe desde a Dilma Bolada. Ela serve tanto para fazer campanha para determinado candidato, quanto para uma eventual defesa que ele precise fazer. E isso tudo de uma forma bem humorada, diferente de como seria se fosse só um militante ou um simpatizante", diz o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli. "Haddad Tranquilão e Russo - o Mano estão fazendo campanha subliminarmente. É um trabalho subliminar."

O perfil Haddad Tranquilão no Facebook é administrado por jovens ligados ao PT. O publicitário Léo Casalinho, 26, e o turismólogo Pedro Barciela, 25, criaram o personagem durante as eleições de 2012 e alimentam até hoje a página com conteúdo sobre a gestão do petista fornecido pela Prefeitura.

"A gente tem postado sobre a gestão e com isso conseguimos mais 40 mil seguidores. Do fim da eleição de 2014 até agora, ganhamos mais 50 mil. A gente faz o que a Prefeitura não faz. Pessoas de lá procuram a gente e pedem para divulgar as ações do prefeito", diz Casalinho. Ele afirma nunca ter sido pago por isso.

A página de Russo - O Mano também é controlada por publicitários. Marcio Mattos tem 37 anos e decidiu criar o personagem no início deste ano, em parceria com um amigo que se identifica por "vovô". Mattos é simpatizante de Russomanno e diz ter votado nele em 2012, quando o deputado disputou a Prefeitura. O publicitário afirma também que faz o trabalho de graça. "A gente é independente, a gente quer ser independente. E se um dia o Russomanno pisar na bola a gente vai fazer piada dele também, como a gente já fez algumas vezes", diz Mattos.

"Eu sou um cara que gosta de terceira via. As pessoas de terceira via têm alguma coisa a ver comigo." Mattos afirmou ao Estado ter trabalhado na campanha do ex-governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência no ano passado. Após a morte de Campos, em agosto, o publicitário integrou a equipe de campanha de Paulo Skaf (PMDB) ao governo paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

MARKETING POLÍTICO - A Era Vargas e a Era PT

Cenários econômico e político acirrados se repetem mais de 50 anos depois

Jornal do Brasil

As recentes declarações do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), sobre a campanha negativa pela qual passa a presidente Dilma Rousseff voltaram a suscitar comparações entre o contexto atual com o do presidente Getúlio Vargas, primeiro com a crise econômica decorrente da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e depois com a crise política.
No Congresso, em homenagem aos 61 anos da morte de Vargas, Dias relacionou a “campanha difamatória” do ex-presidente à sofrida por João Goulart, Leonel Brizola e a presidente Dilma, “uma campanha intensiva de tantos quantos querem impedir que o Brasil avance, se democratize”, discursou o ministro pedetista, acrescentando que “mudam os atores, mas o cenário é o mesmo”.
Especialista em marketing político que já participou de mais de 200 campanhas eleitorais, Carlos Manhanelli reitera que, mesmo na economia, o cenário é similar e que mudam apenas os atores sociais.  Segundo ele, troca-se os Estados Unidos de 1929, que deu fôlego à crise do café, pela China de agora, que preocupa o cenário mundial, tal como ocorreu com a quebra da Bolsa de Nova York.
“Agora, tal como ocorreu com a bolsa de Nova York arrebentando o Brasil, uma crise externa atinge o país. Tal como em 29, a crise prejudicou o mundo inteiro, e não só o Brasil. A China, agora, é a grande capitã da nau do mercado mundial e o timão está nas mãos dela. O mundo está alerta porque ele está escorregando”, analisa Manhanelli.
A única diferença, segundo o analista político, é a forma como o remédio para o problema é apresentado. “A doença da crise econômica é a mesma, com a diferença de que em Vargas havia a imposição do remédio, enquanto na democracia de Dilma Rousseff ela precisa provar para a população que esse remédio não fará mal”, compara.
Tal como no cenário getulista, em que a crise do café afetou, sobretudo, a elite paulista e o presidente fez oposição à política do café com leite (a alternância de poderes entre as oligarquias São Paulo e Minas Gerais), as dificuldades econômicas de agora deterioram a popularidade da petista, com mais força em São Paulo, reduto dos tucanos, e com sede em Minas Gerais, ninho do senador Aécio Neves (PSDB), algoz de Dilma nas eleições e um dos principais defensores da deposição da presidente.
Para o cientista político Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), a ideia de impeachment, levada como ameaça e chantagem, é o elemento de similitude entre as duas figuras políticas. Tanto no caso da petista quanto do trabalhista, a crise política se acirra no segundo governo – no segundo mandato de Dilma e no chamado segundo período varguista, quando o presidente é eleito por voto direto.
“Há semelhanças, sim. O que muda é o contexto histórico: Vargas estava numa luta ideológica para que se implantasse um governo sindicalista e a direita estava mais organizada. Há, hoje, um colapso das instituições – dos partidos, do Congresso – e não há perspectiva para a direita, porque ela sequer consegue apontar uma saída, no caso de um impeachment da Dilma”, analisa Fornazieri.