quinta-feira, 27 de maio de 2010

Na era virtual, Dilma, Marina e Serra apostam no rádio durante a pré-campanha

Jornal "O Globo"
País

Eleições 2010
Publicada em 26/05/2010 às 21h57, Silvia Amorim


SÃO PAULO - Na era dos blogs e das redes sociais da internet, a corrida por popularidade tem levado os pré-candidatos à Presidência da República a recorrerem ao tradicional rádio para marcar suas posições junto ao eleitorado. Esta quarta-feira foi mais um dia em que José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) dedicaram espaço privilegiado em suas agendas para entrevistas a emissoras de todo o país. Desde abril, os três juntos já participaram de pelo menos 53 programas, o que dá uma média de uma "aparição" por dia de um dos presidenciáveis nessa mídia.
A ofensiva não é por acaso. Os programas de rádio são considerados pelas campanhas um canal estratégico para alavancar o potencial eleitoral dos pré-candidatos. A preferência é sempre por emissoras populares e de grande audiência, que têm uma penetração maior junto ao eleitorado que está fora dos grandes centros. Nessas oportunidades, Serra, Dilma e Marina exploram suas plataformas principalmente na área social. Temas como a continuidade do Bolsa Família são obrigatórios. Serra foi quem participou de mais programas
Nesta quarta, Dilma fez uma maratona midiática. De manhã,
a petista deu entrevista a programas nas rádios Record e Tupi, em São Paulo , e, à noite, participou do jornal SBT Brasil . Serra cancelou visita a Gramado (RS) e foi para o Rio para dar uma entrevista à Rádio Globo . Marina dedicou o fim de tarde a um programa na Rádio Bandnews , em São Paulo.
Há uma diferença, entretanto, sobre o que move cada um dos presidenciáveis a se lançar nessa incursão. Serra, por exemplo, usou as rádios para se tornar mais popular no Nordeste e, com isso, amenizar a fama de ser um candidato dos centros urbanos. Já Dilma recorreu ao rádio para se fazer conhecer como candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marina também se lançou à empreitada para se tornar mais conhecida.
" Enquanto não tem campanha oficialmente, as rádios são o único caminho para falar com esse segmento mais popular da população e que é maioria do eleitorado "
Em geral, as campanhas aproveitam as visitas aos estados para fazer essa ofensiva. Mas isso não impede os pré-candidatos de fazerem participações à distância.
Serra é, por enquanto, o campeão em entrevistas. Esteve, pelo menos, em 21 programas conversando com ouvintes da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Marina fez 18 e Dilma, 13.
- Enquanto não tem campanha oficialmente, as rádios são o único caminho para falar com esse segmento mais popular da população e que é maioria do eleitorado - analisa o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos e professor da Universidade de Salamanca em Comunicação Política, Carlos Manhanelli. "Busca mais violenta" nesta eleição, diz consultor
Com o início oficial das eleições, em julho, acredita o consultor, a procura pelas rádios tende a arrefecer. Um dos motivos é o rigor da legislação eleitoral para rádio e TV. Outra razão é que a agenda dos candidatos acaba ficando mais carregada. Além disso, tem a veiculação do horário eleitoral na TV e no rádio a partir de agosto. Embora em toda eleição a procura por programas de rádio ocorra, Manhanelli vê neste eleição uma procura maior:
- Acredito que agora há uma busca mais violenta, talvez porque esteja havendo uma fiscalização mais rigorosa entre os partidos da postura dos pré-candidatos nos eventos públicos.

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