terça-feira, 8 de novembro de 2011

INTERNET A NOVA FERRAMENTA PARA CAMPANHAS ELEITORAIS.



Vou falar sobre uma das ferramentas de campanhas eleitorais, a mais comentada nos últimos pleitos: a Internet.
Políticos de todo o mundo invadiram a internet depois do sucesso da estratégia de campanha de Barack Obama durante as eleições americanas de 2008, que utilizou redes sociais como Facebook, MySpace, YouTube, Flickr, AsianAve e Twitter.
Embora muitos estejam achando que colocaram o ovo em pé, nós da ABCOP utilizamos essa ferramenta desde 1996. Minha primeira entrevista sobre esse assunto foi na TV Gazeta de São Paulo em 1996, quando Francisco Rossi e Walter Feldmann colocaram suas páginas na Internet, ou seja, desde a década de 90 que já usamos essa ferramenta, porem com as restrições legais que lhe foram impostas. Agora podemos usar na sua plenitude, ou quase plenitude, de recursos.
Ainda não está estabelecido o que funciona e o que não funciona na Internet, em campanhas eleitorais no Brasil. Já sabemos o que funciona nos E.U.A., agora temos que saber abaixo do Equador o que realmente funciona nesse espetacular veículo interativo. É hora de testar todas as possibilidades e consagrar as melhores.
Estão divulgando números mirabolantes de usuários da Internet. Mas no caso da eleição, não adianta o numero de usuários. O que nos interessa é saber quantas pessoas poderão ser influenciadas pela internet na hora do voto. A questão é: internet convence alguém a votar?
No levantamento efetuado pela ESPM realizado nas eleições de 2008, desta vez em parceria com o Ibope Inteligência, mostrou que a rede foi o principal fator de decisão do voto para 5% dos eleitores paulistanos. E entre os mais jovens, esse percentual dobrou para 10%, chegando a 12% entre os que possuem nível superior.
Aqui estão os percentuais e os segmentos que foram atingidos na ultima campanha eleitoral. Com a possibilidade de utilização de todas as ferramentas na campanha pode subir esse índice? Pode porem não muito. E que segmentos poderemos atingir com o uso pleno da Internet? Incógnita.
Nas campanhas municipais, quantos serão atingidos em cidades pequenas e médias?
Em 2.010 a candidata Marina Silva, tentou a plena utilização da internet. Pelos resultados, não foi muito longe.
Em entrevista ao Jornal da Tarde de 22/10/2.011, um candidato declarou: “iPhone não vota”, sentencia Aleksander Mandic (ex-DEM, atual PSD). Como um dos precursores da internet no Brasil, ele tentou provar a eficácia da rede investindo em uma campanha totalmente focada na internet. “Eu mandava os santinhos virtuais por e-mail e celular, mas não deu certo. De qualquer maneira, só serei candidato novamente se puder vencer uma eleição desta maneira”.
Outros levantamentos realizados nos Estados Unidos e na Europa mostram que o impacto da rede sobre o resultado eleitoral é fruto de três fatores: número de eleitores com acesso, grau de interesse na eleição e grau de interesse dos políticos em utilizar o meio. Quanto destes três fatores pesa no Brasil? Quanto pesa o grau de interesse na eleição nos E.U.A e no Brasil?
Estar presente nas redes sociais não será o suficiente para colher sucesso nas urnas, adverte Fernando Barros, presidente da agência de publicidade e marketing político Propeg. "Será preciso montar estratégias criativas, inéditas e que trabalhem a customização das mensagens para públicos específicos, deixando de lado os boletins generalistas." Para ele, esse foi o grande trunfo da campanha eleitoral de Obama.A segmentação será palavra de ordem na Internet e lembrando que de nada vai adiantar ter blogs, twitter, sites, portais e etc., se não tiver na campanha alguém para atualizar e gerenciar a interatividade. Não adianta deixar apenas para um profissional fazer o serviço. Ele terá que coletar um mailling segmentado para melhor aproveitamento das mensagens, ou seja, alem das atualizações de conteúdo, teremos que ter atualizações e gerenciamento de mailling, para que a interatividade, que é a função maior da Internet, funcione.
Temos encontrado nas campanhas que participamos a total falta de interesse dos partidos políticos e dos próprios candidatos em ter os e-mails dos filiados partidários. Não existe um mailling gerenciado nem do primeiro grupo de trabalho para a campanha, imagine então de eleitores. A maioria dos políticos acredita que os SPAM’S serão úteis em sua campanha. O tiro pode (e na maioria das vezes sai) pela culatra.
Observamos também o fator credibilidade na internet. A toda hora o Fantástico (Rede Globo de TV) mostra as mentiras que navegam pela internet, alem do enorme numero de Vírus que paira pelo universo virtual.
A credibilidade é fundamental para um veículo de comunicação.
Não se iludam. A TV e o Rádio ainda serão os grandes carros chefes de várias campanhas futuras, principalmente as inserções de 30” que pegarão de surpresa o desavisado eleitor e conseguirá fazer com que a maioria receba a mensagem, quer queira quer não queira.
Na Internet, discurso não funciona, mas diálogos sim. Resta saber se os políticos brasileiros estão dispostos a ouvir, a falar e a responder as questões, críticas e sugestões advindas da interatividade.
Roy Campos, consultor mexicano que trabalhou e acompanhou a campanha de Obama, em um dos Congressos que foi palestrante nos E.U.A juntamente comigo, disse uma frase que definiu muito bem a internet Obama: A campanha de Obama na internet teve como objetivo angariar fundos para pagar a TV, que é onde se convence o eleitor a votar neste ou naquele candidato.
Em entrevista ao Jornal da Tarde de 22/10/2.011 declaro meu pensamento sobre a internet nas campanhas eleitorais: “O acesso à internet cresceu, é verdade, mas política não é um tema tão procurado nas redes sociais”. Ou seja, “política” não é “sexo” (nem aqui, nem no Google).
A internet ainda chegará lá, mas respeitando sua característica de veiculo de comunicação interativa.
Mutatis Mutantis.